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SÃO PAULO – A respeito das fortes perdas registradas na última segunda-feira ao redor do globo, os analistas do Goldman Sachs, em relatório enviado nesta terça-feira (22), afirmam que é muito cedo para acreditar que o pior já passou.
Os temores de que os EUA mergulhem em uma recessão neste ano, devido ao contágio da crise do subprime sobre a economia do país, foram apontados pelo banco não somente como os responsáveis pelo desempenho negativo da última sessão, mas bem como pela volatilidade registrada neste começo de ano, o pior em décadas.
Entretanto, os analistas acreditam que ainda há espaço para um movimento decrescente maior. Isto porque, além dos mercados não terem precificado integralmente um quadro recessivo nos EUA, o noticiário corporativo deve se manter negativo nas próximas sessões, com o setor financeiro sensivelmente afetado em seus resultados.
Projeções nada animadoras
Além da temporada de resultados corporativos que se aproxima, podendo trazer mais tensões aos mercados internacionais, o Goldman Sachs crê que a magnitude da crise no setor imobiliário norte-americano ainda é desconhecida pelos analistas.
Tendo em vista projeções nada animadoras, os analistas do banco de investimentos recomendam uma postura cautelosa, com posições defensivas. Para a equipe, um avanço rumo a investimentos arrojados é desaconselhável até que se resolvam as incertezas econômicas nos EUA ou até que as desvalorizações nos ativos sejam grandes o suficiente para compensar os riscos.
Ademais, os analistas alertam para a confiança dos mercados de que o desempenho das economias emergentes em 2008 compense a desaceleração – ou recessão – nos países desenvolvidos, em especial, EUA e Europa. “Se tal crença for desafiada, há um espaço ainda maior para correção nos mercados acionários e de commodities”, sentenciam.
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Medida do Fed é vista com desconfiança
Nesta terça-feira, o Federal Reserve anunciou uma redução emergencial de 75 pontos-base, tanto na taxa de redesconto quanto na taxa básica de juro norte-americana, levando a última ao patamar de 3,50% ao ano. O Goldman Sachs descartava tal atitude por parte do Fed.
A medida logo surtiu efeito sobre as principais bolsas do mundo, que partiram ao campo positivo. Todavia, o Goldman Sachs se mantém cético quanto à possibilidade do processo de flexibilização monetária levado a cabo pelo Fed conseguir minimizar os problemas econômicos nos EUA.