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SÃO PAULO – O governo argentino anunciou as aguardadas medidas de flexibilização do congelamento dos depósitos bancários, que segundo o próprio governo, deverá atender a 78% da população. Além disso, o governo também aumentou em dois terços o limite de conversão de recursos em peso. As medidas de flexibilização foram divulgadas aos poucos, no que o governo do país chamou de desarme da bomba que poderia implodir o sistema financeiro na Argentina. Limites mais altos e o que pode representar o início da pesificação total da economia compuseram o anúncio da equipe econômica.
Governo divulga afrouxamento no confisco de depósitos
O vice-ministro da Economia, Jorge Todesca, anunciou que os depósitos por prazos fixos de até US$ 5.000 poderão ser convertidos voluntariamente em peso no câmbio fixo de P$ 1,40 e já podem entrar na economia através do pagamento eletrônico ou cheques. Antes este limite era de US$ 3.000. Com o aumento de dois terços do limite de conversão, o governo ampliou para até P$ 7.000 pesos o saldo para movimentação.
Além disso, para quem converter os depósitos em pesos do excedente do limite de saques de P$ 1.500 poderá aplicá-lo no sistema financeiro, sendo que o governo estipulou em US$ 10.000 o limite de conversão dos depósitos em dólares para pesos. A medida envolve aplicações em renda fixa, por exemplo, com rendimentos em dólares e que antes não poderiam ser movimentados.
Liquidez deve aumentar consideravelmente
Os correntistas que preferirem manter seus depósitos em dólares poderão fazê-lo, mas terão de seguir o cronograma do governo para a devolução do dinheiro, que deve iniciar somente em janeiro de 2003. Por outro lado, a adesão total dos argentinos às novas medidas poderá ampliara significativamente a liquidez do sistema financeiro do país. Atualmente, o total de dinheiro em circulação no mercado argentino é estimado em P$ 20 bilhões e deverá passar para algo entre P$ 36 bilhões e P$ 38 bilhões.
O governo teve de enxugar a liquidez do mercado para conter a sangria dos depósitos bancários no país, que no ano passado registrou a retirada de dinheiro dos bancos a elevadas taxas, gerando uma saída líquida de US$ 18 bilhões. A restrição da liquidez evita que haja uma onda de falência nos bancos do país, que causaria despesas ainda maiores para a reconstrução de todo o setor.