Governo precisa aumentar estoques para intervir nos preços dos alimentos

Economista da Conab sugere aumento dos estoques para atenuar efeitos do mercado e da crise sobre o preço dos alimentos

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SÃO PAULO – O Ministério da Agricultura precisa atuar no sentido de formar estoques públicos de alimentos, para que tenha a capacidade de intervir nos preços em casos de crise. Quem faz essa avaliação é o conselheiro da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e doutor em economia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Guilherme Costa Delgado.

Delgado afirma que “a Conab não pode ser um órgão apenas declaratório, que não tem instrumentos físicos para atuar. Não se pode substituir a função de garantidor de última instância de setores sensíveis, como os alimentos. Não se pode deixar trigo, milho, arroz e feijão ao livre jogo do mercado e as pessoas sujeitas a crises”.

Aumento dos estoques

Os estoques públicos de alimentos estão, atualmente, em nível baixo. No Plano Agrícola e Pecuário 2008/2009, o governo propõe o aumento de 1,5 milhão de toneladas para 6 milhões de toneladas estocadas.

As principais aquisições seriam de arroz (1,6 milhões de toneladas) e milho (4,1 milhões de toneladas), com mais 200 mil toneladas de trigo e 100 mil de feijão.

Segundo informa a Agência Brasil, os cálculos da Conab estimam um gasto de R$ 3,8 bilhões nessa operação. Delgado ressalta, entretanto, que é preciso tratar o tema politicamente, para que no momento certo de compra a preços mais acessíveis, tanto o Ministério do Planejamento quanto o Tesouro Nacional estejam prontos para liberar os recursos. “Além dos anúncios, é preciso ter as dotações orçamentárias”, declara.

Pressão sobre o setor agrícola

O conselheiro criticou o peso colocado sobre as exportações do agronegócio como fator de equilíbrio da balança de pagamentos do País. Segundo ele, isso gera uma pressão sobre o setor, fazendo com que ele cresça a taxas elevadas, mas desequilibre a oferta de alimentos para o mercado interno.

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“Na verdade, acho que esse é o principal problema nosso. É uma equação equivocada, porque o setor primário da economia, o setor agrícola, não tem essa função estrutural de equilibrar a conta corrente”, explica Delgado.

Para ele, a conta corrente é do conjunto. “São as exportações industriais, as exportações de serviços que têm que ter uma performance mais equilibrada”.

Delgado participou, na terça-feira (5), como palestrante de um encontro promovido pela Conab para tratar de temas contemporâneos da produção agrícola nacional. Segundo Wagner Rossi, presidente da estatal, ao final do encontro, que termina nesta quarta-feira (6), será elaborado um texto com as contribuições dos participantes. O texto servirá de base para o trabalho da companhia.