Governo da Hungria assusta mercado ao comparar país com a Grécia

Déficit fiscal deve ficar em 7,5% do PIB neste ano; comparação com Grécia pode ser só política, mas preocupa, afirma banco

Publicidade

SÃO PAULO – Não são apenas os PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, na sigla em inglês) a preocuparem os mercados europeus. Embora os problemas do grupo tenham ocupado as manchetes nos últimos meses, os temores acerca de outros países periféricos da União Europeia continuam impressionando o Velho Continente.

Nesta quinta-feira (3), quem volta ao noticiário é a Hungria, com as declarações do Secretário de Estados, Mihaly Varga, de que o déficit orçamentário pode atingir entre 7% e 7,5% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.

A próxima Grécia…
Além de Varga, Lajos Kosa, líder do partido Fidesz (que atualmente ocupa o governo da Hungria), comparou a situação do país com a da Grécia. De acordo com a mídia local, ele teria afirmado que as condições fiscais estão piores do que o imaginado e há apenas uma pequena chance de evitar um cenário como o grego.

Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia informou ao país que é necessário cortar o déficit fiscal mais rápido. Vale lembrar que quando o partido assumiu o poder, prometeu cortes de impostos para elevar o crescimento.

Esta é a mesma Hungria que, em outubro de 2008, recebeu um crédito conjunto de € 20 bilhões da União Europeia, do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial.

… ou será apenas encenação política?
“A questão fundamental na nossa opinião é se os comentários de Kosa são destinados apenas a estimular o eleitorado húngaro a aceitar os planos do Fidesz de renegar suas promessas eleitorais de afrouxar a política fiscal, ou se são apenas um político sendo honesto”, questionam os analistas do Danske Bank, em nota.

Continua depois da publicidade

“De maneira geral, o fluxo de notícias húngaro é bastante preocupante e mesmo que a retórica negativa seja ‘apenas política’, nós alertamos que mais notícias ruins podem aparecer. A comparação com a Grécia pode ser exagerada, mas dificilmente podemos dizer que as finanças públicas estão em boa forma na Hungria”, respondem.