Estagnação

Governo corta projeção do PIB do Brasil de alta de 2,1% para estabilidade em 2020 por coronavírus

A nova previsão foi divulgada nesta sexta-feira (20) por meio do relatório de receitas e despesas do Orçamento de 2020

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Logo após a aprovação do estado de calamidade pública e menos de dez dias após a revisão da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, para 2,1%, ocorrida em 11 de março, o governo reduziu para praticamente zero a projeção de crescimento da economia, por conta dos efeitos da pandemia de coronavírus. Agora, a expectativa é de uma leve variação de 0,02%.

A nova previsão foi divulgada nesta sexta-feira (20) por meio do relatório de receitas e despesas do Orçamento de 2020. Na semana passada, o mercado estimou uma alta de 1,68% para o PIB deste ano, segundo pesquisa conduzida pelo Banco Central e divulgada na segunda-feira.

Contudo, o governo divulgou contas ultrapassadas para o Orçamento de 2020.  A calamidade pública permite a suspensão do cumprimento da meta fiscal. Por isso, no primeiro relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas do Orçamento, o governo optou divulgar números defasados e projeções velhas, que levam em consideração um crescimento do PIB de 2,1% em 2020, que já se sabe não vai acontecer.

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Mesmo com esses dados ultrapassados, o governo aponta já um rombo inicial de R$ 161,623 bilhões. apontando um necessidade inicial de bloqueio das contas públicas de R$ 37,553 bilhões para o cumprimento da meta de R$ 124,1bilhões.

Com a calamidade reconhecida pelo Congresso, o governo não precisará mais fazer o bloqueio de despesas.Pelos dados do Orçamento, o governo previu uma queda de R$ 32,728 bilhões de receitas e aumento de R$ 6,330 bilhões de despesas.

Diante da paralisação das atividades econômicas por causa da pandemia do coronavírus, bancos e consultorias já consideram a possibilidade de haver uma recessão global neste ano. O Itaú BBA cortou a previsão do PIB do Brasil de alta de 1,8% para queda de 0,7%. O JP Morgan passou a prever, na quarta-feira, um PIB global de -1,1% em 2020, além de uma recessão de 1,5% para os Estados Unidos. Caso esse cenário se confirme, será o pior resultado da economia mundial desde 2009, quando recuou 1,7%.

O Wells Fargo, quarto maior banco americano, ainda projeta crescimento para a economia mundial, mas revisou seu número para 1%.

A consultoria brasileira MB Associados tem como estimativa uma alta de 1,7%. “Um PIB global abaixo de 3%, em geral, já é considerado recessivo. Inferior a 2,5% causa muita preocupação”, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB.

Os dados divulgados nesta semana por Pequim reforçaram a teoria de que a economia mundial vai desacelerar bruscamente em decorrência do coronavírus. Responsável por cerca de 20% do PIB global, a China informou que sua produção industrial caiu 13,5% no primeiro bimestre na comparação com o mesmo período de 2019 (primeira retração em 30 anos) e que as vendas no varejo recuaram 20,5%.

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(Com Agência Estado)

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