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SÃO PAULO – Dias após encerrada a greve dos caminhoneiros, que gerou uma crise de abastecimento por todo o Brasil nas últimas semanas, o governo já teme uma nova onda de protestos pelo País, desta vez contra o aumento do preço da gasolina e do gás de cozinha.
Para evitar perder novamente o controle das ruas, a equipe econômica estuda usar as receitas dos leilões do pré-sal para amortecer o aumento da gasolina para o consumidor final. Segundo o jornal O Globo, o governo trabalha para acelerar a revisão do contrato da cessão onerosa e, com isso, viabilizar o mais rápido possível o leilão do petróleo excedente nos campos, que tem estimativa de render R$ 80 bilhões aos cofres da União.
De acordo com o jornal, o dinheiro obtido com essa operação serviria para criar uma espécie de um colchão tributário para amortecer os aumentos da gasolina e reduzir a volatilidade dos ajustes do combustível, que varia conforme o petróleo no mercado internacional e a oscilação do câmbio.
Essa quantia é mais do que necessária caso o governo pretenda subsidiar os reajustes da Petrobras, já que “bancar” o preço do diesel, gasolina e gás de cozinha custaria R$ 30 bilhões ao Tesouro Nacional até o fim do ano, aponta reportagem do Estadão. Contudo, com as contas apertadas, não haveria espaço para cobrir essas despesas remanejando recursos do próprio Orçamento e a criação do colchão tributário “cairia como um luva” neste desejo do governo.
Do total de R$ 30 bilhões, R$ 13,5 bilhões devem cobrir os subsídios do diesel e mais R$ 13 bilhões para não repassar totalmente à população os reajustes da gasolina. O gás é o mais barato e consumiria “apenas” R$ 4 bilhões dos cofres públicos.