Enxugando custos

Ganho de caixa e vantagens de custo frente rivais: como os analistas viram a compra de 28 aeronaves da Boeing pela Gol

A empresa anunciou que compra de aeronaves 737 MAX-8, da Boeing, deve reduzir em 8% seus custos unitários em 2022

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Depois de um resultado que não agradou muito os analistas no segundo trimestre, por mostrar uma recuperação mais lenta da pandemia do coronavírus, a Gol (GOLL4) fez dois anúncios que animaram a visão do mercado sobre a companhia (ainda que a sessão tenha sido de queda de 1,29% para os ativos, seguindo o mau humor generalizado na sessão).

A Gol informou na noite da véspera que vai comprar 28 aeronaves 737 MAX-8, da Boeing, dentro de um plano de ter economia operacional com jatos mais novos e um plano de financiamentos revisado, enquanto tenta otimizar para aliviar os efeitos devastadores da pandemia.

A empresa anunciou que as medidas devem reduzir em 8% seus custos unitários em 2022 e gerar cerca de US$ 200 milhões em ganhos de capital e caixa.

Os novos jatos substituirão 23 unidades do modelo 737-800 NG até o fim do ano que vem. Com o acordos, a Gol prevê encerrar 2021 com 28 aeronaves 737 MAX 8 e, até o final de 2022, com 44 jatos 737 MAX, anunciou a companhia nesta terça-feira.

O Bradesco BBI aponta que o B737 MAX aumentará a vantagem de custo da Gol, fazendo uma comparação entre as companhias do setor. Em dezembro de 2019, Latam Airlines Brasil e Azul (AZUL4) reportaram um custo por assento-quilômetro oferecido (CASK) 10% e 14% acima da Gol, respectivamente.

Os analistas avaliam que, embora a Azul não seja comparável à Gol devido à sua grande utilização de aeronaves regionais e limitada sobreposição de rotas, a Latam Airlines Brasil é a principal concorrente da empresa e, na opinião deles, a substituição do B737 NGs por B737 MAX 8s permitirá à companhia aérea brasileira de baixo custo reduzir seu CASK em 8%, aumentando sua vantagem de custo em relação à Latam.

Após a notícia, os analistas do banco elevaram o preço-alvo estimado da ação para o final de 2022 de R$ 23 para R$ 26, o que corresponde a um potencial de alta de 28,59% em relação ao fechamento de terça-feira.

“Atualizamos nosso modelo para incorporar o novo plano de frota e aumentamos o Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] de 2022-2023 da empresa em  4% e  6%, respectivamente. Essas mudanças refletem a redução esperada no custo por unidade de capacidade com o uso de aeronaves que são 15% mais eficientes em termos de combustível”, avaliam.

No entanto, a recomendação neutra permanece, devido a: 1) visão dos analistas de potencial de alta limitado da ação da Gol; 2) a aceleração da expansão da capacidade doméstica da Latam Airlines Group no Brasil, o que poderia dificultar o aumento das tarifas aéreas para compensar os preços mais altos do combustível de aviação; e 3) o risco de um surto de variantes mais infecciosas do vírus COVID-19 que poderiam prejudicar a recuperação do turismo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Goldman Sachs também destacou esse anúncio como positivo, ressaltando que os ganhos de caixa de US$ 200 milhões representam cerca de 16% do valor de mercado da companhia.

“Os ganhos de caixa irão impulsionar a liquidez da empresa no atual cenário de recuperação mais lenta do que o esperado no segmento de viagens aéreas no Brasil, conforme comentado pela Gol em seus resultados do segundo trimestre”, avaliou o banco.

A Guide também vê o movimento como uma mensagem de confiança da Gol na normalização da demanda com a reabertura da economia e volta dos voos, tanto nacionais como internacionais, o que deve voltar a gerar caixa para empresa, possibilitando a diminuição das dívidas, que cresceram durante o período pandêmico.

A aérea também divulgou, desta vez na manhã desta segunda-feira, seus números prévios de tráfego de julho de 2021. A companhia registrou aumento de 173% na demanda por seus voos no mercado doméstico em julho ante o mesmo mês do ano passado, enquanto a oferta cresceu 152% na mesma comparação, segundo números prévios divulgados nesta quarta-feira.

A taxa de ocupação ficou em 84,5% no mês passado, de 78,1% um ano antes, mostraram os números da companhia aérea. A Gol continuou sem realizar voos internacionais em julho.

Para o BBI, a notícia é positiva já que os dados de julho mostram que a Gol continua em tendência de alta de recuperação. Contudo, reforça a avaliação de que a expansão acelerada da capacidade da Latam Airlines pode dificultar o caminho para aumentar passagens.

(com Reuters)

Em curso gratuito de Opções, professor Su Chong Wei ensina método para ter ganhos recorrentes na bolsa. Inscreva-se grátis e participe.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhe