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Goldman vê risco fiscal maior com Lula e alerta para governabilidade

Banco afirma que Orçamento de 2027, definição do ministro da Fazenda e relação com o Congresso serão centrais para os ativos brasileiros

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Passado o choque inicial provocado pela vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, o foco do mercado deve se deslocar rapidamente para a política fiscal, a equipe econômica e a governabilidade, segundo avaliação do Goldman Sachs.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), o banco afirma que um grau maior de prêmio fiscal deve ser incorporado aos ativos brasileiros, diante da expansão de gastos anunciada nas últimas semanas e das incertezas sobre a condução das contas públicas.

Para o Goldman, a reação do mercado hoje não depende apenas do resultado eleitoral, mas principalmente dos primeiros sinais sobre a política econômica do novo governo.

Ministro da Fazenda entra no radar

Um dos pontos centrais será a definição do comando da política econômica.

O banco destaca que a escolha do ministro da Fazenda e os primeiros anúncios do governo serão fundamentais para a percepção dos investidores.

A instituição cita ciclos eleitorais anteriores, inclusive 2002, para mostrar que a reação dos ativos pode mudar de direção conforme o mercado passa a enxergar com mais clareza a estratégia econômica do presidente eleito.

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Orçamento de 2027 será teste para o fiscal

Outro foco será o Orçamento de 2027, enviado ao Congresso no fim de agosto e que ainda precisa passar pelo processo de aprovação até o fim do ano.

Segundo o Goldman, o texto terá de ser ajustado para incorporar medidas fiscais anunciadas depois de sua apresentação.

O grau de consolidação das contas públicas — ou a ausência dela — deve ser acompanhado de perto pelos investidores.

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A leitura do banco é que a política fiscal será um dos principais fatores para definir o comportamento do real, da curva de juros e dos demais ativos locais após a eleição.

Congresso pode elevar atritos

O Goldman também vê riscos adicionais na relação entre Executivo e Legislativo.

Segundo o relatório, o partido de Flávio Bolsonaro emergiu da eleição como a maior força tanto na Câmara quanto no Senado.

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Para o banco, essa configuração pode elevar os atritos com o governo e piorar as condições de governabilidade de Lula, especialmente na aprovação de medidas econômicas e fiscais.

O resultado aumenta a importância da negociação política para a execução da agenda do governo.

Contestação também pesa no curto prazo

O relatório menciona ainda a possibilidade de uma contestação mais prolongada do resultado eleitoral.

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Flávio Bolsonaro ainda não reconheceu a derrota e afirmou que pretende pedir a anulação da eleição, em questionamento relacionado à extensão do horário de votação.

Segundo o Goldman, uma disputa mais longa pode prejudicar o sentimento dos investidores no curto prazo.

Ainda assim, o banco considera que, para além dessa reação inicial, o comportamento dos mercados será definido principalmente pela combinação entre fiscal, equipe econômica e capacidade de articulação do governo no Congresso.

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Rodrigo Petry
Mercados | Economia | Onde Investir

Rodrigo Petry é coordenador editorial do InfoMoney e jornalista desde 2002. Atua principalmente na cobertura de mercados financeiros, com foco em Bolsa, ações, análise técnica, fluxo de investidores e derivativos. Está à frente do IM Trader, projeto do InfoMoney voltado à cobertura de trading, com análises de ações, índices, dólar e opções. No InfoMoney, também atua no desenvolvimento de projetos editoriais e branded content. Ao longo da carreira, teve passagens pelo Broadcast/Agência Estado, EQI Investimentos, revista Capital Aberto e jornal DCI, além de experiência em comunicação corporativa e pública.