Depois da euforia

Gigantes da Austrália encolhem US$ 109 bilhões com perdas do minério

É uma drástica mudança de sorte para Rio Tinto, BHP e Fortescue Metals, que ainda no mês passado distribuíam dividendos recordes com o recorde do minério

Por  Bloomberg -

(Bloomberg) — As três maiores produtoras de minério de ferro da Austrália perderam US$ 109 bilhões em valor de mercado em menos de dois meses, aproximadamente o equivalente à capitalização da General Electric, devido à queda recorde dos preços.

É uma drástica mudança de sorte para Rio Tinto, BHP e Fortescue Metals, que ainda no mês passado distribuíam dividendos recordes aos acionistas na esteira da cotação recorde do minério de ferro em maio, acima de US$ 230 a tonelada. Desde então, os preços da commodity caíram para perto de US$ 90 diante das maiores restrições da China à produção de aço para atender às metas ambientais.

A ação da Rio Tinto, maior produtora de minério do mundo, recuou 29% em relação a 29 de julho; o papel da BHP acumula queda de 30%; e o da Fortescue se desvalorizou 44%. Juntas, as três mineradoras perderam 150 bilhões de dólares australianos em valor de mercado (US$ 109 bilhões), segundo cálculos da Bloomberg. As três mineradoras respondem por mais de 8% do índice de ações de referência da Austrália S&P/ASX 200, que mostra queda de 2% no período.

Mais perdas podem estar a caminho – tanto para o minério de ferro quanto para ações de mineradoras – com os esforços do governo de Pequim para reduzir a poluição antes de sediar a Olimpíada de Inverno em fevereiro de 2022. Com a queda dos preços, analistas rebaixaram as previsões de lucro para grandes mineradoras.

No final da semana passada, a Morgans Financial reduziu o preço-alvo da ação da Fortescue em mais de 25%, para 14,15 dólares australianos, e também cortou os preços-alvo da BHP e Rio Tinto.

“Apesar de negociadas novamente em níveis mais baixos, continuamos cautelosos em relação a nossas grandes mineradoras, esperando mais perdas de curto prazo para o minério de ferro”, disse Adrian Prendergast, analista de recursos da Morgans, em relatório. BHP e Rio Tinto são “negociadas em torno de território acumulado, mas permanecemos cautelosos devido ao estado negativo de sua maior exposição”, disse.

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