Geithner diz que governo precisa ser agressivo e prevê início de PPIP em julho

Programa de Investimento Público-Privado usará até US$ 100 bilhões para financiar venda de US$ 1 trilhão de ativos podres

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SÃO PAULO – Voltando a falar sobre os planos de livrar os balanços de bancos norte-americanos de ativos ilíquidos, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, afirmou nesta quarta-feira (20) que programas governamentais com esse objetivo devem começar dentro das próximas seis semanas.

Em discurso preparado para ser apresentado ao Senado, Geithner declarou que o PPIP (Programa de Investimento Público-Privado, na sigla em inglês) usará entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões de recursos do governo para financiar a venda de até US$ 1 trilhão de ativos podres, contando, para tanto, com o apoio do Federal Reserve e da FDIC (Federal Depositi Insurance Corporation).

Ao contrário do previsto no final de março, o secretário do Tesouro afirmou que ainda dispõe de US$ 124 bilhões dos recursos do Tarp (Troubled Asset Relief Program), sendo US$ 25 bilhões desse montante correspondentes a pagamentos que devem acontecer até o final do ano. A informação anterior era de que os recursos disponíveis somavam US$ 135 bilhões.

Outros programas

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Além de novos planos para a retirada de títulos ilíquidos do balanço dos bancos, o governo norte-americano também se preocupa com a expansão de programas já existentes, de forma a estabilizar o sistema financeiro.

“Nossa obrigação central é assegurar que a economia é capaz de se recuperar o mais rápido possível e um pré-requisito para isso é um sistema financeiro estável que é capaz de fornecer o crédito necessário para a recuperação da economia”, afirmou Geithner, concluindo que “nosso trabalho ainda não está completo”.

Segundo o secretário do Tesouro, o governo irá continuar a monitorar e melhorar os programas relativos a ABS (Asset-Backed Securities), tanto no sentido de tornar novas classes de ativos elegíveis quanto para aumentar o número de instituições e indivíduos participantes.

Montadoras

Em relação aos desdobramentos dos problemas das montadoras dos Estados Unidos, Geithner informou que a administração de Obama está trabalhando no caso da General Motors, que tem até o início de junho para apresentar um plano de reestruturação sustentável.

“Nós continuaremos a trabalhar com a GM e seus stakeholders até o prazo do dia 1º de junho”, declarou o secretário do Tesouro, completando que o governo continuará com esforços significativos no sentido de assegurar o financiamento a firmas confiáveis.

Melhora da economia

Geithner afirmou ainda a importância dos indicadores que têm mostrado o início de uma recuperação da economia norte-americana. Conforme explicado em seu discurso, o Departamento do Tesouro está buscando métricas adequadas para julgar a saúde dos mercados de forma a determinar se novas ou diferentes medidas são necessárias.

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Referindo-se às conclusões dos testes de estresse de 19 dos maiores bancos norte-americanos e às medidas adotas para fortalecer o capital dessas instituições, Geithner voltou a declarar que a maioria das firmas tem mais capital do que o necessário para serem consideradas bem-capitalizadas pelos reguladores.

Entretanto, o secretário do Tesouro norte-americano afirmou que a estabilidade do sistema financeiro por si só não basta. “Nós precisamos de um sistema financeiro que não está aprofundando ou prolongando a recessão e, uma vez que as condições para a recuperação forem alcançadas, nós precisaremos de um sistema financeiro que é capaz de fornecer crédito na escala que uma economia em crescimento requer”.

Geithner concluiu seu discurso afirmando que, para alcançar esses objetivos, o governo precisa agir de forma agressiva, assumindo riscos, reformando o sistema regulatório, e protegendo os contribuintes.