Geithner: Europa vai agir “com mais força” para combater a crise

Secretário do Tesouro dos EUA previu anos difíceis para a Zona do Euro, cujas reformas financeiras são um "longo desafio"

Publicidade

SÃO PAULO – A crise europeia e a preocupação mundial acerca da efetividade do sistema político norte-americano para enfrentar o lento crescimento econômico são ‘duas nuvens’ que ofuscam os Estados Unidos, segundo o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner. Por isso, declarou que os Estados Unidos têm grande interesse na resolução da crise.

“Os Estados Unidos não podem ser a única fonte de crescimento para o mundo”, afirmou o chairman nesta quinta-feira (22). Geithner mostrou-se confiante na capacidade dos países da Zona do Euro em estabelecerem os acordos necessários para a recuperação da região, sendo que o FMI (Fundo Monetário Internacional) possiu uma “capacidade substancial para ajudar”.

Anos difíceis pela frente
Geithner reafirmou a capacidade dos países europeus em cumprirem seus compromissos fiscais e previu que a Europa irá agir “com mais força” nos próximos meses para combater a crise de dívida que prejudica o crescimento global. “É um desafio difícil por que não é somente uma questão de suporte financeiro”, disse.

“O apoio financeiro é uma condição necessária, mas não basta. É preciso avançar com reformas, que devem ser implementadas pelos governos, para que os investidores tenham um incentivo para permanecer”, acrescentou. O secretário previu “anos e anos de difíceis pressões financeiras”, no que tende a ser um “longo desafio” para as economias europeias. 

“Mas eles precisam desta barreira mais ampla para garantir que a Europa está mais protegida contra as pressões externas, que são inevitáveis”, afirmou.

Grécia
O governo grego comprometeu-se, nesta quinta-feira, a acelerar os cortes orçamentários e manter os empréstimos para emergências, prolongando as medidas de austeridade que aprofundaram a recessão e falharam em aliviar as dúvidas de que é possível evitar um default. 

Para Geithner, a crise na Grécia é maior porque a Europa tenta construir um orçamento fiscal para a união monetária da região. “Há um amplo reconhecimento de que sem os maiores complementos fiscais e financeiros, o quadro não irá melhorar”, disse Geithner.