Gol (GOLL54) quer sair da B3: o que investidor deve olhar e quais os próximos passos?

Gol anuncia plano de fechar capital no Brasil

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Divulgação/Gol)
(Foto: Divulgação/Gol)

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A Gol (GOLL54) anunciou uma proposta para fechar o capital, com o objetivo de simplificar a estrutura corporativa após sua saída do Chapter 11 (recuperação judicial nos EUA), especialmente considerando que o free float de suas ações preferenciais atualmente é de apenas 0,78%.

Como da reestruturação, a GOL planeja deslistar suas ações por meio de uma oferta pública de aquisição (OPA). O preço da oferta será determinado por um avaliador externo independente, que será nomeado até 4 de novembro de 2025.

A Gol reserva-se o direito de desistir da OPA caso o custo total exceda R$ 47,25 milhões, ou aproximadamente R$ 6,30 por ação GOLL54, em comparação com o preço de fechamento de ontem de R$ 5,08.

Viva do lucro de grandes empresas

Diante disso, o JPMorgan antecipa uma reação limitada das ações até que o preço da OPA seja divulgado, provavelmente até o final do ano. Atualmente, GOLL54 é negociada a 4,7 vezes Valor da Firma (EV)/EBITDA para 2026, comparado a 4,4 vezes de seus pares.

A Genial Investimentos, por sua vez, disse que já antecipava a saída da Bolsa após a conversão de dívida em equity, que diluiu fortemente o acionista minoritário e transformou boa parte da dívida do grupo Abra (controlador) em participação acionária.

“O movimento consolida o controle e reduz o free float a níveis incompatíveis com o Nível 2 da B3”, comenta a corretora. “Embora a simplificação societária possa trazer eficiência e menor custo de capital, ela encerra o ciclo da Gol como companhia aberta e limita o acesso de investidores locais ao ativo.”

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Já Fernando Siqueira, Head de Research da Eleven Financial, comenta que a justificativa apresentada pela Gold — a redução de custos decorrente da deslistagem — é compreensível, já que a manutenção de listagem em implica em despesas.

Para o analista, a medida também reflete a baixa liquidez das ações no Brasil e a ausência da empresa em importantes índices financeiros, fatores que reduzem a atratividade do papel no mercado local.

E os acionistas minoritários?

Siqueira avalia que, para os investidores que ainda detêm ações da companhia, a venda e a realocação dos recursos em outros ativos parecem ser a opção mais prudente. “O setor aéreo historicamente apresenta desafios significativos, a GOL estava em recuperação judicial e a Azul em processo de reestruturação de dívida, reforça essa percepção”, afirma. Apesar de eventuais períodos de bom desempenho, ele ressalta que a volatilidade e os riscos inerentes ao setor tornam o investimento em companhias aéreas pouco atrativo no longo prazo.

Em uma análise mais ampla, o analista destaca a Embraer (EMBR3) como uma alternativa potencialmente mais interessante, ainda que atue em um segmento distinto dentro da aviação.

Para Caio Caputo, advogado especialista em direito societário, o primeiro passo é aguardar o laudo de avaliação que vai embasar o preço da OPA. O documento mostra qual metodologia foi usada e se o “valor reflete de fato o potencial da companhia”.

Segundo Caputao, o investidor que busca liquidez e previsibilidade provavelmente deve aceitar a oferta. “Já quem acredita no futuro da Gol pode optar por permanecer, mas precisa estar ciente de que a companhia passará a operar em um ambiente muito menos transparente e com governança mais concentrada.”

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Sobre a transação

A Gol e a Gol Investment Brasil S.A. (GIB) serão incorporadas à Gol Linhas Aéreas (GLA).

Os acionistas de ações ordinárias da GOL receberão uma ação ordinária da GLA para cada ação ordinária da GOL que possuírem, enquanto os acionistas preferenciais receberão 35 ações ordinárias da GLA para cada ação preferencial detida.

Após a fusão, a GIB lançará uma OPA para deslistar a companhia. No entanto, a GIB pode desistir da OPA caso o pagamento total necessário alcance ou exceda R$ 47,25 milhões, implicando um preço aproximado de R$ 6,3 por ação GOLL54, assumindo a aceitação integral da OPA pelos minoritários – 0,62% do valor econômico, incluindo ações ordinárias e preferenciais – em relação ao preço de fechamento de ontem de R$ 5,08.

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Vale destacar que, caso a OPA não seja lançada, a fusão não será executada.

Próximos Passos

As Assembleias Gerais Extraordinária e Especial estão agendadas para 4 de novembro, para aprovar a fusão e nomear o avaliador da OPA. Uma vez entregue o laudo de avaliação pelo avaliador, a GIB dará seguimento aos passos necessários para lançar a OPA.

Após a conclusão da oferta, haverá um período para exercício do direito de retirada pelos acionistas. O JPMorgan acredita que a OPA possa ser concluída até o 1º trimestre de 2026.

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O JPMorgan manteve recomendação de venda, sem indicar preço-alvo.