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Estados Unidos

Geithner diz em novo livro que os EUA consideraram nacionalizar bancos

O ex-secretário do Tesouro discordou quando Lawrence Summers sugeriu ao presidente Barack Obama que "nacionalizasse preventivamente" bancos como o Citigroup

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O ex-secretário do Tesouro Timothy F. Geithner disse em seu novo livro que membros da administração Obama “falaram abertamente” em nacionalizar bancos como o Citigroup Inc. após a crise financeira, conforme um artigo publicado na revista do New York Times.

Geithner discordou quando Lawrence Summers, então diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, sugeriu ao presidente Barack Obama que a administração “nacionalizasse preventivamente” bancos como o Citigroup e o Bank of America Corp., ou que tentasse constrange-los para que mudassem suas estruturas salariais, segundo o Times. O artigo inclui citações do livro “Stress Test: Reflections on Financial Crises” (“Prova de resistência: reflexões sobre a crise financeira”, em tradução livre) e entrevistas com Geithner.

Geithner temia “alimentar expectativas irrealistas sobre nossa capacidade de erradicar a extravagância na indústria financeira”, conforme escreveu no livro, que será publicado nos Estados Unidos em 12 de maio.

“Eu não via Wall Street como uma camarilha de idiotas ou patifes”, escreveu Geithner. “Os trabalhos que tive me expuseram quase sempre a banqueiros seniores talentosos, e um viés seletivo provavelmente me deu a impressão de que o setor financeiro dos EUA era mais capaz e ético do que realmente era”.

Geithner, 52, foi Secretário do Tesouro no primeiro mandato de Obama e um dos funcionários cruciais no combate da pior crise financeira desde a Grande Depressão. Em 2008, como presidente do Banco da Reserva Federal em Nova York, ele foi de vital importância nas decisões de resgatar a seguradora American International Group Inc. e de permitir que a Lehman Brothers Holdings Inc. fosse à falência.

Recusa a demitir CEO
Geithner também disse que ele se recusou a demitir Kenneth Lewis, então CEO do Bank of America, segundo o artigo do Times.

Geithner escreveu que a princípio ele estava “em desacordo” com o então Secretário do Tesouro, Henry Paulson, e com o então presidente do Fed, Ben S. Bernanke, quanto ao resgate da Lehman Brothers antes do fim de semana de setembro de 2008 em que os reguladores buscaram uma solução, de acordo com o artigo.

“Eu sentia que seus conselheiros estavam puxando-os para a conveniência política” e que estavam “tentando distanciá-los das medidas impalatáveis que tínhamos tomado e das medidas ainda mais impalatáveis que eu pensava que teríamos que tomar em breve”, escreveu ele.

Resgate da Lehmam
Geithner estava preocupado com que a insistência pública de Paulson em que os contribuintes não resgatassem a Lehman Brothers pudesse minar a capacidade do governo de realizar um resgate caso fosse necessário, informou o Times, citando “Stress Test”. Geithner preferia transmitir a mensagem de que um resgate poderia estar disponível, o que teria tornado o banco de investimento mais desejável para um comprador potencial.

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“Afinal, esses desacordos não tiveram consequências”, escreveu Geithner. Ele elogiou Paulson e Bernanke pela “coragem”.

Geithner, que se uniu à empresa de private-equity Warburg Pincus LLC neste ano, disse no livro que, a princípio, ele e Summers se opuseram à proibição imposta pela lei Volcker às operações com recursos próprios e que seu apoio daquela foi “com toda certeza, político”.

Ele disse em uma entrevista ao Times que “não estava interessado” em substituir Bernanke como presidente do Fed após sair do Tesouro e que, no começo, teve dificuldades em relação ao que fazer com sua carreira depois de sair do governo, embora não quisesse “trabalhar para um banco ou empresa que tivéssemos regulado ou resgatado diretamente”.

Geithner disse que tentou se demitir do cargo de secretário “em várias ocasiões”, porém Obama não quis “liberá-lo”, segundo o artigo escrito por Andrew Ross Sorkin.

Quanto ao legado dos resgates, Geithner rejeitou as críticas de que o Programa de Alívio de Ativos Problemáticos tenha beneficiado os ricos em vez dos americanos comuns.

“O argumento de que havia uma forma de proteger as pessoas de algum modo, sem fazer nada que desse a impressão de estar protegendo os bancos, era confuso e equivocado”, disse Geithner ao Times. “E a acusação de que nossa motivação era ajudar os bancos é de certa forma ofensiva para as pessoas que trabalhavam comigo e, definitivamente, para o presidente”.