Goldman: Siderúrgicas têm resultado fraco e medidas comerciais não devem animar

Rentabilidade ficou comprometida no semestre e não deve melhorar nos próximos meses

Erick Souza

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Linha de produção em uma planta de laminação a quente. REUTERS/Aly Song
Linha de produção em uma planta de laminação a quente. REUTERS/Aly Song

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A Gerdau (GGBR4) e a Usiminas (USIM5) divulgaram resultados fracos no quarto trimestre de 2025. Como já era esperado pelo mercado, a rentabilidade no Brasil foi fraca, impactada por volumes menores e preços mais baixos. De acordo com o Goldman Sachs, o cenário é ruim hoje e as perspectivas de melhora não são diferentes.

Conforme os analistas, a recuperação da rentabilidade do aço brasileiro tem pouco espaço de ação. Para o banco, as medidas antidumping não devem ser suficientes para limitar as importações a um nível relevante e sustentar o aumento de preços. Ao mesmo tempo, os custos devem continuar pressionando as margens.

A estimativa do banco é de que a inflação de custos deva ganhar força, seguindo a tendência dos preços do carvão metalúrgico. Desde as mínimas do 4T25, os preços subiram cerca de 20%. Mesmo com a melhora sazonal na demanda, apoiada por algumas barreiras comerciais, os reajustes de preços do aço não foram implementados. Além disso, a demanda fraca surpreendeu até os padrões do período, caindo mais que o esperado.

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Importações e distribuidores de aço

Outro fator que tem pressionado os resultados são as importações. Atualmente, com base nos dados de janeiro, as importações representam 22% do consumo total de aço no Brasil. De acordo com o relatório, o redirecionamento de fluxos comerciais e o aumento das exportações de outras regiões para o Brasil tem limitado a recuperação do setor.

Com os estoques em alta e as incertezas com o cenário macroeconômico e a chegada das eleições deste ano, as margens devem seguir pressionadas ao logo de todo o primeiro semestre.

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Com o real mais forte, os analistas acreditam que as importações permaneçam elevadas, com os estoques dos distribuidores chegando a 3,8 meses. De acordo com o banco, esse é o maior nível já registrado para o mês de janeiro. Há uma expectativa de que os embarques também caiam, a cerca de 4%, o que poderia implicar em uma queda de 10% em relação à média dos dois primeiros meses de 2025.

Em janeiro, as importações totais de aço caíram 3% ao ano em janeiro. Por outro lado, na comparação mensal, a alta chegou a 21%, impulsionadas por maiores importações de aço plano. O consumo aparente de aço (equivalente a produção local + importações – exportações) no Brasil caiu. Para produtos planos, a queda foi de 2% ao ano; para produtos longos, 11%.