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Governo tem alívio e susto com Petrobras; balanço da Usiminas e mais 11 no radar

Repercussão do balanço da Petrobras segue no radar dos mercados; Usiminas divulga resultado, com prejuízo de R$ 235 milhões no primeiro trimestre, e recomendações estão no radar

Por  Lara Rizério

SÃO PAULO – Um dos destaques desta quinta-feira (23) é a repercussão do balanço da Petrobras (PETR3;PETR4), que registrou um prejuízo de R$ 21,6 bilhões em 2014. A Operação Lava Jato gerou baixa de R$ 6,19 bilhões e 1º prejuízo anual desde 1991, além de impairments de R$ 44,6 bi em 2014.

E, segundo informações da Folha de S. Paulo, empreiteiras e setores do governo tinham esperança de que o balanço da Petrobras não computasse explicitamente perdas com corrupção, já que o ex-diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa disse que não houve superfaturamento em contratos. Contudo, desde que assumiu, o presidente Aldemir Bendine sabia que a auditora PwC não aceitaria valor abaixo de R$ 5 bilhões.

A gestão de Graça Foster sugeriu um valor de R$ 4 bilhões, que foi recusado e a diretoria subiu para R$ 5 bilhões – cifra que já havia sido ventilada por Graça e recusada. E, quando assumiu, Bendine ouviu dos auditores que Graça e sua estavam perdidos, dispostos a entregar qualquer número para obter a certificação. Outro susto foi o valor do impairment de R$ 44 bilhões e a expectativa era de um número menor. 

Por outro lado, o Estado de S. Paulo destaca que a presidente Dilma Rousseff espera que, com a publicação do balanço da Petrobras, se consiga “virar a página” desse episódio que foi considerado traumático para a empresa. Na reunião de coordenação do governo, no final da tarde de ontem, Dilma comentou sobre a importância da apresentação do balanço com os nove ministros presentes. A presidente lembrou ainda que a empresa tomou medidas para se recuperar e que elas já estão surtindo efeito.

A divulgação do resultado da Petrobras foi considerada “um alívio” para todos que acreditam que o mercado verá a empresa com transparência, retomando a credibilidade, que foi atingida pelas denúncias de corrupção, permitindo que a petroleira volte a focar seus esforços na produção e nos investimentos. Para o Planalto, “o balanço é a superação de uma fase” e, com a publicação do dados, agora, “a Petrobras têm todas as condições de retomar seus projetos”.

Usiminas
Em destaque, a Usiminas (USIM5) informou que recebeu o mandado de citação e intimação da Terniumnotificando-a do deferimento do pedido liminar para o fim de suspender a eficácia da eleição do requeridos Lírio Albino Parisotto e Mauro Gentile Rodrigues da Cunha para a cadeira no conselho de administração da companhia.

A companhia informou que dará imediato cumprimento à referida decisão judicial.

A siderúrgica também divulgou seus números para o primeiro trimestre, revelando um prejuízo líquido de R$ 235 milhões no primeiro trimestre do ano, frente a um resultado positivo de R$ 222 milhões no mesmo período de 2014, informou nesta quinta-feira. 

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 354 milhões no período de janeiro a março, queda de 45,4% na comparação anual. Os investimentos no primeiro trimestre somaram R$ 232 milhões. A receita líquida foi de R$ 2,68 bilhões. 

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Anima 
A Anima Educação (ANIM3) informou na quarta-feira que decidiu desfazer o contrato para unir suas operações com as da norte-americana Whitney University System. 

A decisão, comum às duas empresas, ocorreu devido às mudanças impostas ao setor educacional pelo governo federal, que afetaram “as premissas e perspectivas pelas quais foram negociadas as bases estruturais da operação”, disse a Anima em comunicado ao mercado.

O governo federal mudou regras para concessão de financiamentos ao ensino superior por meio do programa Fies, impondo notas mínimas em exames prévios e limitando o total de novas vagas financiadas.

“Apesar do distrato, as partes decidiram promover um contrato de cooperação na área de ensino, a partir do qual a Whitney University System licenciará à Anima Educação os seus softwares de educação à distância e marketing”, afirmou a empresa brasileira sem dar mais detalhes.

Além disso, as instituições controladas pela Anima Educação passarão a fazer parte da Rede Ilumno, que suportará sua internacionalização, acrescentou.

A Anima pagará à Whitney University System 46 milhões de reais pelo distrato.

A companhia brasileira tinha anunciado em dezembro um acordo para unir suas operações com as da norte-americana no Brasil, incorporando à sua rede a Universidade Veiga de Almeida (UVA), no Rio de Janeiro, e o Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), em Salvador. A transação para a aquisição da Whitney no Brasil era avaliada em R$ 1,143 bilhão. 

Após ter cancelado a compra, a Anima foi elevada de manutenção para compra pelo Santander. As ações oferecem potencial de ganho de 18% após
ajuste no preço-alvo para excluir acordo com Whitney. E, de acordo com o BTG Pactual, o anúncio do cancelamento mitiga riscos de execução e deve ser bem-recebida pelos investidores. 

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Even
A Even Construtora e Incorporadora (EVEN3) teve queda de 25,3%, para R$ 254 milhões, nas vendas contratadas no primeiro trimestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado. A companhia não lançou empreendimentos no primeiro trimestre.

Segundo a Even, houve uma queda de 10% na venda de unidades remanescentes na comparação anual, enquanto o VSO (Vendas sobre Oferta), que mede a velocidade de comercialização, foi de 8,5%.

A incorporadora entregou quatro projetos no primeiro trimestre, com VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 218 milhões.

CPFL 
A CPFL (CPFE3) foi rebaixada de compra para neutra pelo BTG Pactual. Segundo os analistas do banco, sem racionamento e com uma visão positiva para a ação, o papel foi elevado para compra em janeiro, depois de ter sido afetada por expectativas negativas com relação às condições hidrológicas no Brasil.

Agora, com a melhora nas previsões hidrológicas (apesar de ser suficiente apenas para evitar o racionamento) e com um retorno acima das perspectivas, o papel registra alta e agora parece bastante valorizado, avaliam os analistas do BTG. 

Biosev
A Biosev (BSEV3) teve o rating BB-/A+ reafirmado pela Fitch Ratings, com perspectiva negativa. 

Tecnisa
A Tecnisa (TCSA3) respondeu esclarecimentos sobre a notícia veiculada pela Revista Isto É Dinheiro em 18 de abril de 2015, sob o título “Tecnisa quer fechar o capital”, a qual informou que “acionistas minoritários da Tecnisa, do empresário Meyer Nigri, estão contrariados com a possibilidade de que a construtora, negociada em bolsa desde 2007, venha a fechar o capital”.

Segundo a Tecnisa, a empresa entrou em contato com o seu acionista controlador que informou estar sempre atento às oportunidades de negócios envolvendo a companhia que surjam. “Entretanto, o acionista controlador esclareceu que, até o presente momento, não há qualquer decisão sobre a realização de eventual operação envolvendo a companhia, inclusive em relação à eventual cancelamento de registro de companhia aberta, tampouco qualquer documento assinado e vinculante”, afirmou.

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CR2
As ações da CR2 Empreendimentos Imobiliários (CRDE3) registram uma semana agitada, tendo subido 25% na segunda-feira e devolvendo parte dos ganhos hoje, com queda de 13%.

 A CR2 comunicou ter recebido correspondência de acionista titular de 19,64% do Capital Social com direito de voto, solicitando a adoção do processo de voto múltiplo para eleição dos membros que comporão o Conselho de Administração.

O processo de voto múltiplo será adotado pela companhia na Assembleia Geral Ordinária confirmada para realização em 28 de abril de 2015, às 10:30 horas, no Rio de Janeiro.

Suzano
A BNDESPar reduziu sua participação nas ações preferenciais da Suzano (SUZB5) de 16,39% para 11,38%. A venda dos papéis, de acordo com o braço de investimentos do banco de fomento, foi feita gradualmente entre 2 de outubro de 2014 e 20 de abril de 2015.

E, de acordo com informações do Valor Econômico, a Suzano Papel e Celulose realizou um ajuste em US$ 20 por tonelada de fibra curta vendida para América do Norte. Dessa forma, o novo preço será de US$ 880 por tonelada, e passa a ser válido a partir de maio. Esse mesmo reajuste havia sido feito no mês passado para a celulose de eucalipto.

ALL
A Moody’s América Latina colocou hoje os ratings corporativo e sênior sem garantia de ativos reais Ba3/A3.br da ALL em revisão para rebaixamento. O processo de revisão terá como foco a estratégia da nova gestão da empresa, seu plano de negócios revisado e a capacidade da empresa para melhorar seus indicadores de crédito nos próximos anos, informou a agência.

“A revisão dos ratings da ALL foi desencadeada pela divulgação de resultados muito fracos para o ano de 2014, como consequência de atualizações (“restatements”) e perda de valor (“impairment”) dos ativos, levando ao aumento da alavancagem e quebra de covenants, além de preocupações sobre a capacidade da empresa de melhorar seu desempenho financeiro e operacional no futuro, que hoje está abaixo do previsto”, diz o VP e analista líder da Moody’s para esta empresa, Marcos Schmidt.

“O processo de revisão terá como foco a avaliação por parte da Moody’s da estratégia da nova gestão da empresa, o plano de investimentos revisado da empresa e as estimativas para os indicadores de crédito nos próximos anos, principalmente os índices de alavancagem, perfil de dívida e geração de fluxo de caixa livre”, acrescentou Schmidt.

A Rumo Logística informou hoje a projeção para o Ebitda, estimando que atinja entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2 bilhões em 2015, crescendo posteriormente para entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,5 bilhões em 2019.

Em fato relevante divulgado nesta quinta-feira, a companhia prevê ainda investimento recorrente (Capex) entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão e investimento em expansão entre R$ 800 milhões e R$ 900 milhões para este ano. O Capex total deve ficar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,7 bilhão em 2019, segundo a companhia.

OGPar
A Óleo e Gás Participações (OGXP3) comunicou que foi aprovada no dia 31 de março de 2015, em reunião do Conselho a contratação da KMPG Auditores Independentes para auditar as demonstrações financeiras relativas ao exercício social de 2015, em substituição à PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes. A mudança de auditores se deu por questões comerciais.

A KPMG iniciará suas atividades a partir da revisão das informações trimestrais do primeiro trimestre de 2015.

(Com Reuters e Agência Estado)

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