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Governo de MG dá passo para privatizar Copasa; Petrobras fará oferta de títulos globais, Fitch rebaixa Oi e mais

Confira os destaques do noticiário corporativo na sessão desta quarta-feira (27)

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O noticiário corporativo tem como destaque a notícia de que o governo de Minas autorizou o BNDES a consultar contratação de serviço para privatizar Copasa.

As empresas do segmento de proteína são os destaques do noticiário corporativo desta quarta-feira. A Marfrig se uniu à americana ADR para criar a PlantPlusFoods, que irá explorar o segmento de carnes vegetais. A expectativa é que esse mercado tenha um potencial de movimentar US$ 2 bilhões na América do Norte e América do Sul.

E a temporada de balanços prossegue, mostrando os primeiros impactos da pandemia do coronavírus na atividade das empresas.

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A administradora de shoppings Iguatemi registrou no primeiro trimestre do ano um lucro líquido de R$ 12,45 milhões, queda de 77,5% ante igual período do ano passado. Já a Stone, que possui capital aberto nos Estados Unidos, viu seu lucro ajustado recuar 12,9%, para R$ 162,3 milhões.

Arezzo (ARZZ3), C&A (CEAB3) e Rumo (RAIL3) divulgam seus resultados após o fechamento dos mercados.

Confira no que ficar de olho na sessão:

Copasa (CSMG3)

O Governo de Minas Gerais deu um passo no processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

A companhia estatal informou que recebeu ofício da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico autorizando a realização de consulta ao mercado visando à contratação de serviços técnicos necessários à estruturação e implementação do processo de desestatização da Copasa, segundo comunicado. A Copasa diz que manterá o mercado informado a respeito dos desdobramentos do assunto.

Contudo, de acordo com o Itaú BBA, a privatização é improvável, dada a falta de apoio político: o governo de MG teria que ter 60% dos votos de deputados para eliminar a exigência constitucional de realizar um referendo para aprovar a privatização. “Acreditamos que ele não tem apoio político suficiente”, avaliam os analistas.

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O banco também aponta que a aprovação da lei de saneamento é crucial para a privatização da Copasa: “esperamos que a lei de saneamento seja aprovada no Senado nas próximas semanas”.

Na mesma linha, a XP Investimentos também aponta que considera muito remota a possibilidade de privatização da companhia. “O motivo é que tal processo depende de (i) aprovação do novo marco regulatório de saneamento básico (PL 4162/2019), (ii) alterações na constituição estadual de Minas Gerais para autorizar processos de privatização e (iii) alterações em cláusulas do contrato mais relevante da Copasa (Belo Horizonte) que afirmam explicitamente que sua validade depende da manutenção da Copasa sob controle estatal”, afirma.

O Credit Suisse, por sua vez, aponta que a notícia é obviamente como positiva e abre espaço para que a empresa pode esteja com um estudo pronto ou bem encaminhado no momento que o PL do Saneamento seja aprovado.

“Muitos investidores acreditavam que este assunto estava “engavetado” e o sinal nos parece bastante positivo, não só para a Copasa, mas para potencialmente outros ativos. De toda forma, acreditamos que pode demorar algum tempo e depende de vários fatores”, apontam os analistas do banco.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras anunciou nesta quarta-feira que irá fazer uma oferta de títulos no mercado externo por meio da subsidiária Petrobras Global Finance B.V..

Em comunicado, a Petrobras não detalha prazo ou valores, mas afirma que os “títulos serão emitidos com garantia total e incondicional da Petrobras”.

Os coordenadores da oferta são BNP Paribas Securities, BofA, Itau BBA, J.P. Morgan Securities, Scotia Capital e SMBC Nikko Securities Americas.

Vale (VALE3)

A Vale afirmou, em fato relevante divulgado nesta quarta-feira, que apresentará sua defesa na ação da Justiça mineira que exige da mineradora garantias de R$ 7,932 bilhões em processo do desastre de Brumadinho (MG).

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Em ação, o Ministério Público de Minas Gerais entende que os funcionários da mineradora atuaram para dificultar a atividade de órgãos público de fiscalização em Brumadinho.

Na terça-feira, a 1ª Vara Cível, Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Brumadinho deferiu parcialmente o pedido de liminar do MPMG, e pediu que a Vale apresente em até dez dias garantias no valor de R$ 7,932 milhões a “fim de garantir eventual aplicação de sanção de multa ou perdimento de bens, direitos e valores”.

No entendimento dos analistas do Morgan Stanley, a Vale pode recorrer da decisão em segunda instância. “Embora as notícias de hoje provavelmente pesem sobre as ações da Vale hoje, achamos que o pior cenário já está precificado nas ações”, disseram. Essa penalidade, nos termos da lei anticorrupção, seria de 20% das receitas em 2018, o que daria aproximadamente US$ 7 bilhões.

Marfrig (MRFG3)

A processadora de carnes Marfrig e a empresa de nutrição americana ADM anunciaram, na terça-feira à noite, uma parceria para a criação da PlantPlusFoods, “joint venture” que atuará na produção e comercialização de produtos de base vegetal.

A Marfrig ficará com 70% da nova companhia e será responsável pela produção, venda e distribuição da PlantPlusFoods. A ADM ficará com 30% da empresa.

A expectativa é que a empresa atue no varejo e segmento de “food service” (voltado para alimentação fora do lar) nos mercados da América do Sul e América do Norte. Segundo informações do “Valor Econômico”, a ADM informou que esses dois mercados têm um potencial de US$ 2 bilhões.

As duas empresas já atuaram juntas no desenvolvimento de produtos, como os hambúrgueres Rebel Whopper, do Burger King, e o Aussie Plant Burger, do Outback Steakhouse.

Na avaliação dos analistas do Bradesco BBI, a parceria está alinhada à estratégia da Marfrig de aumentar a exposição a alimentos processados. No entanto, destacou que faltam detalhes sobre a criação da nova empresa. A recomendação para os papéis da empresa segue como neutra.

JBS (JBSS3)

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A Justiça decidiu que os irmãos Joesley e Wesley Batista podem voltar a ocupar cargos executivos na J&F, holding que controla a JBS. Eles estão afastados desde 2017.

A decisão foi anunciada na terça-feira à noite pela Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entre os motivos que justificam o fim da proibição, está o acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões assumido pela J&F.

Cosan (CSAN3)

No radar de recomendações, a Cosan teve a recomendação reduzida a manutenção pelo HSBC, com preço-alvo de R$ 66.

Rumo (RAIL3)

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou, na terça-feira, a prorrogação da concessão da Malha Paulista, administrada pela Rumo. A assinatura do contrato irá ocorrer nesta quarta-feira.

A outorga a ser paga é de R$ 2,9 bilhões e os investimentos devem chegar a R$ 6 bilhões.
Os analistas do Bradesco BBI acreditam que a Rumo irá agora se concentrar na renovação do contrato da Malha Norte. “Com a conclusão da renovação da concessão da Malha Paulista, a Rumo agora pode conseguir a aprovação para a extensão da Malha Norte até Lucas do Rio Verde.”

Iguatemi (IGTA3)

A administradora de shoppings Iguatemi registrou no primeiro trimestre do ano um lucro líquido de R$ 12,45 milhões, queda de 77,5% ante igual periódo do ano passado. O resultado reflete a pandemia do coronavírus, que levou ao fechamento de shoppings e aumento da inadimplência. A empresa suspendeu os “guidances” (projeções) para 2020.

A receita líquida ficou em R$ 156,8 milhões, queda de 9,4% na mesma base de comparação. Já o Ebitda somou R$ 102,9 milhões, recuo de 20,5%. Já a margem Ebitda caiu para 65,6% entre janeiro e março de 2020, ante 74,8% nos primeiros três meses do ano passado.

A companhia informou ainda que vai emitir R$ 300 milhões em debêntures.

Os analistas do Itaú BBA viram esses resultados como neutros e destacou a postura conservadora da empresa. “Não vemos isso como uma surpresa negativa, dado que as empresas de shopping centers precisarão, eventualmente, reconhecer um índice de para aluguéis não pagos, devido a maiores inadimplências decorrentes da crise da Covid-19”, disseram em relatório a clientes.

Também no radar da companhia, ela informou que retomará a operação do Shopping Center Iguatemi Brasília, em horário reduzido, das 13h às 21h.

Multiplan (MULT3)

A administradora de shoppings Multiplan anunciou na terça-feira à noite a retomada da operação do Park Shopping, em Brasília (DF), a partir desta quarta-feira.

A reabertura se dará em horário reduzido, das 13h às 21h, com base no decreto do Distrito Federal.

Stone 

A Stone, empresa de meio de pagamento listada na Nasdaq, divulgou que seu lucro ajustado no primeiro trimestre do ano foi de R$ 162,3 milhões, queda de 12,9%. O recuo no resultado já reflete as medidas para lidar com os impactos da pandemia do novo coronavírus.

Esse impacto no primeiro trimestre ficou em R$ 61 milhões, sendo R$ 35,8 milhões em despesas financeiras e R$ 25,2 milhões em ajuda financeira a clientes e inadimplência.

A companhia, que possui capital aberto nos Estados Unidos, anunciou que apesar da queda do volume das operações em março, os montantes voltaram a subir (9% em abril e 22,9% em maio até o dia 26).

Os analistas do Bradesco BBI viram com cautela essa recuperação, uma vez que a empresa demitiu 20% de sua equipe no início deste mês. “Nós tememos na expectativa de uma deterioração no segmento de pequenas e médias, com muitos comerciantes fechando as portas entre junho e julho, o que pesaria sobre o volume total de pagamentos”, disseram em relatórios a clientes.

Dado o cenário de incerteza, os analistas do Itaú BBA reforçar a importância das informações diárias sobre o mercado de meios de pagamento. “Nesse contexto, a Cielo fornece informações diárias sobre o ICVA (Índice Cielo do Varejo Ampliado), com detalhamentos interessantes por setor. Esperamos que essas informações ajudem os investidores a prever melhor o desempenho do volume da PagSeguro, Stone e Cielo nos próximos trimestres”, explicaram.

Portobello (PTBL3)

A fabricante de revestimentos cerâmicos Portobello registrou um lucro líquido de R$ 21,678 milhões no primeiro trimestre do ano, ante prejuízo de R$ 17,209 milhões nos primeiros três meses de 2019.

A receita líquida atingiu R$ 274,2 milhões, alta de 15% na mesma base de comparação e recorde para o período, apesar da empresa ter sido afetada pelo recuo das vendas na segunda quinzena de março.

Já o Ebitda passou de R$ 2,735 milhões para R$ 36,028 milhões na mesma passa de comparação. A margem passou de 1% para 13%.

Guararapes (GUAR3)

A Guararapes, controladora da Riachuelo, tomou ciência do deferimento pela Receita Federal do pedido de habilitação de crédito tributário no valor de R$ 140,9 milhões, disse a companhia em comunicado.

O anúncio ocorre após decisão judicial transitada em julgado oriunda de ação em que discutiu a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme tese adotada pelo STF em
caráter de repercussão geral.

Wiz (WIZS3)

O acionista controlador da Wiz, CNP Assurances, foi absolvido pela CVM. O processo foi instaurado pela
Superintendência de Relações com Empresas da autarquia para apurar a responsabilidade de CNP Assurances, na qualidade de acionista controladora da Wiz, por ter oferecido à Caixa Seguridade a formação de uma joint venture, desconsiderando os impactos que teria sobre a Wiz, segundo nota da CVM.

Após análise do caso, o presidente da CVM, Marcelo Barbosa, relator do processo, votou pela absolvição de CNP Assurances, sendo acompanhado, na integralidade, pela diretora Flávia Perlingeiro.

O diretor Gustavo Gonzalez apresentou manifestação acompanhando as conclusões do relator e tecendo considerações acerca da matéria.

Oi (OIBR3;OIBR4)

A Oi foi rebaixada de B- para CCC+ pela agência de classificação Fitch. O rebaixamento reflete fracas tendências operacionais da empresa e deterioração do ambiente operacional brasileiro, o que dificultará o retorno da Oi ao crescimento, diz a agência.

Embora a empresa tenha liquidez adequada em 2020, modelo de negócios e o desempenho financeiro são insustentáveis em relação aos requisitos de capex e serviço da dívida em 2022 e além, diz
a agência.

Fleury (FLRY3)

O Grupo Fleury informou que desenvolveu, por meio da sua área de Pesquisa e Desenvolvimento  um novo teste diagnóstico inédito no mundo para a COVID-19.

“O novo teste para COVID-19 está baseado no método de proteômica direcionado por espectrometria de massas, tecnologia já utilizada há quase 20 anos no Grupo Fleury, e analisará proteínas do novo coronavírus diretamente de amostras clínicas do trato respiratório”, afirma a companhia em comunicado.

Segundo o grupo, o novo teste passa a ser uma alternativa para falta de insumos do teste RT-PCR, considerado padrão-ouro, possibilitando mais rapidez no processamento, menor custo e garantindo uma maior estabilidade de amostras, que podem ser transportadas em temperatura ambiente, tornando-se uma melhor alternativa para ampliar o acesso ao teste em regiões mais remotas.

O novo teste para COVID-19 baseado no método de proteômica já está disponível por meio do segmento de Laboratório de Referência para hospitais, laboratórios e clínicas em regiões distantes dos grandes centros do País.

IRB Brasil (IRBR3)

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu dois inquéritos para investigar possíveis irregularidades envolvendo a IRB Brasil.

O primeiro envolve suposto conflito de interesse envolvendo a Squadra Investimentos. Já o segundo inquérito tem origem em suspeitas levantadas pela Squadra sobre a conformidade das demonstrações financeiras do IRB.

Triunfo Participações (TPIS3)

A Triunfo Participações informou, na terça-feira à noite, que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) foi favorável ao pedido de relicitação de Viracopos apresentado pela Aeroportos Brasil Viracopos, que é responsável pela administração do aeroporto em Campinas (SP).

O processo foi remetido ao Ministério da Infraestrutura, “que se posicionará sobre a compatibilidade da relicitação com as políticas públicas formuladas para o setor”.

Aneel e distribuidoras

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a abertura, na terça-feira, de uma audiência pública para discutir auxílios de curto prazo às distribuidoras de energia que estão sendo afetadas pela pandemia do coronavírus.

O empréstimo ao setor está estimado em R$ 15,8 bilhões. O valor leva em conta queda no volume das vendas e aumento da inadimplência.

“Assumindo que os cálculos da Aneel estão corretos, o impacto direto no valor das ações será em média 5% menor que a capitalização de mercado pré-Covid”, explicaram os analistas do Bradesco BBI.

Eles ressaltaram, no entanto, que as medidas propostas na fase inicial da audiência pública visam apenas a preservação da cadeia de pagamentos do setor. No entanto, viram como positivo os comentários da Aneel sobre uma revisão extraordinária de tarifas.

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(Com Bloomberg e Agência Estado)