Leilão

Governo adiará leilão do trem-bala se grupos garantirem presença

Representantes de consórcios espanhol e alemão serão consultados sobre participação caso prazo para formular propostas for extendido

Por  Reuters

BRASÍLIA – O governo consultará ainda nesta semana representantes dos consórcios da Espanha e da Alemanha para saber se entrarão na disputa do leilão do trem-bala se houver mais prazo para formularem suas propostas, disse uma fonte do governo nesta quarta-feira.

Se o governo tiver uma confirmação da participação dos dois grupos, o leilão será adiado para alguma data até o final deste ano, afirmou a fonte.

O objetivo é garantir competição pelo projeto já que atualmente apenas um consórcio da França tem confirmação nos bastidores de que apresentará proposta no prazo atual para a entrega dos envelopes, marcado para o próximo dia 16.

Os espanhóis, que, juntamente com os franceses, são os que mais vinham demonstrando interesse no projeto há meses, pediram formalmente nesta semana que o governo adie o leilão para que eles tenham mais tempo para analisar alguns aspectos econômicos do edital.

Segundo a fonte, os espanhóis também querem mais tempo para conseguir garantias de que, se apresentarem proposta, não serão barrados pelo governo brasileiro devido a uma cláusula do edital que veta a participação de operadores envolvidos em acidentes fatais em linhas de alta velocidade nos últimos cinco anos.

Há cerca de duas semanas, um acidente com mais de 70 mortos em uma linha da estatal espanhola Renfe , uma das potenciais integrantes do consórcio espanhol, levantou dúvidas sobre a participação da Espanha no leilão brasileiro.

O ministro dos Transportes, César Borges, porém, já disse publicamente que o acidente não teria ocorrido em uma linha de alta velocidade, o que permitiria a inscrição do consórcio espanhol.

Persiste ainda entre os espanhóis, porém, o receio de que uma eventual participação na disputa leve o caso para a Justiça.

Já os alemães deram fortes sinais recentes – inclusive com a intermediação do governo da Alemanha – de que querem entrar na disputa, mas precisariam de mais prazo.

O governo pretende, então, dar a espanhóis e alemães a oportunidade de confirmarem se entram no leilão se tiverem mais tempo.

Se a resposta for afirmativa, a tendência é de ser feito um adiamento não muito curto, no máximo até o fim do ano, para assegurar três participantes no leilão (Espanha, Alemanha e França).

Se, porém, nem Alemanha e nem Espanha derem sinais claros de que pretendem se inscrever com o prazo dilatado, não está descartada a possibilidade de se manter o calendário atual, já que pelo menos os franceses têm dado garantias de que conseguem entregar uma proposta na semana que vem.

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