Gestores revelam como está a alocação dos fundos multimercados

Administradores de recursos traçam cenários para os mercados de ações, renda fixa e câmbio a partir de junho

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SÃO PAULO – Os fundos multimercados (que podem alocar os recursos em tipos diversos de aplicações) foram um dos que mais registraram depósitos em maio.

De acordo com balanço da Anbid (Associação Brasileira de Bancos de Investimentos), as carteiras dos multimercados encerraram o mês passado com captação líquida (saldo entre depósitos e saques) de R$ 1,061 bilhão.

Dados divulgados pela Anbid e referentes a 1º de junho deste ano também revelam que a captação líquida no acumulado de 2009 está negativa em R$ 1,920 bilhão. Já em 12 meses, o saldo negativo totaliza R$ 12,574 bilhões.

A InfoMoney consultou sete administradores de recursos para saber como anda a alocação dos fundos multimercados. Conheça abaixo a preferência das administradoras de recursos na hora de aplicar e acompanhe as justificativas dos gestores:


Mercatto Investimentos

Aposta Principal

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A maior exposição dos fundos multimercados da Mercatto Investimentos ocorre na renda fixa, em títulos atrelados ao IPCA (NTN-B).

“Passada a crise, o Brasil saiu com a condição particular de que o juro permanece alto, o sistema bancário continua sadio e os fundamentos econômicos foram preservados”, explica Regis Abreu, gestor de fundos multimercados da Mercatto.

Ele afirma que o País tem melhores condições em relação aos emergentes, em geral, especialmente em comparação ao México. “É por conta disso que apostamos em NTN-B”, enfatiza Abreu.

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Aposta Secundária

O gestor da Mercatto ainda afirma que, como segunda opção, direciona também os investimentos para o mercado acionário.

“O que fizemos foi aproveitar a forte queda vista na bolsa durante o final do ano passado e compramos ações de baixo custo, especialmente de companhias saudáveis e com bons rendimentos”, complementa Abreu.

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Menor Exposição

Segundo ele, o câmbio e os nomes mais ricos do Ibovespa (large caps), especialmente os ativos ligados às commodities, são as menores apostas dos fundos multimercados da Mercatto.

“O câmbio não é relevante para nós no momento. Acredito que a paridade entre dólar e real se manterá no patamar atual e isso não é vantajoso”, afirma.

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“Em nenhum momento do ano apostei também nos nomes mais ricos do Ibovespa, ligados às commodities. Estas empresas foram afetadas pela crise e a rentabilidade delas diminuiu”, conclui Abreu.


HSBC Global Asset Management

Aposta Principal

“Considerando os últimos dois ou três meses, modificamos nossas posições e temos apostado na queda do dólar”, afirma Renato Ramos, diretor de renda fixa da HSBC Global Asset Management.

“Acreditamos na valorização das moedas (não apenas do real, mas também de outros países emergentes) contra a divisa norte-americana e de nações do G7”, complementa Ramos.

A expectativa de queda do dólar é atribuída ao cenário econômico atual. “Estamos vendo uma recuperação nos preços de commodities, o que favorece o Brasil e suas exportações. O dólar se desvalorizou frente às outras moedas e isso é uma tendência. Além disso, é importante enfatizar o grande fluxo de injeções de dólar e recursos que foram feitos no País”, diz o diretor da HSBC Global Asset Management.

Aposta Secundária

Renato Ramos diz que a segunda maior exposição dos multimercados da HSBC está nas blue chips e small caps. “Ambas são nossas apostas, principalmente conforme o fluxo de investimentos (aplicações) que vem do exterior”, explica.

“Nós acompanhamos o índice e realizamos nossas aplicações independentemente de setores. Eu enfatizo isso porque temos as blue chips ligadas à área de commodities, que valorizaram nos últimos meses. Contudo, temos também as small caps que se valorizaram, especialmente no mês passado”, diz Ramos.

Menor Exposição

A renda fixa aparece como a terceira aposta da HSBC Global Asset Management. “Não porque apresenta pontos desfavoráveis, mas porque encontramos melhores oportunidades no câmbio e na bolsa (ações). Nossa exposição em renda fixa está muito próxima da nossa aposta secundária”, reitera Renato Ramos.

O diretor de renda fixa da HSBC Global Asset Management ainda sinaliza que, na renda fixa, a maior aposta é em juros. “Nossas projeções para a Selic vão de acordo com o consenso do mercado para a próxima reunião do Copom. Nós prevemos uma redução do juro de 0,75 ponto percentual”, conclui.


Bresser Asset Management

Aposta Principal

A maior exposição dos fundos multimercados da Bresser Asset Management ocorre em ações defensivas.

“As ações cíclicas já andaram muito. Estão com valores bastante altos. Qualquer correção que ocorrer elas poderão sofrer muito”, diz Rodrigo Bresser, gestor de fundos multimercados da Bresser Asset Management.

“Portanto, apostamos mais nas defensivas, especialmente em ativos do setor imobiliário que sofreram no passado, mas que ainda não se recuperaram totalmente”.

Menor Exposição

Segundo Bresser, a menor exposição ocorre no mercado de câmbio. “Minha preferência seria que o dólar ficasse no patamar atual. Contudo, de acordo com a forma que o governo trabalha, o fluxo é bastante positivo. Veremos uma grande entrada de capitais e o câmbio oferecerá algum potencial de valorização maior”.

“Os IPOs (Ofertas Iniciais de Ações) fortalecem ainda mais para esta questão do dólar. Por conta disso, não estamos ‘comprado’ em câmbio. Acredito também que, de modo geral, encontramos no mercado pessoas mais ‘vendidas’ em câmbio. É a impressão que eu tenho”, conclui o gestor de multimercados da Bresser Asset Management.


Caixa Econômica Federal

Aposta Principal

A maior exposição dos fundos multimercados da CEF (Caixa Econômica Federal) ocorre em ações. “Nos últimos meses, temos concentrado nossas operações nas estratégias de long-short”, declara Marcelo de Jesus, gestor de fundos de renda variável da Caixa.

“Nossa estratégia de long-short ocorre em ações setoriais de menor risco. Por qualquer fundamento ou notícia que saia sobre determinado setor, os dois ativos acabam sendo impactados e nós tentamos operar este diferencial entre as empresas de um mesmo setor. Os riscos também diminuem neste caso”, afirma o gestor.

Marcelo de Jesus enfatiza ainda que as apostas ocorrem geralmente nos ativos mais negociados da Bolsa. “Procuramos distorções nos preços destas empresas que, por sua vez, possuem boa liquidez”, explica.

Aposta Secundária

A segunda maior exposição dos fundos multimercados da CEF ocorre nos juros pré-fixados. “A estratégia de queda que nós direcionamos para os juros foi funcional, deu certo e favoreceu a rentabilidade do fundo”, diz Marcelo de Jesus.

“É por conta disso que temos uma exposição maior em ações do que em juros pré-fixados”, enfatiza.

Menor Exposição

“Nós estamos ‘zerados’ no mercado de câmbio, principalmente por conta da alta volatilidade”, diz o gestor de fundos de renda variável da Caixa.

“Com o movimento forte de desvalorização do dólar nos últimos dias, nós acabamos não atuando neste mercado”, explica Marcelo de Jesus.

Na opinião do gestor, o real deve continuar se apreciando em relação ao dólar, embora com menor intensidade do que o visto até o momento. “A moeda brasileira deve ficar em torno dos patamares atuais”, conclui.


Rio Bravo Investimentos

Aposta Principal

“No últimos 30 dias, o mercado em que temos maior exposição é o de câmbio. Estamos apostando na desvalorização do dólar, especialmente por conta de uma melhora na atividade global neste trimestre e, consequentemente, devido à redução na aversão ao risco”, afirma Joaquim Kokudai, diretor e gestor de renda fixa e multimercados da Rio Bravo Investimentos.

Kokudai acredita que o último trimestre de 2008 e os primeiros três meses deste ano foram “tempos difíceis”, em se tratando de atividade econômica. Contudo, ele espera por uma retração menos intensa na economia brasileira do que a vista nos trimestres anteriores.

“O mercado começou a reconhecer que o pior ficou para trás e voltou a fazer apostas de risco, assim como no caso do câmbio, especificamente o real”, afirma.

Aposta Secundária

Kokudai revela que os fundos multimercados da Rio Bravo Investimentos também possuem uma locação grande em equities voltada ao mercado local. Segundo ele, parte dos investimentos ocorre em ações cíclicas, especialmente no setor financeiro.

“A forma como o Brasil tem saído da crise é satisfatória. O setor financeiro e os fundamentos econômicos por aqui permanecem sólidos”, explica.

Menor Exposição

O diretor e gestor da Rio Bravo Investimentos afirma que os fundos multimercados estão menos alocados em juros. No entanto, ele não descarta este tipo de aplicação.

“Aparentemente, o Brasil caminha para um patamar de juros menor, embora ainda estejamos em um nível bastante alto em comparação com outras nações do globo. Apesar de estarmos menos expostos a este tipo de investimento, achamos as aplicações em juros interessantes”, diz Kokudai.

“Não acho ruim ficar comprado em NTN-B (títulos atrelados ao IPCA) a 6,5%. Não é um patamar alto. No entanto, quando comparamos com a possibilidade de apreciação do câmbio, me parece que, em termos de alocação de risco, investir em moeda é mais vantajoso”, conclui.


Mauá Investimentos

Aposta Principal

“Do ponto de vista da gestão, em geral, acredito que o mercado está assumindo um volume de risco relativamente pequeno. A exposição em ativos de renda fixa (juros, câmbio, etc) é maior neste momento”, afirma Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Investimentos e ex-diretor do BC (Banco Central), entre os anos de 1999 a 2003, durante o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Figueiredo enfatiza que, na renda fixa, as apostas são mais em pré-fixadas. “Estamos em um processo de redução de taxa de juros. A curva de juros vem se reduzindo e vemos claramente este processo acontecendo”.

Aposta Secundária

“No câmbio, o real tem se valorizado bastante nos últimos meses. O mercado está mais confortável com a exposição à moeda brasileira. Eu acredito que isso deve se manter daqui em diante. Contudo, como o real se apreciou muito, acho que as apostas nas próximas semanas serão menores. Mesmo assim, ainda haverá exposição no câmbio”, declarou Figueiredo.

Menor Exposição

O sócio da Mauá Investimentos explica que “as apostas em equities têm sido menores, principalmente após a forte subida da Bolsa nas últimas semanas, com exceção daqueles que têm como definição da política de investimentos do fundo uma exposição mínima em ações”.

Figueiredo revela que o maior risco há um mês era aplicar em ações. Agora não é mais. “Ou seja, há fundos nossos mais ligados a equities, outros mais ligados à renda fixa e outros mais relacionados ao câmbio”, complementa.

“O que nós vemos na indústria em geral é que, apesar de toda a crise que passou, a exposição que os investidores tinham em ações não reduziu muito. A única aposta que diminuiu foi por parte de estrangeiros. Portanto, os investidores locais mantiveram sua exposição em ações durante todo este tempo”.

“Por conta disso, vimos um fluxo maior vindo para multimercados e não para fundos de ações. Eu até diria que o fluxo veio um pouco para produtos mais conservadores”, explica Figueiredo.

“Nos meses de março e abril, nós tivemos uma captação maior no nosso fundo conservador e agora está ‘meio a meio’, entre nosso fundo que é agressivo e o outro que é conservador. Contudo, nós sentimos que para ações o fluxo está muito baixo, tanto para cíclicas como defensivas – de uma forma geral”.


LLA Investimentos

A LLA Investimentos não possui fundos multimercados. No entanto, a administradora de recursos aloca o dinheiro de clientes em fundos deste tipo pertencentes a terceiros.

“Nossa proposta é montar uma carteira balanceada para o cliente, conforme o perfil de cada um”, declara o economista Sergio Manoel Correia, da LLA Investimentos.

Ele afirma que as aplicações nos fundos multimercados foram menores no ano de 2008. “Os mercados reagiram a cada dia a uma notícia negativa. As incertezas sobre os fundamentos econômicos diminuíram e, agora, há mais visibilidade e podemos realizar projeções. Ou seja, voltamos a apostar neste tipo de investimento”, explica Correia.

“Olhando para a economia brasileira, conseguimos atualmente observar mais fundamentos, e a tendência parece estar mais finalizada no câmbio, no movimento de apreciação do real frente ao dólar”, indica.

Aposta Principal

“Nós acreditamos que o dólar ainda irá se desvalorizar e não estranharíamos ver a divisa norte-americana negociada a R$ 1,80. Acho este cenário bastante razoável, exceto se ocorrer algum momento de aversão ao risco, ou seja, algo que não dá para controlar e que poderia reverter esta tendência. Se isso não ocorrer, apostamos sim na desvalorização do dólar”, diz Sergio Manoel Correia.

Menor Exposição

O economista da LLA Investimentos revela porque há menor exposição aos juros e ao mercado de ações.

Em relação ao juro, ele explica que a taxa com vencimento para janeiro de 2010, por exemplo, já está espelhando o comportamento do BC neste ano, precificando um corte de 0,75 ponto percentual na Selic que deverá ser realizado na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

Além disso, a taxa ainda projeta mais duas quedas de 0,50 ponto percentual até o fim de 2009, segundo Correia.

“Não é que os juros pré-fixados não oferecem oportunidades. Há possibilidades em termos de arbitragem, operações de trechos da curva. No entanto, uma posição direcional seca, que deu bastante resultado nos últimos meses, fica agora menos exposta, justamente por já precificar o comportamento do BC durante as próximas reuniões do Copom”, afirma Correia.

“Desta maneira, não há razões para apostar nisso. O mercado já precificou as próximas atuações do BC”, explica o economista da LLA.

Em se tratando de ações, Correia revela que “muitas pessoas têm feito estratégias de valor relativo, comprando determinados papéis que ainda não registraram a mesma performance do Ibovespa nos últimos meses”.

“A bolsa subiu muito e a qualquer momento poderemos observar um período de realização de lucros. Neste sentido, não há confiança de que a tendência de alta da bolsa brasileira continuará”, diz o economista.

“O que observamos é que há muitas pessoas com o dedo no gatilho, esperando o momento de realização. Desta forma, acho a Bolsa interessante no longo prazo. Já no curtíssimo prazo, talvez ocorra alguma valorização. No entanto, em seguida, haverá um forte movimento de realização de lucros”, prevê Correia.