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SÃO PAULO – A cena não é incomum: o consumidor chega ao posto e, quando diz ao frentista que quer abastecer com gasolina, logo em seguida vem a pergunta: aditivada ou comum? Poucos sabem a diferença de desempenho entre ambas: o primeiro dado que avaliam é o preço.
Quando a diferença pelo valor cobrado é pequena, por que não preferir a que aparenta ser de melhor qualidade? Mas fique atento e veja quando vale a pena gastar um pouco a mais e como esse tipo de combustível influencia no desempenho de seu veículo.
Diferença
Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a diferença entre ambos os tipos é a presença de uma espécie de detergente na composição da aditivada, que acaba por limpar o sistema de alimentação do combustível do veículo.
Antônio Cirilo, professor de automobilística da Escola Senai Mariano Ferraz, na Vila Leopoldina, afirmou que, na média, os dois tipos de gasolina possuem o mesmo poder de combustão. Com o diferencial desse agente de limpeza, no entanto, demora mais tempo para a parte interna do veículo ficar com aquela sujeira semelhante ao carvão.
“Isso, mais tarde, traz problema na pré-ignição. Fica um barulho de pino no motor, um som metálico”, explicou, adicionando que, quando isso ocorre, o motorista deve providenciar uma limpeza no sistema. “O motor tem que ser aberto, é necessário fazer uma retífica de cabeçote”, afirmou.
Segundo Cirilo, essa prestação de serviço normalmente custa R$ 800. “Claro que depende de outros fatores para isso, mas levando só em conta a gasolina, sem ser aditivada, o carro apresentará esses sintomas após 50 mil quilômetros rodados”, adicionou.
Anti-corrosivo e capacidade de combustão
Existem ainda gasolinas aditivadas que, além do poder de limpeza, possuem anti-corrosivos, que melhoram o desempenho do motor e, conseqüentemente, economizam de 2% a 4% do combustível.
“Nesses casos o motor trabalha mais livre”, explicou, lembrando a vantagem de que esse componente protege mais as peças da engrenagem.
Pode alternar?
Outra dúvida que pode surgir é: é possível utilizar alternadamente os dois tipos de gasolina? De acordo com o professor, a prática não traz qualquer problema.
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O que ocorre, explicou, é que, quando o tanque contiver um pouco da aditivada e, em seguida, receber a comum, o poder de limpeza acabará diminuindo.
Informe-se sobre o seu veículo
Então, você descobriu o que precisava: agora, nada de gasolina comum. Mas não é bem assim que as coisas funcionam. Determinadas fabricantes, já preparadas para a utilização do combustível convencional, acabam adequando o sistema dos veículos para responderem melhor a essa composição química.
Se o consumidor utilizar o produto com esse “detergente” o resultado pode ser contrário: a injeção eletrônica do carro será prejudicada e o que era consideradoo uma economia acaba se tornando um problema.
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Por isso, orientou Cirilo, o melhor é ler atentamente o manual do usuário para descobrir que tipo de combustível o seu carro pede. “É ele que vai dizer o que é melhor para o desempenho”, orientou.
Carro é para usar
O professor ainda afirmou que, ao contrário do que se pensa, deixar o carro guardado na garagem, na tentativa de conservá-lo, é um grande erro. O motivo é que óleos lubrificantes também possuem esse detergente, capaz de fazer uma limpeza no sistema interno do automóvel.
No entanto, ele só é ativado quando o veículo é utilizado por um tempo e seus dispositivos internos ultrapassem os 80 graus Celsius. “Quem utiliza o carro só para ir à padaria acaba tendo que fazer a limpeza mais cedo”, explicou.