Destaques da Bolsa

Gerdau dispara 10%, Vale salta 5% e Petrobras tem 3ª queda seguida; Ecorodovias afunda 8%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa teve forte volatilidade nesta segunda-feira, à véspera de feriado no Brasil, em sessão de fraco volume financeiro. O índice, que se firmou no campo positivo nesta tarde, fechou com alta de 0,80%, a 59.657 pontos, acompanhando os índices americanos Dow Jones e S&P 500. No intraday, no entanto, o benchmark atingiu alta de 1,31% e queda de 1,46% em seus extremos. 

Na ponta positiva, os destaques ficaram com as ações de commodities. As siderúrgicas e Vale disparavam até 10% nesta sessão, apesar da queda dos preços do minério de ferro na China. No radar, a CSN divulgou prejuízo de R$ 106,6 milhões no 3° trimestre, recuo de 80% na comparação com o mesmo período do ano passado. A maior alta foi a ação da Gerdau, em meio à euforia dos investidores com a possibilidade de maiores investimentos em infraestrutura nos Estados Unidos com a vitória de Donald Trump. 

Do outro lado, as ações da Ecorodovias desabaram 8%, seguidas pelos papéis da Rumo, que afundaram 5%. Em comum, esses papéis têm sido afetados nos últimos dias em meio às perspectivas de que o Banco Central o ciclo de cortes de juros no Brasil poderá demorar mais do que o previsto. Completando o trio das maiores quedas do dia, a Suzano viu seus papéis virarem para queda após alta de 3,6%. A ação perdeu força na Bolsa mesmo em dia de alta do dólar frente ao real. O dólar comercial encerrou a sessão com valorização de 1,43%, a R$ 3,4408 na venda.  

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 16,27, -0,37%; PETR4, R$ 14,00, -0,07%)
As ações da Petrobras tiveram pregão extremamente volátil nesta segunda-feira, com liquidez reduzida na Bovespa por conta do feriado no Brasil na próxima terça-feira. 
No pior momento do dia, os papéis chegaram a cair mais de 3%. Com o movimento, as ações registraram sua terceira queda seguida, na esteira dos preços do petróleo no mercado internacional. O contrato do petróleo Brent recuava 0,94% nesta sessão, a US$ 44,33 o barril, enquanto o WTI caía 1,31%, a US$ 42,83 o barril.   

No radar, a produção de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil em outubro somou 2,68 milhões de barris de óleo equivalente (boed), informou a companhia nesta sexta-feira, enquanto a produção total, incluindo no exterior, somou 2,81 milhões de boed.

A produção média de petróleo da estatal no país foi de 2,19 milhões de barris por dia, queda de 2 por cento ante setembro, quando houve recorde de produção, recuo provocado principalmente por paradas para manutenção.

Além disso, a Petrobras teve a cobertura iniciada pelo Scotiabank com recomendação sector perform e preço-alvo de US$ 12,50 para o ADR. 

Vale (VALE3, R$ 26,46, +1,85%; VALE5, R$ 24,72, +4,70%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 14,45, +1,05%) – holding que detém participação na mineradora – subiram, após abertura turbulenta neste pregão, que levou as ações da Vale para queda de até 1,6%. A alta veio na contramão dos preços do minério de ferro, que tiveram dia de realização e caíram 2,56% no Porto de Qingdao, na China, voltando a US$ 77,77 a tonelada.  

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Da mesma forma, as ações das siderúrgicas ganharam força na Bolsa, após derrocada nesta manhã. Entre as maiores altas do Ibovespa figuraram as ações da Gerdau (GGBR4, R$ 13,35, +10,42%), puxadas pela recuperação dos preços do aço no exterior e das perspectivas para os negócios da empresa nos EUA, diante das expectativas de investimentos em infraestrutura nos Estados Unidos sob o governo Trump. Na esteira, apareceram as ações da Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,22, +7,41%), CSN (CSNA3, R$ 10,96, +5,18%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,22, +7,65%). 

No radar da CSN, a companhia reportou nesta segunda-feira prejuízo líquido de R$ 106,6 milhões no terceiro trimestre de 2016, ante resultado líquido negativo de R$ 533 milhões no mesmo período de 2015. A receita da companhia subiu 13,6% no período, para R$ 4,47 bilhões. Segundo o BTG Pactual, o resultado veio forte do lado operacional, com destaque para os preços do aço/minério, e performance de custos. Os analistas ressaltaram que seguem cautelosos com o case do lado dos fundamentos, mas que acreditam que as ações vão continuar performando bem no curto prazo. 

O conselho de administração da empresa aprovou ainda a reapresentação e republicação voluntária das demonstrações financeiras de 2015 para assumir totalidade dos ganhos da combinação da Congonhas Mineração exclusivamente à CSN.

Por fim, o jornal O Estado de S. Paulo informa que, um ano após dar início a conversas para se desfazer de parte dos ativos da siderúrgica, na tentativa de reduzir a pesada dívida da empresa, Benjamin Steinbruch voltou atrás na decisão. O empresário, que chegou muito perto de vender um dos seus negócios de logística mais cobiçados – o terminal de contêineres Sepetiba Tecon, no Rio de Janeiro, em uma operação avaliada em quase R$ 1,5 bilhão –, aposta agora na busca de um sócio minoritário para sua divisão de mineração para garantir fôlego financeiro ao grupo siderúrgico.

Afetadas pela Selic
Prejudicadas por expectativas de que o BC terá que reduzir o ritmo de corte da Selic, as ações da Ecorodovias (ECOR3, R$ 7,50, -7,98%) e Rumo (RUMO3, R$ 5,25, -4,72%) desabaram novamente na Bolsa. Nos últimos três pregões, esses papéis caíram 16% e 22%, respectivamente. Após turbulência gerada pelas eleições de Trump nos EUA, economistas já incorporam em suas projeções uma taxa Selic mais alta para o fim deste ano. Na pesquisa Focus desta segunda-feira, as expectativas dos economistas para a Selic no final de 2016 passou de 13,50% para 13,75%. 

No caso da Rumo, ela é afetada por ser fortemente alavancada. Ou seja, uma Selic maior encareceria sua receita financeira. Já a Ecorodovias faz parte do grupo de empresas, que possuem fluxo de caixas previsíveis por trabalharem com grandes projetos com valuations próprios. Então, sendo a TIR (Taxa Interna de Retorno) de um projeto conhecida, sua atratividade é muito determinada pela diferença entre a Selic e essa TIR. Por isso, quanto maior a Selic, menor a atratividade dessas ações. 

Construtoras
As ações das construtoras afundam na Bolsa nos últimos pregões, entre “efeito-Trump” e balanços fracos do 3° trimestre. O índice Imobiliário da BM&FBovespa, que compila as ações do setor, acumula hoje queda de 12% nos últimos 4 pregões, na sua pior sequência desde 2011.

Entre as ações que contribuem para esse movimento, a MRV Engenharia vê suas ações desabarem 11% nos últimos quatro pregões. Na última quinta-feira, a unidade da MRV, Log Commercial, cancelou seu processo de IPO (Initial Public Offering) no Brasil. Na quarta-feira passada, a companhia reportou lucro líquido de R$ 149,8 milhões no 3° trimestre, crescimento de 5,4% na comparação com o mesmo período de 2015. Analistas do Banco do Brasil, no entanto, classificaram o resultado como positivo, e mudaram a recomendação da companhia para “outperform” (desempenho acima da média). 

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Já a ação da Cyrela caiu 2,4%, acumulando queda de 18% em quatro dias. A companhia reportou na última quinta-feira prejuízo líquido de R$ 14,4 milhões, crescimento de 89% na mesma comparação anual. Analistas do Bradesco BBI mantiveram a recomendação de “underperform” (desempenho ab4aixo da média) da ação, citando altos níveis de distratos pesando no fluxo de caixa livre e queda de margens recorrentes. 

A Gafisa, por sua vez, acumula perdas de 23% em cinco dias. Na terça-feira, Gafisa reportou prejuízo de R$ 72,6 milhões no período, revertendo lucro líquido de R$ 13,5 milhões um ano antes. Analistas do Credit Suisse disseram que nível mais baixo de “backlog” (carteira de pedidos) indica que prejuízos líquidos devem persistir.

Cemig (CMIG4, R$ 8,19, +3,41%)
As ações da Cemig dispararam até 6,9% nesta sessão, após divulgação de balanço. A companhia obteve no terceiro trimestre lucro líquido de R$ 433,502 milhões, o que representa um aumento de 159,6% sobre os R$ 166,954 milhões do mesmo período do ano passado.

A empresa de energia mineira apresentou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – ou Lajida) 84,27% maior, para R$ 1,192 bilhão, contra R$ 647,198 milhões no terceiro trimestre de 2015. A margem Ebitda foi a 24,38%, ante 13,53% em igual intervalo do ano anterior. Em relatório de resultados, a administração da Cemig explica que o motivo principal foi a redução da despesa com compra de energia em 2016 e a reversão de provisão de R$ 167 milhões da opção de venda da controlada Parati, que faz parte do bloco de controle da Light.

A receita líquida da Cemig cresceu 2,31%, para R$ 4,894 bilhões no período. A despesa financeira líquida aumentou para R$ 422 milhões no terceiro trimestre, de R$ 281 milhões no mesmo período de 2015.

A energia comercializada totalizou 13.841 GWh, 3,63% acima do mesmo intervalo do ano passado, no critério consolidado. As vendas de energia para consumidores finais (excluindo consumo próprio) foram a 10.826 GWh, queda de 4,32% sobre o terceiro trimestre de 2015. Já para distribuidoras e comercializadoras, geradoras e produtores independentes, as vendas alcançaram 3.007 Gwh, alta de 47,92% na mesma comparação. Ao final de setembro, a Cemig detinha 8,228 milhões de clientes faturados, número 2,1% maior que a base de consumidores de um ano antes.

BM&FBovespa (BVMF3, R$ 16,75, -1,47%)
Resultados operacionais fracos e uma provisão para possível perda numa disputa judicial produziram um lucro decepcionante no terceiro trimestre da BM&FBovespa, que também anunciou que vai emitir 3 bilhões de reais em debêntures para pagar a compra da Cetip. Maior operadora de bolsas da América Latina, a BM&FBovespa anunciou nesta sexta-feira que teve lucro líquido de 292,7 milhões de reais no período. A previsão média de analistas ouvidos pela Reuters era de lucro de 468,3 milhões de reais.

O resultado representou uma queda de 85,5 por cento sobre um ano antes, mas a comparação é prejudicada porque então o lucro tinha sido inflado por um ganho extraordinário.

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Operacionalmente, o resultado foi enfraquecido pela queda dos volumes negociados no segmento BM&F, sobretudo derivativos. De julho a setembro, a receita líquida da empresa somou 559,1 milhões de reais, queda de 6,5 por cento sobre um ano antes. Além disso, a companhia constituiu uma provisão de 238,5 milhões de reais, valor sobretudo referente a uma disputa judicial com uma corretora que teve sua chance de perda alterada de possível para provável. O montante inclui honorários de advogados.

O lucro só não caiu mais porque a BM&FBovespa viu seu resultado financeiro atingir 221,5 milhões de reais no trimestre, alta de 157,5 por cento ano a ano, refletindo o aumento do caixa, com recursos da venda de ações do CME Group. Além disso, as despesas operacionais no período caíram 5 por cento no comparativo anual, para 155,5 milhões de reais.

A empresa também anunciou que seu conselho de administração deu aval para captação de 3 bilhões de reais com a emissão de debêntures, para pagar a operação de união dos negócios com a Cetip, anunciada mais cedo neste ano. As debêntures são da espécie não conversível e têm prazo de 3 anos.

Apesar da queda do lucro, o Bradesco BBI afirmou que os “resultados reforçam nossa visão de que BVMF3 é a top pick no setor, uma vez que vemos a empresa como a principal beneficiária de uma recuperação nos mercados de capitais brasileiros, que ainda é nosso cenário-base”.

Braskem (BRKM5, R$ 27,67, -1,64%)
A Braskem anunciou na semana passada lucro líquido atribuível aos acionistas controladores de R$ 889,43 milhões no terceiro trimestre, queda de 43,2% sobre o mesmo período do ano passado. A receita líquida da empresa totalizou R$ 12,16 bilhões no trimestre, queda de 7,6% na comparação anual.  

Oi (OIBR3, R$ 2,23, -3,04%; OIBR4, R$ 2,20, +4,76%)
O noticiário para a Oi é movimentado. O escritório Dechert LLP anunciou a formação de um novo grupo de credores da Oi constituído pela maioria dos membros da Moelis, segundo comunicado.

O novo grupo é formado por várias firmas de investimentos que detém mais de US$ 1,5 bilhão em dívidas da empresa e o objetivo do grupo é buscar uma reestruturação consensual. O grupo é representado por Allan Brilliant do Dechert nos EUA, Marcelo Carpenter do Sergio Bermudes no Brasil e Frederic Verhoeven do Houthoff Buruma na Holanda.

Vale destacar que, segundo o jornal O Globo, o fundo Elliott pretende fazer um aporte de R$ 10 bilhões na Oi para ter 60% das ações, em uma oferta desenhada com ajuda do Boston Consulting Group e da gestora francesa Lazard, que atua como consultor financeiro. Pela proposta, os atuais acionistas ficariam com 20% da Oi e os credores internacionais com os 20% restantes. A oferta foi bem recebida, diz o jornal citando a fonte. Outro fundo, o Aurelius, atraiu novos bondholders para seu plano de vetar qualquer acordo e pedir a falência das empresas do Grupo Oi na Holanda. As empresas não retornaram o contato do jornal.

Em outra reportagem, O Globo diz que o empresário egípcio Naguib Sawaris, também interessado na Oi, já acertou a participação de um conglomerado chinês e de um fundo de investimento dos EUA, não identificados pela reportagem. Sawaris virá ao Brasil em duas semanas para se reunir em São Paulo com parte dos credores e ir a Brasília onversar com a Anatel e outros representantes do governo, segundo o jornal. A KPMG estaria participando das conversas como assessora. Ainda na edição impressa de O Globo, colunista Ancelmo Gois diz que estima-se que o mercado segurador possa ter que arcar com um rombo de cerca de R$ 4 bilhões com a eventual falência da Oi.

Já o jornal Valor Econômico informa que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) está analisando em detalhes a validade do acordo entre os acionistas da Oi, Pharol, e Nelson Tanure, sobre a formação do conselho de administração da companhia, bem como seus desdobramentos e consequências.

Sabesp (SBSP3, R$ 27,50, +1,44%)
As ações da Sabesp tiveram sua recomendação elevada para sector perform pelo Scotia Bank. Cabe lembrar que a ação da companhia teve forte queda de 16,17% na semana passada apesar dos bons resultados, em meio à aversão ao risco com o efeito Donald Trump sobre os mercados brasileiros. A ação é prejudicada por um cenário de valorização do dólar (como visto semana passada após vitória de Trump), dado que seu endividamento é em moeda americana. 

Lojas Americanas (LAME4, R$ 16,89, -1,17%)
A Lojas Americanas tem interesse na aquisição das operações da BR Distribuidora como um todo, e não apenas em uma parcela do negócio, afirmou ontem o diretor financeiro, Luiz Saraiva. Ele negou que o interesse da Lojas Americanas seria apenas no negócio de lojas de conveniência, como foi noticiado em outubro.

“Achamos que a BR Distribuidora é algo extraordinário e estamos olhando como um todo, e não em uma frente específica”, disse. O executivo não quis detalhar se uma possível aquisição da BR Distribuidora poderia ser feita pela varejista em conjunto com algum outro sócio.