Publicidade
SÃO PAULO – A decisão do governo de reduzir de 6% para 0% a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrado para estrangeiros na renda fixa brasileira, anunciada na noite de terça-feira (4), impactou o câmbio nesta quarta (5), mas muito rapidamente. No começo das negociações, o dólar comercial registrava queda de 1,57%, cotado a R$ 2,0947 na compra e R$ 2,0954 na venda. O primeiro movimento de queda no início da sessão gerou uma série de “stop loss”, derrubando a cotação.
Porém, este movimento durou pouco. Às 11h29 (horário de Brasília), a moeda norte-americana apresentou recuperação, e virou para alta de 0,178%, a R$ 2,1315 na compra e R$ 2,1327 na compra.
A medida de redução do IOF conseguirá aliviar a pressão do dólar, ressalta a LCA Consultores, mas tem suas limitações. Como o aumento do fluxo de capital de curtíssimo prazo não melhora o padrão de financiamento externo sobre o Brasil e, assim, não terá efeito sobre o risco Brasil, cujo aumento anula parte da expansão do diferencial de juros que se seguiu à alta da Selic. Com o risco Brasil mais alto, a expectativa é que saiam investidores estrangeiros do País, diminuindo assim um possível fluxo de investidores com a alta da taxa básica de juros.
A LCA avalia que a intervenção do Banco Central, ora vendendo swaps cambiais, ora comentando a cotação da moeda norte-americana, aumentou a volatilidade da taxa de câmbio. O anúncio da Fazenda de acabar com o IOF sobre aplicações de estrangeiros no mercado de renda fixa local manterá o padrão, pelo menos por enquanto.
“Contávamos que, em algum momento, uma medida desta natureza fosse tomada – e, claro, não estávamos sozinhos nesta aposta. O cenário desafiador para a inflação força o governo a agir contra a tendência de depreciação cambial, apesar dos fundamentos apontarem na direção de alguma alta da taxa de câmbio”, avaliam os economistas da consultoria.
Novas medidas podem vir
Já a cobrança de IOF sobre posições vendidas em derivativos foi mantida. As chances do governo se ver forçado a acabar com esta cobrança aumentarão à medida que o dólar continue se apreciando no mercado internacional, o que seria coerente com o vigor da recuperação da economia americana e com o aumento do risco Brasil, afirmam.
Continua depois da publicidade
Assim, a LCA mantém a projeção do dólar a R$ 2,025 no final do ano e destacam que, ao longo de 2013, o mercado testará o governo novamente, pressionando a taxa de câmbio e complicando o cenário para a inflação. Com isso, o governo será instado a tomar mais medidas frente à regulamentação do mercado de câmbio ou a intervir mais pesadamente no mercado, destacam os economistas.
“O mesmo governo que tanto fez para depreciar o Real ao longo do ano passado tem à frente agora um quadro muito mais desafiador para a inflação”, aponta. Contudo, a combinação de todos estes fatores é que a volatilidade da taxa de câmbio continuará alta, mas a tendência de alta da taxa será freada com um conjunto de medidas que provavelmente não se esgotou com o anúncio de ontem.