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SÃO PAULO – A primeira impressão que muita gente tem do mercado acionário é que a forma mais eficiente de ganhar dinheiro na Bolsa é na movimentação freqüente das ações, comprando e vendendo constantemente, para aproveitar as altas e baixas deste mercado. Neste contexto, quem está “por dentro” do mercado teria uma vantagem muito grande.
Isso não corresponde à verdade. Diversos estudos acadêmicos indicam que apenas 10% dos ganhos obtidos com uma carteira de investimentos são decorrentes do market timing, ou seja, identificar o momento perfeito para comprar ou vender. Os demais 90% se referem à alocação de ativos, que corresponde à escolha de ações que, ao longo do tempo, mostram potencial de valorização.
Ganhos no médio e longo prazo
Em outras palavras, estes estudos indicam que a grande maioria dos ganhos no mercado de ações está distribuída no médio e longo prazo. Saber identificar as melhores opções de investimento, com ações de empresas que registram bom potencial de crescimento e posição destacada de mercado é o que realmente faz a diferença.
Este conceito pode surpreender alguns, até porque a percepção que se tem do mercado acionário é a de altas e baixas significativas. A cobertura de Bolsa da grande imprensa tende a destacar somente os movimentos pontuais, trazendo uma impressão apenas parcial do mercado ao investidor, que não segue este mercado de perto.
Quando uma ação sobe ou desce muito ela é destaque. Quem já não viu notícias informando que as ações da Varig subiram 10% após rumores em relação ao seu controle acionário? O que ocorre, na maioria das vezes, é que estas altas ou baixas pontuais acabam sendo compensadas por movimentos contrários nos pregões seguintes, reduzindo a variação a praticamente zero.
De grão em grão
Apesar de também terem seus pregões de “estrelato”, as campeãs de rentabilidade dentro de uma ótica de médio e longo prazo mostram, em geral, um comportamento bem mais discreto. Ao invés de valorizações que chegam às manchetes, são altas menos significativas, porém constantes, que levam uma ação a um histórico positivo de rentabilidade.
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Nestes casos, vale sempre acompanhar a variação das ações nos últimos doze meses, que traz uma fotografia muito mais detalhada do que variações diárias. E não se esqueça, não é porque uma ação subiu muito que ela vai parar de subir. Se os fundamentos justificarem, novas altas são possíveis.
Estratégia mais eficiente e barata
Além de trazer resultados mais eficientes em termos de rentabilidade, analisar o mercado de ações dentro de uma perspectiva de prazo mais longo também pode levar você a gastar menos dinheiro em comissões. Pouca gente leva em conta, mas estratégias de movimentação constante de carteira podem custar caro, já que cada transação gera um custo de corretagem.
Isso não significa que o investidor, por outro lado, tem que ficar parado. Muitas vezes, você pode manter uma estratégia consistente de longo prazo realizando transações de curto prazo. Em várias situações vale a pena explorar o diferencial entre ações ordinárias e preferenciais, por exemplo.
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Foque no longo prazo
O investimento em ações é mais adequado para quem tem uma perspectiva de médio e longo prazo e não precisa do dinheiro rapidamente. Neste contexto, a estratégia de investimento deve ser com este objetivo, dando mais importância ao posicionamento nos papéis certos do que na movimentação de curto prazo.
Investir em ações não é difícil, mas algumas regras básicas têm que ser seguidas para que o risco neste tipo de aplicação não aumente ainda mais. Se você não sabe se tem as características certas para investir em ações, vale a pena consultar um simulador de perfil e ter mais firmeza sobre qual opção de investimento é a mais adequada para você.