Goldman eleva Ultrapar para compra e rebaixa Vibra para neutro de olho em juros altos

Ultrapar está em uma posição mais favorável em um cenário de aumento das taxas de juros no Brasil

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

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O Goldman Sachs elevou a recomendação da Ultrapar (UGPA3) de neutro para compra e reduziu o preço-alvo de R$ 25,10 para R$ 19,70, pois a empresa está em uma posição mais favorável em um cenário de aumento das taxas de juros no Brasil (menor nível de alavancagem), o que poderia se traduzir em aquisições e fusões que gerem valor (historicamente, um ambiente macroeconômico desafiador costuma oferecer boas oportunidades de M&A) ou em dividendos mais altos.

A equipe de análise projeta retornos para os acionistas (dividendos + recompra de ações) de 7% e 9% em 2025 e no próximo ano, mantendo o endividamento (Dívida Líquida/EBITDA) abaixo de 1,5 vez.

O Goldman Sach acredita que a Ipiranga, da Ultrapar, continuará a entregar margens abaixo das da Vibra (cerca de 10% devido à maior escala da Vibra), em R$ 145/m³ em 2025.

O banco vê méritos no novo modelo de governança da Ultrapar (com cada subsidiária tendo seu próprio conselho de administração), pois isso poderia aumentar a agilidade e posicionar a holding como um investidor estratégico.

A avaliação atual parece razoável, com Preço/Lucro de 10,3 e 8,3 vezes para 2025 e 2026, abaixo da média histórica da Ultrapar de cerca de 14 vezes, o que analistas acreditam já refletir o ambiente de custo de capital mais alto.

Vibra (VBBR3)

O banco americano ainda rebaixou a recomendação da Vibra de compra para neutro, com preço-alvo passando de R$ 27,40 para R$ 19,50, uma vez que projeta revisões negativas adicionais nas estimativas para 2025. A previsão de lucro líquido está cerca de 27% abaixo do consenso do Bloomberg.

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Analistas acreditam que o consenso ainda não incorporou completamente o efeito do aumento das taxas de juros e o impacto negativo nos lucros da recente aquisição da Comerc Energia.

Eles também acreditam que o nível relativamente alto de endividamento da Vibra (superior a 2 vezes até o final deste ano após a incorporação da Comerc, contra 1,2 vez da Ultrapar como referência) limitará o espaço para remuneração aos acionistas (dividend yield de 5% em 2025 e 2026) e para o uso de capital no curto-médio prazo.

O Goldman espera uma geração de caixa significativa que projeta para os próximos anos (cerca de 18% em média de FCFy em 2026 e 2027) seja utilizada para reduzir o endividamento (especialmente considerando o cenário macroeconômico desafiador no Brasil).

Na avaliação do banco, a indústria de distribuição de combustíveis é um setor com oportunidades limitadas de crescimento (os volumes historicamente cresceram em linha com o PIB real, tornando o setor uma jogada de valor), e a limitação na distribuição de dividendos pode reduzir a atratividade da ação.