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SÃO PAULO – Exaltando a elevação das vendas no segundo trimestre, André Gerdau Johannpeter e Osvaldo Schirmer, presidente e CEO (Chief Executive Officer) e vice presidente e diretor de RI da Gerdau (GGBR4), comentaram os resultados da companhia no período.
Divulgado esta manhã, o balanço da empresa mostrou lucro líquido de R$ 856 milhões, receita líquida de R$ 8,3 bilhões e Ebitda (geração operacional de caixa) de R$ 1,7 bilhão. Os números vieram bastante acima do apurado no mesmo período de 2009, e também superaram as projeções dos analistas consultados pela InfoMoney.
Já o CEO da empresa classificou os números como dentro de suas expectativas. Segundo os executivos, o tão comentado aumento do minério de ferro já se reflete nos resultados do segundo trimestre. “Nossos contratos são, em maioria, no curto prazo, então não temos muito problema com os clientes nesse aspecto. E como produzimos cerca de 50% de minério próprio, isso também ameniza um pouco”, explica.
Vendas
Segundo André Gerdau Johannpeter, foram produzidas 364 milhões de toneladas de aço no 2º trimestre, um avanço de 27% em relação ao ano anterior. A China seguiu como responsável por cerca de 45% desse volume, uma alta de 19% na base anual.
Para o executivo, o número reforça que os emergentes e os desenvolvidos vivem realidades econômicas diferentes – destacando que as perspectivas positivas para a indústria de aço se devem principalmente aos primeiros.
Atendendo a esta demanda, as vendas físicas da companhia foram o destaque positivo do resultado, marcando avanço de 30% em relação ao ano anterior. Isso, segundo Johannpeter, é explicado pela recuperação dos mercados, crescimento de vendas no Brasil e no volume de aços especiais, e também nos mercados norte-americano e espanhol.
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No semestre, a Gerdau já soma 8,4 milhões de toneladas comercializadas. Em relação ao aço bruto, o montante já atinge 4,7 milhões de toneladas, uma alta de 52% frente a 2009.
Além disso, o segmento de aços especiais mostrou alta de 73% nas vendas físicas, impulsionadas por recordes de produção e bons níveis de demanda nos EUA em 2010 por automóveis, além de uma diluição de custo fixo de produção. Johannpeter afirmou acreditar que o patamar de venda de 727 mil toneladas de aços especiais atingido no trimestre é sustentável. “Nos parece que sim. Grande parte é Brasil, e nos EUA também está operando forte. Espanha pode ter um pouco de queda, mas perspectiva é de manutenção desses níveis”.
O diretor de RI ainda destacou o Chile entre os melhores desempenhos da região. Somando o resultado do Chile ao da Argentina, a receita superou R$ 900 milhões, com maiores volumes vendidos e maior receita líquida por tonelada vendida. Outro ponto positivo foi o desempenho da Coquecol, na América Latina – que, contudo, pode não se manter no novo quarto, prejudicando levemente as margens.
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2º semestre positivo
Para ambos os executivos, a segunda metade de 2010 deve ser bastante positiva para a companhia. Apesar de admitirem que é possível que a desaceleração chinesa e fatores sazonais, como estocagem, afetem um pouco o desempenho, Johannpeter e Schirmer esperam uma recuperação de volumes no 3º trimestre do ano.
“O consumo de aço deve atingir 1,2 bilhão de toneladas no mundo em 2010, uma alta de 11% na base anual”, explicou o CEO. No Brasil, as perspectivas também são bastante positivas: o consumo do metal deve atingir o patamar recorde de 25 milhões de toneladas, representando uma alta de 34% sobre 2009. “No longo prazo, a demanda deve aumentar”, completou o executivo.
A projeção para as exportações segue a mesma linha otimista, com “patamares expressivos” apoiados no crescimento robusto da América Latina. A expectativa é que o consumo na região avance 14%.
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Além disso, Johannpeter espera que a indústria automobilística norte-americana se aproxime de patamares pré-crise. No Brasil, essa indústria também deve ser positiva.
Brasil
Com uma tendência positiva no setor de construção, Schirmer traçou projeções otimistas para o Brasil. “O consumo continua bem ativo na ponta, trazendo boas perspectivas daqui para frente”, afirmou.
Sobre as margens no País, afetadas no trimestre por pressões nos custos e despesas gerais e administrativas, os executivos frisaram que a recuperação se dará com volumes. “A redução de custos interna já foi feita, houve uma leve altas nas despesas gerais. A tendência é que se trabalhe com ligeira recuperação de margens, mas dependendo muito do volume. A volatilidade é maior com insumos, especialmente o carvão. A melhor recomendação para modelagem é de manutenção de margem, não melhoras”, explicam.
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Ainda sobre as margens, o CEO destacou que ainda existe uma “expressiva preocupação” do setor com preços de matéria-prima e insumos.
Ameristeel e ampliação de investimentos
Os executivos comentaram ainda a proposta da Gerdau para aquisição na participação minoritária da Ameristeel. “O acordo é definitivo”, afirma Schirmer, apontando que a proposta já foi aprovada de forma unânime pelo conselho de administração da Ameristeel e por um comitê especial de acionistas. Ele afirmou também que a aquisição não afetará a posição de caixa da empresa, deixando a relação dívida líquida/ Ebitda em níveis “absolutamente confortáveis”.
A operação, estimada em US$ 1,6 bilhão, deve ser concluída até o final de agosto – além de uma assembleia geral com os acionistas, marcada para o próximo dia 10, o negócio ainda deve passar pelo crivo da justiça norte-americana e pelos órgãos reguladores do mercado norte-americano e canadense.
Já em relação aos investimentos, os executivos afirmaram que o montante de R$ 9,5 bilhões, antes previsto para o período de 2010 a 2014, foi ampliado para R$ 11 bilhões. Cerca de 80% dessa cifra fica no Brasil, com destaque para um laminador de aços longos especiais (R$ 350 mi) para atender a indústria automobilística, que deve entrar em operação em 2012, e um laminador de rolos, com entrada em produção prevista para 2013 para atender a construção civil e a indústria (R$ 490 milhões).
Ainda no assunto, os investimentos em mineração foram ampliados de R$ 352 milhões para R$ 533 milhões, adicionando-se a uma unidade de tratamento de minério de ferro uma estrutura logística para Ouro Branco. A capacidade anual da unidade deve atingir 7,2 milhões de toneladas em 2012, segundo a Gerdau.
Cabe lembrar que a empresa já havia anunciado um laminador de bobinas à quente para Ouro Branco – que, em conjunto com outro laminador de chapas grossas, soma investimentos de R$ 2,4 bilhões para atender a demanda da indústria petrolífera, naval, de construção e equipamentos pesados.
Segundo o CEO, o novo projeto de laminados planos deve não só atender a crescente demanda, mas também melhorar a rentabilidade da Aço Minas, já que a empresa deixa de vender chapas para vender laminados.