Gestora de recursos sugere menor exposição a emergentes e commodities

Melhora na economia reduz prêmios por risco e pede seleção mais cuidadosa de investimentos; renda fixa traz maior proteção

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SÃO PAULO – Se a crise econômica global não possui mais a dimensão catastrófica projetada há alguns meses, também os prêmios para quem está disposto a correr risco diminuíram. Neste momento, os investidores devem procurar a renda fixa e fugir dos mercados emergentes.

A conclusão é de Gordon Fowler, um dos administradores da gestora de recursos da Glenmede. Além das sugestões, o gestor revelou os dois pilares de sua estratégia de investimento – uma boa avaliação do cenário econômico e atenção aos valuations.

Leitura pessimista

Assumidamente pessimista, a avaliação de Fowler sobre a economia dos EUA lança dúvidas em relação à capacidade de manutenção do crescimento sustentado. Comparando os fundamentos econômicos aos de um carro, o gestor avisa que os freios (estímulos fiscais e monetários) funcionam o suficiente para não tirar o carro da pista, mas o acelerador pode falhar.

O analista leva em consideração o excessivo endividamento dos consumidores, que gradativamente transfere-se para o governo norte-americano. Embora no curto prazo a inflação não seja uma ameaça, a avaliação da gestora de recursos é de que os mercados forçarão a convergência das políticas monetária e fiscal para um patamar menos expansionista.

“Os mercados precisarão reagir com alguns resultados ruins e insistir para que o Fed haja”, diz Fowler, dando seu palpite no debate em torno da estratégia de saída a ser adotada pela autoridade monetária norte-americana.

Oportunidades

Mesmo neste cenário adverso, algumas companhias serão capazes de aproveitar oportunidades. Após terem protegido seus caixas, o CIO (Chief Investment Officer) da Glenmede avisa que empresas dos setores de energia, cuidados médicos e tecnologia estão bem posicionados para gastar de modo mais livre e suplantar companhias de posição financeira mais frágil.

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A despeito das projeções de crescimento lento, num futuro de juro e inflação mais elevados, “o mercado é formado por indivíduos que, em última análise, adaptam-se, sobrevivem e prosperam sob condições ásperas”, diz Fowler.

Atenção ao valor

Ao passo em que a avaliação dos mercados sobre a economia saiu do desastre para uma recuperação moderada, os papéis mais vulneráveis aos ciclos econômicos registraram desempenhos expressivos. Passados alguns meses desta retomada, seus preços encontram-se muito próximos do valor projetado por analistas.

Isto é uma característica do mercado em geral, avalia o gestor da Glenmede, que no entanto destaca que alguns papéis de maior qualidade ficaram para trás no movimento recente, escondendo os maiores prêmios à disposição no mercado.

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De todo modo, o analista sugere que os investidores elevam suas posições em ativos de renda fixa, especialmente os papéis da dívida corporativa de maior qualidade, assim como os de risco mais baixo entre os títulos de rendimentos elevados.

No caso das ações, a avaliação é oposta – Fowler recomenda ao investidor a realização de lucros com ativos relacionados a commodities, bem como a fuga de investimentos em países emergentes, especialmente na Ásia. “O mercado de dívida proporcionará maior proteção que o de ações, em caso de movimento de correção”, conclui o CIO.