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SÃO PAULO – Em 2010, o Ibovespa acumula alta de cerca de 3%, embora outras 30 ações, das 117 que têm média de negociação diária superior a US$ 500 mil, mostrem valorização positiva, no mesmo período, superior a 25%. Deste grupo, ativos ligados ao consumo interno, como do setor de varejo, são os “top performers”.
Por esta lógica, o mercado brasileiro apresenta uma gama extensa de papéis com bom potencial de valorização, estruturados pelas perspectivas favoráveis para o Brasil, como para o Ibovespa em 2010 e 2011. É de olho nestes ativos que Stephen Graham, analista do Goldman Sachs, sugere ao investidor diversificar – “é hora de uma rotação setorial”.
Graham sugere que o investidor se afaste das varejistas e monitore com mais apreço os setores de commodities, serviços financeiros, construtoras residenciais e empresas de transportes. “As ações de commodities devem brilhar enquanto os bancos centrais dos mercados desenvolvidos concedem um contínuo fluxo de liquidez”, aponta o analista, o que fortalece diretamente os preços das matérias-primas e o crescimento dos mercados emergentes de maneira indireta.
Ressalta-se que o setor siderúrgico fica de fora, por causa da pressão nos preços domésticos causadas pelo aumento da importação de aço e também porque não há perspectiva de estreitamento visível entre oferta e demanda pelo produto. Por último, como o aço é um intermediário, as margens ficam apertadas quando há aumento do carvão e do minério de ferro.
Dito isso, apesar do efeito benéfico que o excesso de liquidez e a expectativa de uma segunda rodada de afrouxamento quantitativo nos EUA têm sobre os preços das commodities, o setor está repleto de papéis que ficaram para trás. Por isso, as ações do setor estão “fadadas a andar”, declara o Goldman Sachs, que tem recomendação de compra para Petrobras, OGX, Vale, Fibria, Suzano e Minerva.
Stock picking
Outra recomendação do Goldman Sachs diz respeito aos “atrasados” dentro de determinados setores, independentemente da perfomance desse grupo, já que as diferenças de performances são notáveis. Os destaques nesse campo ficam com GP Investments, Cielo, Even e Vivo, que devem impulsionar o “retorno da carteira” caso o rali previsto pelo Goldman Sachs se concretize.
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Até o final do ano, Graham espera que o Ibovespa alcance os 78 mil pontos. Nesse caso, uma ressalva é feita com os setores de telecomunicações e serviços públicos defensivos (energia elétrica e saneamento), que podem não acompanhar o desempenho de um mercado forte.
Setor financeiro
Os analistas do setor bancário brasileiro esperam, aponta o Goldman Sachs, que o crescimento médio dos lucros do setor seja de 39% em 2010 e 31% em 2011, mais do que devem apresentar a maioria das ações de consumo. Embora enfrentem riscos diferentes, os múltiplos dos dois segmentos também apresentam uma diferença considerada excessiva pela instituição, com estimativa de relação entre preço e lucro para 2010 de 38.1 para as varejistas, enquanto os bancos são negociados a 11.8.
O valuation também não é desproporcional aos pares estrangeiros, considera o Goldman Sachs, caso sejam considerados os balanços robustos das instituições brasileiras, a competição relativamente contida, o alto retorno sobre ativos e o potencial de expansão em uma sociedade com ainda pouco acesso a bancos.
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Construtoras imobiliárias
Para as construtoras residenciais, o otimismo do Goldman Sachs é pujante e derivado de uma séria de fatores. Apesar do rali recente, os papéis têm alta apenas moderada acumulada no ano, de cerca de 8%. Para o quarto trimestre, mesmo com o período forte de comparação que foi o último trimestre de 2009, é esperado um salto de 58% das receitas e de 16% em vendas de novas unidades.
“Em outras palavras, as construtoras imobiliárias estão bombando”, diz Graham, que considera os atuais múltiplos conservativos para um setor que não está no pico de crescimento de um ciclo. Como evidência, o banco mostra que a proporção entre hipotecas e PIB (Produto Interno Bruto) é de apenas 4%, uma das menores entre as grandes economias.
Por fim, o aumento da poupança no País, com R$ 4,8 bilhões em depósitos em setembro, favorece o financiamento do setor, já que 65% desse volume é destinado a empréstimos imobiliários. Além disso, ativos securitizados lastrados em hipotecas apenas começam a ganhar corpo, já que as contrutoras estão vendendo recebíveis para os bancos e o governo já sinalizou intenção de desenvolver e abrir para o investidor estrangeiro esse mercado.
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Transportes e setores diversificados
Nesse segmento, há um grande número de ações atrasadas dentro de um grupo que o Goldman Sachs vê como companhias de alta qualidade. Entre os exemplos, fica a Totvs (TOTS3), que domina o espaço para fabricação de softwares para administração de pequenos e médios negócios. Ou a Embraer (EMBR3), que lidera a produção global de jatos regionais. A CCR (CCRO3) é citada como a maior operadora de concessões rodoviárias, enquanto a ALL é a a maior ferrovia. TAM (TAMM4) e Gol (GOLL4), juntas, detêm 80% do tráfego doméstico, que aumentou 27% na comparação anual. A Positivo (POSI3) é líder na fabricação de computadores, enquanto o Fleury (FLRY3) é uma das maiores redes de laboratórios clínicos do País, ao lado da Dasa (DASA3).
Embora não constituam um setor homogêneo, diz o banco, alguns desses papéis parecem ignorados, enquanto em muitos casos devem mostrar crescimento semelhante ao festejado setor varejista, que o mercado favoreceu até aqui neste ano.
Focus List
A rotação de perspectiva do Goldman Sachs fez com que Graham realizasse algumas mudanças na seleção de ações com recomendação de compra da instituição, a Focus List. O único nome associado ao consumo, a Hypermarcas (HYPE3), é retirada da lista, em que entram PDG, Cielo e GP Investments.
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Confira a Focus List do Goldman Sachs com ações brasileiras:
| Empresa | Código | Preço-alvo* | Upside** |
| ALL | ALLL11 | R$ 21,30 | 16,71% |
| Cielo | CIEL3 | R$ 18,50 | 22,27% |
| Even | EVEN3 | R$ 11,50 | 15,35% |
| Fibria | FBR | US$ 22,50 | 29,68% |
| GP Investimentos | GPIV11 | R$ 8,60 | 19,44% |
| Itaú Unibanco | ITUB | US$ 29,40 | 15,02% |
| Minerva | BEEF3 | R$ 10,00 | 52,67% |
| OGX | OGXP3 | R$ 27,00 | 17,65% |
| PDG Realty | PDGR3 | R$ 26,00 | 18,18% |
| Petrobras | PBR_A | US$ 41,00 | 17,55% |
| Suzano | SUZB5 | R$ 18,70 | 22,95% |
| Vale | VALE_P | US$ 33,00 | 0,73% |
| Vivo | VIVO4 | R$ 62,30 | 28,22% |
* Preço-alvo para 12 meses, com exceção de OGX e Petrobras (6 meses)
** Potencial de valorização com base no fechamento de 14 de outubro