Gás natural produzido no Brasil deve ficar 10% mais caro em janeiro

Reajuste é motivado pela alta do petróleo e não exclui o encarecimento de até 25% anunciado pela Petrobras

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Independentemente do anúncio feito pela Petrobras de que haverá um reajuste de 15% a 25% no preço do gás natural vendido às distribuidoras nos próximos dois anos, já em janeiro próximo, o combustível produzido no País deve ficar 10% mais pesado aos revendedores. Conforme expectativa da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia de Consumidores Livres), o motivo é a alta no preço do barril de petróleo, que bateu os US$ 100 no mercado internacional.

“A metodologia de reajustes que a Petrobras usa leva em consideração uma cotação de cestas de óleos combustíveis”, justificou o coordenador de energia térmica da entidade, Clóvis Correia Júnior. Haverá um repasse ao consumidor, mas em menor proporção. “O aumento é absorvido ao longo da distribuição”, explicou Correia. Além disso, o peso do aumento varia conforme a destinação do produto: industrial, residencial ou automotivo, por exemplo.

Consumo nacional

O consumo nacional do produto é dividido igualitariamente entre produção própria e importação boliviana. No primeiro caso, o abastecimento é direcionado aos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, além do Nordeste. Em toda a região abaixo de São Paulo, além de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o combustível vem do país vizinho. Atualmente, segundo a Abrace, o milhão de BTU [unidade térmica britânica] dos dois tipos custa quase a mesma coisa, em torno de US$ 6,2.

Caso esse aumento de 10% seja empregado, no acumulado de maio último a janeiro, o gás nacional ficará 48% mais caro. No quarto mês deste ano, foi anunciada a primeira alta de preço do combustível produzido no Brasil. À época, a percentagem definida foi de 20%, sendo mais 3,1% em julho e 7,6% em outubro.

Boliviano

O produto importado da Bolívia tem sua tarifa reajustada uma vez por ano. Isso ocorre, explicou Correia, entre janeiro e fevereiro, o que deve impactar mais uma vez, em proporções ainda não mensuradas, o preço. “Normalmente, esse recálculo tem um impacto muito forte, porque mexe com o custo do transporte. Ela tem grande peso no valor final”, finalizou.

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