Gestor traça forte cenário para Randon, mas vê questão da Fras-Le com incerteza

Sócio-diretor da Geração Futuro elogia governança da empresa e diz que mercado tem dificuldade em entender setor

SÃO PAULO – Queridinha entre as small caps, a Randon (RAPT4) também foi a ação destacada pelo sócio-diretor da Geração Futuro, Wagner Salaverry, como melhor investimento no momento.

Falando a investidores no 4º Congresso de Value Investing Brasil, Salaverry traçou perspectivas otimistas para a empresa. O curto prazo é bastante favorável para a Randon, que se vê com uma carteira de pedidos forte, boas condições de financiamento e um crescimento da frota de caminhões no País.

Salaverry destaca que a empresa cresce, mas não rápido o suficiente, e tem perdido market-share por isso. “Mas a Randon tem uma ampla linha de produtos para compensar uma safra ruim – e por isso consegue sustentar suas margens”, diz.

Segundo ele, o mercado tem certa dificuldade em compreender a Randon. “É complexo, são muitas empresas dentro de uma só, e o segmento é difícil”. A empresa, contudo, é líder em quase todos os segmentos em que atua, e conseguiu mudar seu porte nos últimos 10 anos, transformando-se em um benchmark mundial no ramo de autopeças graças a integração dos negócios.

Outro alvo de elogios foi a governança da Randon, apesar de ser uma empresa familiar. “A empresa parece caminhar para um novo ciclo de crescimento”, aponta Salaverry. Ele espera que a companhia anuncie em breve o novo plano de investimentos, que deve manter a disciplina de capital. “É [uma administração] muito low profile, não gosta de prometer, gosta de entregar”, completa.

A questão Fras-Le
Apesar de seu otimismo com a Randon, Salaverry reconheceu que a Fras-Le (FRAS4) ainda é uma questão não resolvida na empresa. A Fras-Le, segundo ele, “caiu no colo” da Randon na década de 1990 por dificuldades financeiras, e tem uma estrutura de negócios – e perfil de crescimento – diferente do restante da companhia.

Para o gestor, há dificuldades em visualizar qual será o futuro da Fras-Le. “Seria mais interessante fechar o capital dessa empresa, mas ela não se posiciona, e não parece inclinada a comprar participação de outros acionistas na empresa, então não vemos isso como mais provável”, explica.