Companhia aérea

Gol (GOLL4) vê impacto nas tarifas com possível gratuidade de bagagens; aérea retoma otimismo com corporativo

Cerca de 60% dos clientes hoje compram as passagens da Gol sem bagagem. Ou seja, têm uma tarifa menor por não despacharem

Por  Felipe Alves

O CEO da Gol (GOLL4), Paulo Kakinoff, disse nesta quinta-feira (28) que a volta da gratuidade no despacho de bagagens em voos é um “retrocesso, um anacronismo”. Na noite de quarta-feira (27), a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que proibiu a cobrança por bagagem despachada em voos comerciais pelas companhias aéreas. O texto ainda será analisado pelo Senado.

Segundo Kakinoff, 60% dos clientes hoje compram as passagens da Gol sem bagagem. Ou seja, têm uma tarifa menor por não estarem usando bagagem. Caso a medida aprovada na Câmara seja efetivamente implementada, haverá impactos na tarifa, já que a companhia não estava prevendo este custo, segundo Kakinoff.

As declarações aconteceram durante teleconferência com analistas para comentar os resultados do primeiro trimestre, quando a Gol (GOLL4) reverteu prejuízo e teve lucro de R$ 2,6 bi no 1º trimestre, desempenho acima do esperado.

Ações da companhia abriram entre as maiores altas do dia, após o resultado do balanço, mas desaceleram o avanço e subiam 1,08%, cotadas a R$ 14,85, por volta das 11h33.

Expectativas da Gol para 2022

Os executivos da Gol declararam ainda que esperam que o ano continue positivo para o setor aéreo em 2022. O otimismo está ancorado especialmente no segmento corporativo. Com o fim das restrições por conta da pandemia em todo o país e a retomada de eventos a nível nacional, a perspectiva é de que os eventos corporativos se intensifiquem e a demanda por voos também cresça.

A projeção confiante vem apoiada nos dados do 1TRI22. A receita líquida da Gol com o transporte de passageiros cresceu significativamente no primeiro trimestre devido à forte recuperação no mercado doméstico, e em especial no mês de março que, historicamente, é considerado um mês de baixa temporada.

Kakinoff destacou especialmente a projeção de crescimento de voos no país em 2022 voltados ao segmento corporativo. Em março a empresa viu um aquecimento da demanda de todos os segmentos, mas em especial no corporativo.

Assim, a Gol tem visto uma mudança no perfil dos viajantes, com uma combinação daqueles que viajam apenas a negócios e dos que viajam a negócios e também a lazer. E para dar conta dessa demanda as alterações da malha aérea disponível têm que ser velozes e eficazes, segundo o CEO.

Kakinoff pontuou que há projeção de sustentabilidade dessa demanda para todo o ano, o que pode levar a uma revisão das projeções do segmento comercial.

Apesar disso, a Gol mantém o conservadorismo e, por ora, não fez alterações no guidance para o ano. A expectativa é que a alta do Rask (receita operacional por assentos-quilômetro oferecidos) se mantenha ao longo deste ano.

Parceria com Mercado Livre

Outro ponto destacado por Kakinoff foi a recente parceria anunciada com o Mercado Livre, que tem um potencial de gerar R$ 100 milhões de receitas para a Gol só neste ano. Para os próximos cinco anos, a estimativa é gerar até R$ 1 bilhão.

A companhia aérea está na expectativa de ampliar a atuação no setor de entregas para e-commerce por meio da Gollog. “Pretendemos expandir a gama de serviços da Gollog para gerar receita incremental”, afirma Kakinoff.

A operação deve começar no segundo semestre deste ano. Na primeira fase são seis aeronaves, podendo ser ampliada para 12 até 2025. A expectativa é de uma economia de R$ 25 milhões para este ano e de R$ 75 milhões para 2023.

Transição da frota vai impulsionar Ebitda, diz CFO da Gol

Adicionalmente, a Gol reforçou que está reestruturando sua frota de aeronaves para proporcionar maior eficiência de custos e menor emissões de carbono.

Como consequência, haverá impactos no impulsionamento do Ebitda e na diminuição da relação dívida líquida/Ebitda para a ordem de 8x até o fim de 2022 (hoje está em 10,1x), segundo estimativas de Richard Lark, Vice-Presidente Financeiro e DRI da Gol.

No entanto, por ora, o aumento da alavancagem da Gol com as novas aeronaves é pontual, segundo ele.

A empresa recebeu no primeiro trimestre oito aeronaves Boing 737-MAX-8. Deste total, três estão em arrendamento financeiro. A projeção é de que nos próximos anos de 50% a 60% da frota esteja sob a modalidade de arrendamento. Além disso, as novas aeronaves vão contribuir para a maior eficiência de custos e menor emissões de carbono da companhia.

Análises do balanço da Gol

Para o Bradesco BBI, a valorização do real ajudou a impulsionar o lucro líquido no primeiro trimestre. A receita líquida da Gol ficou em linha com as projeções do BBI, devido ao aumento da demanda e capacidade doméstica, bem como ao crescimento da receita por assento-quilômetro oferecido (RASK) e de carga.

Como esperado, os preços dos combustíveis aumentaram, mas uma frota de aeronaves mais eficiente e um real mais forte ajudaram a reduzir os custos de manutenção, levando ao custo por assento-quilômetro disponível ex-combustível (CASK-ex combustível) para baixo 12% A/A . Com isso, o Ebitda superou em 15% a expectativa do mercado.

Bradesco BBI reitera classificação neutra para Gol e preço-alvo de R$ 21.

Níveis pré-Covid

Conforme o Credit Suisse, a Gol reportou resultados positivos no trimestre, com destaque para a receita, que superou o consenso em 4%, atingindo níveis pré-Covid com rendimentos fortes. A margem operacional recorrente foi de 5,6% contra margem negativa no 4T21.

Além disso, o lucro operacional de R$ 181 milhões superou o consenso da Bloomberg de prejuízo de R$ 46 milhões.

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