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“Ganha-ganha”: por que todos estão comemorando a venda da Via Varejo pelo Pão de Açúcar?

Positivo para o Pão de Açúcar, mas positivo também para quem é acionista da Via Varejo; entenda por que o mercado está tão eufórico com a notícia

SÃO PAULO – Os acionistas da Via Varejo (VVAR11) e o Pão de Açúcar estiveram eufóricos na Bolsa nesta quinta-feira (24), com a notícia de que o conselho de administração do Pão de Açúcar (PCAR4) autorizou, em reunião realizada ontem, que sua diretoria inicie um processo de alienação de sua participação no capital da varejista, formada pela união de Casas Bahia e Ponto Frio.

As units da Via Varejo dispararam 14,29%, a R$ 9,44, depois de terem atingido alta de 16,22%, a R$ 9,60, na máxima do dia, enquanto as ações do Pão de Açúcar subiram 6,03%, a R$ 57,70, após valorização de até 6,19% nesta sessão, a R$ 57,79. 

Segundo os analistas Tobias Stingelin, Bruno Zanotta, Antonio Gonzalez e Mariana Hernandes, do Credit Suisse, o potencial desinvestimento em Via Varejo é positivo para as duas empresas, apesar de não ser uma surpresa.

Para eles, a ação do Pão de Açúcar ainda não incorpora as expectativas sobre a potencial venda de participação na varejista, o que pode dar espaço para valorização, enquanto a Via Varejo, embora já viesse reagindo na Bolsa desde as primeiras notícias sobre a venda, pode dar alegria aos seus acionistas por conta da cláusula de tag along (mecanismo que visa dar garantia aos minoritários em casos de mudanças de controle), que deve ser acionada.

Isso significa que se a empresa garantir um tag along de 100%, o acionista minoritário receberá 100% do valor por ação recebido pelo controlador, no caso da venda da empresa. Ou seja, a questão do preço será crucial nesse aqui e, por conta dela, os papéis da Via Varejo disparam na Bolsa hoje.

Segundo apurado pelo Valor Econômico, pelo menos três grupos têm interesse no negócio: os chilenos Falabella, a Lojas Americanas (LAME4, R$ 16,10, 0,0%) e a Steinhoff International, de origem alemã, mas com sede na África do Sul – esta última, em conversas com o controlador do GPA, o grupo Casino, pelo menos desde outubro, de acordo com fontes. O GPA detém 43,3% do capital da Via Varejo.  

E o que o Pão de Açúcar ganha com isso?
Segundo os analistas do Credit Suisse, há quatro motivos para acreditar que essa transação será positiva para o Pão de Açúcar. São eles: 1) simplificação da estrutura corporativa; 2) PCAR4 seria uma varejista de alimentos, ou seja, menos cíclica e mais atrativa para alguns investidores; 3) a empresa levantaria caixa, o que poderia ser usado para acelerar a expansão do negócio de alimentos, reduzindo sua alavancagem ou aumentando a distribuição aos acionistas em algum momento; e 4) poderia ajudar a diminuir as preocupações de governança corporativa, assumindo uma transação justa ao minoritários.

Apesar dos rumores, eles destacam que ainda é difícil afirmar se que a transação acontecerá, já que depende de vários cenários e da existência de um comprador de fato. Ainda assim, eles simularam 6 possíveis cenários de acordo com o preço da Via Varejo e o impacto da venda para o Pão de Açúcar. 

Confira as simulações na tabela abaixo: 

Via VarejoMudanças no preço da VVAR11 (vs spot)
Spot9%21%33%45%57%69%82%
VVAR11 (preço da ação)R$ 8,30R$ 9,00R$ 10,00R$ 11,00R$ 12,00R$ 13,00R$ 14,00R$ 15,00
P/L estimado para VVAR11 em 201727,5x30,0x33,3x36,7x40,0x43,3x46,7x50,0x
Pão de Açúcar 
Entrada de caixa em janeiro de 2017 (em milhões)1.3431.4921.6411.7901.9402.0892.238
P/L estimado para PCAR4 em 201717,8x14,7x14,2x13,7x13,2x12,8x12,3x11,9x
*Fonte: Credit Suisse

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Isto significa que, assumindo que a Via Varejo seja vendida por R$ 11,00 por unit (ou 33% acima do preço de fechamento de ontem), Pão de Açúcar estaria negociando a 13,7 vezes o múltiplo P/L (Preço/Lucro), considerando uma entrada de caixa de R$ 1,6 bilhões, após impostos. No preço atual, eles enxergam Pão de Açúcar negociando a 17,8 vezes o P/L.