GMAT3: o que acontece com o Grupo Mateus? Ação cai 20% em 5 dias com erro de R$ 1 bi

Companhia sofre pressão após o balanço apontar erro bilionário em estoques valorizados no seu balanço patrimonial de 2024

Lara Rizério Agências de notícias

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Grupo Mateus (Divulgação)
Grupo Mateus (Divulgação)

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As ações do Grupo Mateus (GMAT3) registram queda pela sétima sessão nesta sexta-feira (21), acumulando perdas de cerca de 25% no período, além de uma baixa de 20% em 5 pregões após a divulgação dos resultados. Às 12h40 (horário de Brasília), os ativos GMAT3 caíam nesta sexta-feira, com baixa de 2,51%, a R$ 4,96.

Além dos resultados em si considerados nebulosos na noite de quinta-feira, 13, a rede de atacarejo sofre pressão desde então após o balanço apontar erro de R$ 1,1 bilhão em estoques valorizados no seu balanço patrimonial de 2024. Isso por conta de erros nos cálculos do custo médio das mercadorias vendidas, que é considerado um dos pontos mais sensíveis nos balanços de varejistas.

Houve uma correção no valor das mercadorias estocadas em 2024, que estavam superavaliadas em R$ 1,1 bilhão, passando de R$ 6 bilhões para R$ 4,9 bilhões.

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O ajuste contábil fez com que o patrimônio líquido tivesse uma queda para R$ 9,1 bilhões, levando a um corte de quase R$ 695 milhões.

O tema sobre problema de estoques é visto como antigo. Em maio de 2021, formulário de referência da empresa enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), relativo à 2020, aponta que a auditoria da época, a Grant Thornton, identificou 42 deficiências moderadas na empresa.

O Bradesco BBI destacou os números do terceiro trimestre “poluídos”, ainda que os dados ajustados tenham ficado em linha com as estimativas.

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“Embora os números ajustados pareçam não estar muito distantes das expectativas já reduzidas, acreditamos que a série de ajustes/novas informações pode gerar alguma apreensão no mercado, até que sejam devidamente assimiladas. Em nossa opinião, é incerto que o mercado aceite o ajuste de estoque/nova contabilização de aproximadamente R$ 1 bilhão sem questionamentos neste momento – mais detalhes ainda são necessários”, apontou em relatório do dia 14 de novembro, logo após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25).

Analistas de mercado também viram de forma negativa a comunicação da empresa sobre a questão, que apareceu de forma técnica no resultado, com um efeito contábil claro, mas sem explicação das razões para tanto.

Já ao analisar os números ajustados divulgados pela empresa, o 3T25 foi visto pelo BBI como desafiador para o faturamento do varejo de alimentos, principalmente na região Nordeste – as vendas em mesmas lojas, excluindo o segmento B2B, registraram queda de 1,1% (contra estimativa do Bradesco BBI de 0,7%).

Além disso, os ajustes retroativos no lucro bruto (ou seja, o novo formato sugere menor lucratividade em comparação com o que víamos no 3T24, em torno de 0,40 ponto percentual) comprometem a clareza da leitura dos resultados em relação às expectativas, apontou. O BBI, contudo, segue com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 9.

A Nord Research, por sua vez, tem recomendação neutra para os ativos. A avaliação é de que, apesar de resultados ajustados apresentando crescimento e em linha com as expectativas do mercado, os eventos pontuais (e até ajustes em números passados, em função de mudanças contábeis) ofuscaram o desempenho do Grupo Mateus no 3T25.

“Daqui para frente, a empresa deverá focar na incorporação do Novo Atacarejo e em potenciais ganhos de sinergia, além da expansão de suas lojas e na consolidação de sua presença em suas regiões de atuação. Também é esperada uma continuidade no aumento de eficiência em suas unidades, com melhora na maturação das mesmas”, aponta.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.