Levantamento

Golpes com criptomoedas dão prejuízo de US$ 7,7 bilhões em 2021, crescimento de 81%

37% das criptomoedas roubadas no ano estão ligadas a golpes em projetos DeFi

Por  Paulo Alves

Usuários de criptomoedas tiveram um prejuízo calculado em US$ 7,7 bilhões em 2021 causado por diversos tipos de golpes online, aponta um novo relatório da Chainalysis, empresa de inteligência especializada em blockchain, divulgado ontem (16).

O montante é 81% maior do que o registrado no ano passado, quando o volume desviado ficou na casa dos US$ 4,35 bilhões. Por outro lado, o número deste ano ainda é menor do que o de 2019, que segue como o pior ano para golpes em criptomoedas com quase US$ 10 bilhões transferidos de forma fraudulenta para carteiras de criminosos.

Uma empresa de origem russa chamada Finiko, acusada de ser uma pirâmide financeira, é considerado o maior golpe de 2021 após supostamente sumir com US$ 1,1 bilhão em criptomoedas. As vítimas estão espalhadas por diversos países do Leste europeu.

O ano de 2021 também ficou marcado pela ascensão do golpe conhecido como rug pull, ou puxada de tapete, típico de projetos de finanças descentralizadas (DeFi). De acordo com a Chainalysis, esse tipo de golpe foi responsável por roubar US$ 2,8 bilhões de investidores que alocaram criptomoedas em diferentes produtos de rendimento (staking) DeFi, o equivalente a 37% das fraudes no ano – em 2019, a fatia do DeFi era de apenas 1%.

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2021 é o segundo ano com maior volume de criptomoedas roubadas, mas tem a preponderância até aqui em fraudes DeFi (Reprodução/Chainalysis)

O golpe da puxada de tapete consiste na ação do próprio criador do protocolo DeFi, em geral anônimo, que ativa um gatilho no contrato inteligente para transferir as criptomoedas dos investidores para sua própria carteira. Em seguida, ele apaga todos os vestígios do projeto nas redes sociais, como contas no Twitter e Telegram, e some completamente do mapa.

Em geral, as criptomoedas roubadas são transferidas rapidamente para corretoras para liquidar os ativos em troca de moeda fiduciária, como o dólar ou o real. No entanto, uma porção também pode ser “lavada” em serviços online que misturam transferências entre diversas carteiras para esconder a origem do roubo – caso contrário, seria possível identificar o passo a passo dos criptoativos até serem convertidas em dinheiro.

O crescimento dos golpes em DeFi está ligado ao aumento exponencial da adoção de soluções de finanças descentralizadas em 2021. Segundo o agregador de dados DeFi Llama, o valor investido em protocolos DeFi saltou de US$ 21,95 bilhões em 1º de janeiro para US$ 275,1 bilhões em 1º de dezembro – disparada, portanto, de 12,5 vezes.

Apesar do aumento significativo de criptomoedas roubadas por golpistas no ano, a Chainalysis aponta que o tempo de vida das fraudes segue em queda. Com exceção de um leve crescimento em 2019, golpes duram menos dias a cada ano: de quase 2.400 dias em 2013 para apenas 70 dias em 2021, em média.

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