Gol: queda de 38% na 2ª, baixa de 61% na terça; o que explica GOLL54 após “bonança”?

Movimento ocorre em meio ao fim do prazo para investidores exercerem seus direitos de subscrição na empresa

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Avião da gol parado. (Foto: Divulgação/Gol)
Avião da gol parado. (Foto: Divulgação/Gol)

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De uma estreia com salto de mais de 400% no pregão do dia 12 de junho até uma derrocada de mais de 60% nesta terça-feira (15), os papéis GOLL54 da aérea Gol têm dado fortes emoções aos seus investidores em pouco mais de um mês.

A empresa, recém-saída de uma recuperação judicial nos EUA, chegou a figurar após a estreia de seus novos ativos como uma das mais valiosas da Bolsa, com um valor de mercado de R$ 240 bilhões e a ação a valor unitário de R$ 230. Contudo, passou para um valor unitário de menos de R$ 10 (mais precisamente, R$ 9,60) em poucas semanas, tendo uma queda de 37,93% na segunda e de 61,44%, a R$ 9,64, no fechamento desta terça.

O movimento acontece por conta do fim do prazo para investidores exercerem seus direitos de subscrição na empresa.

Viva do lucro de grandes empresas

Até a última segunda, quem contava com uma posição acionária na companhia aérea em 11 de junho precisava decidir se subscreveria (compraria) novas ações. A possibilidade aconteceu porque a empresa passou por um aumento de capital de R$ 12 bilhões, que envolveu a emissão de 8,1 trilhões de ações ordinárias (a R$ 0,00029 por ação) e 968 bilhões de ações preferenciais (a R$ 0,01 por ação).

O BTG Pactual apontou que, se o investidor não subscrevesse, a diluição acionária seria da ordem de 99,8%.

Cabe ressaltar que os papéis passaram a ser negociados com um novo fator de cotação (R$ por 1.000 ações) na B3. Além disso, passaram a operar com um novo lote padrão (1.000 ações), além dos novos códigos de negociação. Ou seja, como o ativo negocia em lotes de mil ações, acaba se fazendo necessário dividir o seu preço de tela por 1 mil. Assim, a cotação da ação agora indica que, na verdade, o papel negocia na casa dos R$ 0,009.

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O BTG recomendava a venda dos direitos de subscrição, ressaltando que a alavancagem da Gol permanecerá elevada, em 5,4 vezes, considerando o múltiplo de valor da empresa (EV) sobre o Ebitda (lucro antes dos juros, tributos, depreciação e amortização).

Existem ainda as sobras de subscrição, geradas quando nem todos os investidores exercem o direito de subscrição durante o período pré-determinado.

Se o investidor optar por subscrever, o ativo terá um novo ticker na carteira: o GOLL10, que representa o recibo de subscrição, comprovando a intenção manifesta do investidor de comprar novas ações.

Os recibos podem ser negociados no mercado à vista da Bolsa brasileira até serem convertidos em ações.

(com Estadão Conteúdo)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.