Aversão ao risco: 31 ações do Ibovespa caem mais de 4% e só 2 sobem nesta terça-feira

O pior desempenho do dia foi de Pão de Açúcar (PCAR3), que caiu 17,78%, a R$ 2,59

Lara Rizério Agências de notícias

Ativos mencionados na matéria

Painel eletrônico mostra cotações de ações na B3, em São Paulo 05/08/2024 REUTERS/Carla Carniel
Painel eletrônico mostra cotações de ações na B3, em São Paulo 05/08/2024 REUTERS/Carla Carniel

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As ações ligadas a varejo, consumo e construção civil lideraram as perdas do Ibovespa na sessão desta terça-feira (3) com altas firmes dos juros ao longo de toda a curva, em meio è continuidade e intensificação do conflito no Oriente Médio, que vem pressionando os ativos globalmente diante da busca por segurança.

O pior desempenho do dia foi de Pão de Açúcar (PCAR3), que caiu 17,78%, a R$ 2,59. Além do cenário macro, a Fitch Ratings rebaixou o rating de A para CCC, com observação negativa, citando risco de refinanciamento, liquidez pressionada e fluxo de caixa livre negativo. A agência vê possibilidade de reestruturação da dívida.

Mas ações de educação, como Yduqs (YDUQ3, R$ 12,10, -6,99%) e Cogna (COGN3, R$ 3,29, -4,91%) fecharam com baixa, enquanto a empresa de atacarejo Assaí (ASAI3, R$ 8,65, -6,49%) também teve forte queda. Localiza (RENT4, R$ 46,94, -5,84%) também teve fortes baixas.

Viva do lucro de grandes empresas

“Em um ambiente de forte aversão a risco, as ações mais penalizadas costumam ser as ligadas ao ciclo doméstico e ao crescimento econômico, como varejo, construção civil, small caps e empresas mais alavancadas”, aponta Lucas Girão, economista, especialista em Investimentos e MBA em Finanças pela FBNF. 31 ações do Ibovespa fecharam em queda superior a 4%.

Só duas ações do Ibovespa fecharam com ganhos: Raízen (RAIZ4, R$ 0,69, +6,15%) e Braskem (BRKM5, R$ 9,55, +3,24%).

Veja o desempenho das ações do Ibovespa nesta terça-feira (3):

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TickerValor  (R$)Variação do dia (%)
PCAR32,59-17,78%
YDUQ312,1-6,99%
ASAI38,65-6,49%
CSNA37,91-6,06%
BPAC1157,51-5,86%
RENT446,94-5,84%
BRAP423,38-5,84%
RENT348,9-5,47%
VAMO34,15-5,47%
CEAB312,09-5,32%
B3SA317,54-5,14%
GGBR419,75-5,05%
AZZA325,12-4,99%
COGN33,29-4,91%
CURY336,65-4,90%
DIRR315,23-4,81%
MRVE39,52-4,80%
MBRF319,54-4,78%
BBDC420,2-4,78%
GOAU48,83-4,75%
CYRE427,64-4,72%
BEEF34,86-4,71%
NATU38,57-4,67%
AXIA664,87-4,62%
AXIA359,49-4,60%
CYRE329,24-4,60%
MOTV315,77-4,48%
IRBR358,69-4,23%
BBDC317,51-4,19%
VALE384,48-4,17%
BBAS325,77-4,17%
ITSA413,6-3,82%
CPFE347,59-3,80%
PRIO355,12-3,77%
HYPE321,9-3,74%
ENEV320,49-3,71%
CMIN35,26-3,66%
USIM56,65-3,62%
LREN314,96-3,61%
KLBN1119,88-3,54%
SMFT319,3-3,50%
HAPV310,01-3,38%
RECV312,3-3,38%
ITUB444,38-3,35%
CMIG411,54-3,27%
TAEE1142,2-3,19%
EGIE332,26-3,15%
MULT333,04-3,11%
SBSP3148,19-3,09%
CSAN35,97-3,08%
BRAV318,61-2,92%
EQTL340,49-2,90%
CSMG353,74-2,89%
FLRY316,42-2,84%
ALOS331,37-2,67%
WEGE347,4-2,65%
RDOR338,65-2,64%
IGTI1128,22-2,49%
SLCE316,23-2,46%
SANB1132,7-2,45%
CPLE314,38-2,38%
ISAE427,91-2,31%
PSSA350,63-2,28%
ENGI1152,32-2,28%
RADL323,93-2,25%
CXSE317,57-2,17%
ABEV315,57-2,14%
UGPA325,36-2,12%
MGLU39-2,07%
TIMS326,75-2,01%
VBBR329,69-1,95%
TOTS336,61-1,93%
RAIL315,47-1,78%
VIVT341,57-1,63%
SUZB357,27-1,36%
EMBJ391,71-1,28%
POMO46,6-1,20%
BBSE334,4-1,01%
AURE311,56-0,77%
PETR344,38-0,74%
PETR440,95-0,44%
BRKM59,553,24%
RAIZ40,696,15%

A escalada do conflito no Oriente Médio fez as taxas dos DIs dispararem nesta terça-feira, em meio à forte aversão global a ativos de risco, com investidores no Brasil elevando as apostas de que o Banco Central cortará a Selic em apenas 25 pontos-base este mês, e não em 50 pontos-base.

Com o dólar subindo mais de 2% ante o real, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,9% no fim da tarde, em alta de 21 pontos-base ante o ajuste de 12,69% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,58%, com elevação de 19 pontos-base ante 13,39%.

Na segunda-feira uma autoridade de alto escalão da Guarda Revolucionária Iraniana disse que o país pretende disparar contra qualquer navio que tentar passar pelo Estreito de Ormuz — onde circulam diariamente cerca de 20% do petróleo mundial.

Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que é “tarde demais” para negociar com o Irã, reforçando a perspectiva de continuidade do conflito iniciado no sábado, que envolve Israel do lado norte-americano.

A reação nos mercados globais foi de alta forte do petróleo e fuga dos investidores de ativos mais arriscados, como ações, moedas e títulos de países emergentes, em meio a receios de que o conflito possa reduzir o crescimento e acelerar a inflação.

No Brasil, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima intradia de 13,040% às 12h07, em alta de 35 pontos-base, em um momento em que o dólar oscilava acima dos R$5,30. Às 12h14, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 13,745%, com elevação de 36 pontos-base.

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O forte avanço das taxas dos DIs traduziu ainda o aumento das apostas de que o BC cortará a Selic — hoje em 15% — em 25 pontos-base este mês, e não em 50 pontos-base.

“Até a divulgação do IPCA-15 (na última sexta-feira), as apostas estavam em 95% para corte de 50 pontos-base e 5% para corte de 25 pontos-base. Depois do IPCA-15, elas foram para 80%-20%”, comentou na tarde desta terça-feira o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano. “Agora, com a crise no Oriente Médio, (a precificação) caiu para 50%-50%.”

(com Reuters)

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.