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SÃO PAULO – O cenário para o setor de energia elétrica continua nebuloso e após alguns dias de recuperação frente às fortes quedas sofridas em setembro – após a presidente Dilma Roussef anunciar as novas regras para o setor -, as empresas registram mais um dia de forte realização.
As ações da Cesp (CESP6) aparecem entre as mais pressionadas nesta quarta-feira (3). Às 12h44 (horário de Brasília) as ações da concessionária recuavam 3,88%, cotadas a R$ 20,82. Na sua mínima no intraday, as ações da chegaram a cair mais de 5%.
Os papéis da companhia paulista são pressionados pela sinalização de que o governo de São Paulo pode desistir de vender a companhia, exatamente por conta das fortes quedas dos papéis desde a intervenção do governo no setor.
Outro papel que recua forte no pregão é o da Cemig (CMIG4, R$ 23,47, -4,02%). A Citi Corretora divulgou em relatório a redução do preço-alvo para os papéis da companhia de R$ 34,50 para R$ 21,30. Para a equipe de análise da corretora, o governo tende fortemente a adotar preços menores para as tarifas nas renovações e a primeira renovação depende dos ativos de geração estarem totalmente amortizados no prazo de vida da concessão.
Além disso, a equipe de análise afirma que os controladores da Cemig, o governo de Minas Gerais, administrado por um partido de oposição (PSDB), escolherá a antecipar a renovação com preços menores, com um VPL (Valor Presente Líquido) negativo de R$ 1,1 bilhão.
“A política neste caso deverá prevalecer sobre o raciocínio financeiro de manter as concessões até a maturidade. Isso para evitar o custo político de não cooperar com o governo federal, ajudando a reduzir os preços da eletricidade em média em 20% e demissões de funcionários do setor elétrico”, explicam.
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Além da Cesp e Cemig, outras companhias do setor registram queda no pregão, entre elas a AES Tietê (GETI4, R$ 22,06, -1,87%), Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 35,50, -1,72%) e Tractebel (TBLE3, R$ 32,03, R$ -1,23%) também operam no negativo, levando o IEE (Índice de Energia Elétrica) a registrar queda de 0,71%. Enquanto isso, o Ibovespa opera em queda de 0,27%.
Dificuldades de interpretação
As quedas são pressionadas pela falta de clareza do governo sobre quais serão os reais critérios para a renovação das concessões, os reais cortes de custos e o quanto issso impactará no desempenho do setor. Além disso, uma série de pedidos de mudanças na Medida Provisória enviadas ao governo pelas empresas tornam ainda mais incerto o cenário para o setor, na opinião do analista da SLW Corretora, Pedro Galdi.
Segundo ele, as ações de elétricas sofrerão essa forte volatilidade pelo menos até o dia 4 de dezembro, quando o governo deve voltará a se pronunciar sobre as renovações.”Antes disso fica até dificil analisar os papéis do setor, que devem permanecer voláteis à espera desse novo pronunciamento”, explica o analista.
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O analista acredita ainda que declaração do diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de energia Elétrica), Nelson Hubner, ao Valor Econômico, afirmando que o governo deve se tornar mais rígido com as concessionárias que se recusarem a prorrogar seus contratos com vencimento entre 2015 e 2017, também trazem mais tensão ao setor. “Esse não é o momento para esse tipo de declaração”, critica Galdi.
O pronunciamento do diretor da Aneel responde aos sinais de algumas empresas de que deixarão a renovação das concessões vencerem em 2015, em vez de renovar já em 2013, conforme preve às novas regras do governo. As empresa, para manter as tarifas mais altas estabelecidas no modelo anterior para as concessões no setor.
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