GPA, Assaí e Azzas anunciam mudanças na gestão – o que isso significa para as ações?

Oncoclinicas e Vitru Educação também comunicaram mudanças na administração

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Divulgação)
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Várias companhias listadas em Bolsa anunciaram na quarta-feira (4) alterações importantes em suas equipes de alta administração, marcando em alguns casos o início de transições no comando após anos à frente dos negócios.

As mudanças atingem grupos dos setores de varejo, como GPA (PCAR3), Assaí (ASAI3) e Azzas 2154 (AZZA3), da saúde, como Oncoclínicas, e de educação, como a Vitru (VTRU3).

Azzas (AZZA3) e Assaí (ASAI3)

A Azzas anunciou a integração das divisões Shoes & Bags e Basic em uma única unidade de negócios. Com a mudança, Rafael Sachete deixará o cargo de CEO da divisão Shoes & Bags, enquanto David Python, atual CEO da unidade Basic, assumirá a liderança da nova unidade combinada. Paralelamente, o Assaí (ASAI3) anunciou a nomeação de Sachete como CFO, posição ocupada interinamente por Aymar Giglio desde abril de 2025.

Viva do lucro de grandes empresas

Para o Assaí (ASAI3), o Bradesco BBI vê a nomeação de Rafael Sachete como positiva, dado seu histórico consistente em gestão financeira e executiva, mesmo considerando as diferenças entre os setores de moda e varejo alimentar. O cargo de CFO estava vago havia cerca de 10 meses, e o fortalecimento da área financeira é crucial para a tese de investimentos da companhia.

O BBI destaca, ainda, o trabalho de Aymar Giglio como CFO interino, período no qual o Assaí cumpriu sua meta de alavancagem (2,6 vezes Dívida Líquida/EBITDA, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e aprimorou o perfil de dívida, aumentando o prazo médio de 32 meses (1T24) para 38 meses (3T25) e reduzindo o custo médio de CDI+1,49% para CDI+1,28%.

No caso de Azzas (AZZA3), o banco entende que a reorganização busca ganhar eficiência, capturar sinergias marginais e destravar valor aos acionistas, especialmente com a liderança de um executivo experiente como David Python. Por outro lado, o BBI reconhece que mais uma mudança na alta gestão pode gerar apreensão no mercado, reforçando a percepção de que o processo de reestruturação da companhia ainda está em curso e com baixa visibilidade sobre quando a empresa poderá superar totalmente o atual período de ajustes.

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O JPMorgan avalia o anúncio como positivo para Assaí, uma vez a posição de CFO estava vaga desde abril de 2025 e Sachete tem ampla trajetória na função. Segundo banco, o executivo deve ajudar o Assaí a navegar no ambiente operacional desafiador do varejo alimentar.

Com as ações negociadas a 17 vezes o P/L (Preço sobre Lucro) estimado para 2026, o JPMorgan reiterou recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda), com preço-alvo de R$ 8,50.

No caso de a Azzas 2154, o JPMorgan comenta que a saída de Sachete foi inesperada e tende a gerar mais ruído para o caso, especialmente porque a AZZA3 passou por várias mudanças de gestão nas unidades de negócio nos últimos trimestres. Enquanto isso, os resultados têm sido voláteis, sobretudo na marca Hering, que Python tenta reestruturar após a saída de Thiago Hering da empresa em setembro de 2025.

Ainda assim, analistas do JPMorgan acreditam que Python é uma boa escolha para comandar a divisão de calçados e bolsas, dado seu histórico no setor de footwear e bom conhecimento em gestão de franquias.

Com as ações negociadas a cerca de 5 vezes o P/L (Preço sobre Lucro) estimado para 2026, reiterou recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 36,00.

A Ativa Investimentos vê o movimento como positivo para o Assaí, que recebe um CFO competente, de amplo histórico favorável no setor de varejo. Por outro lado, a notícia é negativa para Azzas 2154, que perde um nome valioso para o grupo em meio ao adverso momento que a companhia vem enfrentando, tanto pelos fatores macro, quanto pelos desafios impostos pela fusão.

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A Ativa manteve recomendação de compra para Assaí e Azzas, com preço-alvo de, respectivamente, R$ 18 e R$ 50.

GPA (PCAR3)

O Conselho de Administração do GPA (PCAR3) elegeu Pedro Vieira Lima de Albuquerque para o cargo de Vice-Presidente Executivo Financeiro. O Diretor eleito tomará posse em 01 de março de 2026.

O JPMorgan vê a nomeação de um CFO experiente como algo favorável para a varejista, pois deve permitir que Santoro se concentre mais na operação do negócio, especialmente diante das iniciativas em curso da grupo para melhorar a rentabilidade.

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Além disso, o banco destaca que Albuquerque tem ampla experiência como CFO e em planejamento financeiro, em um momento em que a empresa executa um programa de redução de alavancagem, partindo de um nível elevado de endividamento (cerca de 4,5 vezes a dívida líquida ajustada/EBITDA estimada para 2025).

Com as ações negociadas a 5,5 vezes o EV/EBITDA (Valor da Firma sobre Ebitda) estimado para 2026, o JPMorgan mantém recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado).

Oncoclínicas (ONCO3)

Já a Oncoclínicas anunciou que Camille Loyo Faria assumirá o cargo de Vice-Presidente Executiva, acumulando também as posições de CFO e Diretora de Relações com Investidores, substituindo Cristiano Camargo.

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O BBI considera o anúncio neutro a levemente positivo, uma vez que a mudança na gestão já era amplamente esperada e a executiva agrega experiência sólida em processos de reorganização corporativa. Seus sete anos de atuação como CFO e IRO em empresas de grande porte —inclusive em contextos de estresse financeiro —reforçam o perfil técnico adequado para o momento da companhia.

Na avaliação do BBI, a nomeação de um novo CFO seria desejável no futuro, permitindo que Camille Faria concentre sua atuação integralmente nas responsabilidades estratégicas associadas ao cargo de VP Executiva.

O JPMorgan explica que sua recomendação underweight para a Oncoclínicas reflete sua posição delicada no mercado de saúde privada, com alta exposição a pagadores de menor qualidade e consumo contínuo de caixa, em meio a uma estrutura de capital alavancada, com dívida líquida estimada em cerca de 6 vezes o EBITDA para 2025.

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Nesse contexto, segundo JPMorgan, a nomeação de uma CFO com forte experiência em reestruturações e situações de estresse financeiro, tendo participado dos processos de recuperação judicial nos EUA (Chapter 11) da Oi (OIBR3) e da Americanas (AMER3), sugere que a companhia pode iniciar uma fase mais intensa de reestruturação para enfrentar as restrições no balanço após o recente aumento de capital de cerca de R$ 1,4 bilhão.

Vitru (VTRU3)

A Vitru anunciou a transição do cargo de CEO de William Matos para José Aroldo Alves Jr. A transição deverá ser concluída até 29 de abril de 2026. Ao final desse período, William Matos deixará suas funções executivas e passará a integrar o Conselho de Administração, enquanto Aroldo assumirá integralmente o cargo de CEO.

O Itaú BBA destaca que José Aroldo é um executivo com sólida trajetória no setor educacional, tendo atuado anteriormente como CEO das operações Estácio e Wyden na YDUQS (YDUQ3). O Itaú BBA reiterou recomendação compra e preço-alvo de R$ 22.

O Bradesco BBI, por sua vez, avalia o anúncio de neutro a positivo, principalmente pela percepção de melhora na governança corporativa. Segundo o banco, os cerca de quatro meses desde a chegada de José Aroldo à companhia, em outubro de 2025, contribuíram para validar seu nome para a posição de CEO, mitigando riscos de execução.

O executivo possui sólida experiência no setor de educação superior, com mais de 16 anos de atuação. Diante desse histórico, o BBI acredita que Aroldo reúne as competências e a experiência necessárias para conduzir a Vitru em sua próxima fase estratégica.