Gestores elevam confiança na Bolsa, mas mantêm foco em setores defensivos, diz BBA

Levantamento mostra melhora no humor com o Ibovespa, mas investidores seguem cautelosos, concentrando apostas em utilities, bancos e consumo

Murilo Melo

Ativos mencionados na matéria

Notas de real em frente a um gráfico representam a volatilidade do mercado financeiro e da Bolsa de Valores  (Imagem gerada com auxílio IA/Leonardo Albertino)
Notas de real em frente a um gráfico representam a volatilidade do mercado financeiro e da Bolsa de Valores (Imagem gerada com auxílio IA/Leonardo Albertino)

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O humor com a principal Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, apresentou leve melhora em agosto, segundo levantamento do Itaú BBA com gestores de recursos. A pesquisa, chamada Investment Manager Survey – Brazil Equities, ouviu 131 investidores entre os dias 18 e 22 deste mês e mostra que quase metade espera que o Ibovespa encerre este ano entre 140 mil e 150 mil pontos.

Para os próximos seis meses, 69% dos entrevistados têm visão positiva, 25% estão neutros e apenas 5% pessimistas. O índice médio de confiança atribuído pelos participantes foi de 7,03 em uma escala de zero a dez, o segundo maior desde o início da série em 2024.

Os analistas do BBA afirmam que, no campo macroeconômico, os investidores estão divididos sobre quando o mercado passará a precificar uma mudança no ciclo de política monetária. A maior parte acredita que isso deve ocorrer apenas entre o quarto trimestre deste ano (4T25) e o primeiro trimestre de 2026 (1T26), um adiamento em relação à pesquisa anterior, que apontava 3T25 e 4T25.

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Mais da metade dos entrevistados disse ter uma visão negativa para as contas públicas brasileiras nos próximos 18 meses, citando aumento de gastos e piora do déficit primário. Ainda assim, a taxa nominal de 10 anos segue no radar com expectativa de queda para 12,9% em média, ante 13,2% na última edição do levantamento.

O posicionamento setorial mostra forte concentração em segmentos vistos como defensivos. Utilities (empresas de energia, água e saneamento) permanecem isoladas na liderança, com sobrepeso de 61,8%, seguidas por grandes bancos com 44,3% e pelo setor financeiro fora os “bancões”, que alcançou 35,1%. Construtoras e incorporadoras aparecem com 30,5% e o varejo com 22,1%. Também figuram entre os preferidos saúde, shoppings, bens de capital, transporte e logística e tecnologia.

Os analistas observam que as elétricas ainda são majoritariamente detidas por investidores locais, enquanto os gestores de São Paulo estão mais posicionados em consumo e construção e os do Rio de Janeiro em saúde. Gestores de hedge funds, segundo o banco, estão mais expostos a utilities e menos a grandes bancos do que os gestores long only (comprado em ações).

Na lista de menor exposição, os setores ligados a commodities lideram. Siderurgia e mineração aparecem com 48,1% de subpeso, seguidas por petróleo e gás com 36,6%. Educação, alimentos e bebidas e saúde também aparecem entre os menos demandados, este último de forma ambígua por figurar ao mesmo tempo na lista de sobrepeso.

Outros setores evitados foram consumo, papel e celulose, telecomunicações e até mesmo grandes bancos, ainda que em menor proporção. Para os analistas, essa divisão mostra que varejo e saúde estão entre os temas mais discutidos entre gestores, com presença simultânea em sobrepeso e subpeso.

Entre as ações individuais, Sabesp (SBSP3), BTG Pactual (BPAC11), Itaú (ITUB4), Eletrobras (ELET3; ELET6) e Nubank (BDR: ROXO34) foram as preferidas pelos investidores. O Nubank é apontado como o papel com maior potencial de valorização nos próximos seis meses. Tanto o banco digital quanto a Rede D’Or (RDOR3) entraram no grupo das dez ações mais mencionadas, substituindo Localiza (RENT3) e Suzano (SUZB3).

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Fatores relevantes

No que se refere aos vetores de mercado, política doméstica e a curva de juros locais foram apontadas como os fatores mais relevantes para os próximos seis meses, seguidos pelos juros globais. As preocupações fiscais e as tarifas comerciais dos Estados Unidos perderam espaço em comparação à pesquisa anterior.

Quanto aos riscos, a possibilidade de uma recessão global ou norte-americana continua sendo a mais mencionada, mas caiu de 62% para 36% das respostas. Já a aceleração de inflação e juros passou a ocupar o segundo lugar, citada por 31% dos participantes.

Fora do Brasil, o humor com as bolsas dos Estados Unidos melhorou. A avaliação média foi de 6,16 na escala de zero a dez, acima dos 5,04 do levantamento anterior e próxima dos maiores níveis observados no fim de 2024. Perguntados sobre qual país da América Latina, exceto o Brasil, têm a visão mais positiva, dois terços dos investidores escolheram a Argentina, seguida pelo Chile com 20%.