Destaques da Bolsa

Gafisa, Renner e Natura disparam mais de 9%, Eletrobras afunda e Vale salta 6%

Confira os principais destaques da Bovespa nesta quinta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa teve sessão volátil nesta quinta-feira (30) em semana mais curta na Bovespa com feriado do Dia do Trabalho amanhã, enquanto o dólar engatou forte alta e voltou a ser negociado acima de R$ 3. Contudo, durante a tarde, o índice registrou forte valorização e fechou com ganhos de 1,63%, a 56.229 pontos.

No radar, as ações da Vale foram penalizadas após balanço no início da sessão, mas viraram e fecharam com forte alta, enquanto Lojas Renner, Natura e Embraer dispararam e figuraram também entre as maiores altas do índice. Do lado negativo, as ações das elétricas lideraram as perdas nesta tarde. Confira abaixo os principais destaques da Bolsa:

Petrobras (PETR3, R$ 14,25, +3,79%; PETR4, R$ 13,05, +1,79%)
A Petrobras subiu após renovar nove de seus dez conselheiros. Apenas o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, foi reeleito para o conselho da estatal. Na mudança, o Governo Federal permitiu quase uma mudança completa no conselho, com eleição de seis novos membros, dos sete que representam a União no colegiado. Na reunião, os acionistas aprovaram a indicação do governo do presidente da mineradora Vale, Murilo Ferreira, para presidir o conselho. 

Vale (VALE3, R$ 22,65, +7,30%; VALE5, R$ 18,15, +6,20%) 
Depois de figurarem em queda durante toda a manhã, as ações da Vale viraram para alta nesta tarde mesmo após a companhia anunciar um prejuízo de R$ 9,5 bilhões no primeiro trimestre. Como o prejuízo se deveu, basicamente, ao impacto não caixa da depreciação do real, que gerou uma despesa financeira líquida de US$ 4,5 bilhões, e a receita impactada pela queda nos preços das commodities, o mercado preferiu se atentar mais às falas do presidente da mineradora, Murilo Ferreira, que reforçou mais cortes de custos, além do enxugamento de custos já registrado no primeiro trimestre.

Despesas com vendas, gerais e administrativas foram reduzidas em 30%, com pesquisa e desenvolvimento em 17%. Durante a teleconferência sobre o balanço, Ferreira destacou ainjda que considera vender mais ativos. Acompanharam o movimento nesta tarde os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 12,05, +4,33%), holding que detém participação na mineradora. 

Para a XP Investimentos, apesar da boa redução de custos e despesas da mineradora, principalmente no segmento de minério de ferro, os preços continuam pressionando o resultado da empresa. “Podemos observar reflexos positivos de ganhos de eficiência para o próximo trimestre, mas ainda continuamos muito céticos sobre a Vale”, disseram os analistas.

Elétricas
Os papéis do setor elétrico lideraram as perdas do Ibovespa nesta tarde, com destaque para as ações da Copel (CPLE6, R$ 33,91, -0,53%), Cesp (CESP6, R$ 19,00, -1,02%) e Eletrobras (ELET3, R$ 7,30, -6,65%; ELET6, R$ 8,85, -2,21%). Um pouco mais abaixo apareceram CPFL Energia (CPFE3, R$ 19,87, -0,53%), enquanto a Light (LIGT3, R$ 17,85, +1,19%) virou para alta. (mais informações sobre a Light abaixo)

“A entrada no período seco, em um patamar que não é confortável em termos de capacidade dos reservatórios, gera um cenário bastante alarmante”, disse Luis Gustavo Pereira, analista-chefe da Guide Investimentos. Hoje marca o último dia do período de chuvas. 

Embraer (EMBR3, R$ 23,50, +4,35%)
Depois de abrirem em queda, as ações da Embraer viraram para alta e fecharam com ganhos. A companhia divulgou nesta manhã seu balanço do primeiro trimestre, com lucro líquido ajustado (excluídos o imposto de renda e contribuição social diferidos) de R$ 131,2 milhões, queda ante os R$ 147,3 milhões do mesmo período do ano passado. A companhia registrou um prejuízo líquido atribuído aos acionistas de R$ 196,1 milhões, ante lucro de R$ 258,7 milhões no primeiro trimestre no ano passado. 

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Segundo a Concórdia Corretora, a Embraer continua com importantes diferenciais competitivos, no que tange mercado de atuação e competitividade dos modelos. Porém, os entraves recorrentes do setor de defesa e segurança e o perfil de dívida menos vantajoso indicam que este pode não ser o melhor momento para maiores exposições ao ativo.

Lojas Renner (LREN3, R$ 105,05, +9,79%) 
As ações da Lojas Renner chegaram a disparar 10,11% após números animadores no primeiro trimestre e fecharam com alta de quase 10%. A empresa mostrou lucro líquido de R$ 73,2 milhões, alta de 43,8% na comparação com o mesmo período de 2014. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado total, que inclui operações de varejo e produtos financeiros, somou R$ 198,8 milhões, crescimento de 47,2% quando comparado ao ano passado. 

Segundo a XP Investimentos e o Itaú BBA, o balanço da varejista foi “impressionante”, com melhora no Ebitda, tanto em margem quanto em crescimento operacional, aliado ao crescimento nas vendas das mesmas lojas (que considera apenas unidades abertas há pelo menos um ano) de 16,5% em um ambiente de consumo desafiador. 

Natura (NATU3, R$ 28,80, +10,43%)
A empresa de cosméticos Natura teve lucro líquido de R$ 119,6 milhões no primeiro trimestre, crescimento de 2,1% na comparação com o mesmo período de 2014. A média de analistas ouvidos pela Reuters esperava lucro de R$ 102 milhões. Com esse desempenho, a participação das receitas líquidas internacionais da Natura aumentou 5,9 pontos percentuais, chegando a 24,3% do grupo no período. O Ebitda foi de R$ 285,9 milhões, praticamente estável na comparação anual.

Segundo a XP Investimentos, o resultado veio em linha com as estimativas, com maior crescimento no mercado internacional e perda de market share no Brasil. Os analistas comentaram que a empresa está focada para retomar o crescimento das vendas no mercado doméstico, mas preocupa ainda o fato de que a produtividade das consultoras ainda está em queda, apesar da melhora neste trimestre. 

Fibria (FIBR3, R$ 42,25, +0,76%) e Suzano (SUZB5, R$ 15,10, +2,23%)
As ações da Fibria e Suzano – ambas do setor de papel e celulose – subiram pelo terceiro pregão seguido com a recuperação do dólar depois de movimento de forte correção iniciado no final de março. As empresas ganham com a alta do dólar frente ao real já que suas receitas estão atreladas à moeda americana. 

No final da sessão, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s acaba de elevar o rating da Fibria de ‘BB+/Positivo’ para ‘BBB-/Estável’. 

A elevação do rating reflete o fortalecimento do balanço e da geração de fluxo de caixa da Companhia em função da desvalorização do real frente ao dólar. A expectativa é de continuidade da valorização do dólar e de manutenção da estabilidade de preços da celulose de eucalipto no médio prazo. Tais fatores, devem continuar beneficiando a geração de caixa da Fibria, o que permitiria a expansão do complexo industrial de Três Lagoas com a preservação do nível de endividamento compatível com o patamar de rating Grau de Investimento, segundo a agência de rating Standard & Poor’s”.

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Gafisa (GFSA3, R$ 2,80, +12,45%)
As ações da Gafisa dispararam após caírem por três dias seguidos na Bolsa. Ontem, a empresa informou que há grupos interessados em eventual compra de participação societária em Gafisa e Tenda, mas que até o momento não há proposta em vigor ou documento celebrado. A companhia, que não forneceu mais detalhes sobre as propostas, disse que uma potencial aquisição não vai afetar o processo de separação em vigor entre Gafisa e Tenda. 

Nova carteira do Ibovespa
Em reflexo da última prévia da nova carteira do Ibovespa (que passará a vigorar a partir de 4 de maio e valerá até agosto), divulgada pela BM&FBovespa nesta manhã, as ações da Light (LIGT3, R$ 17,85, +1,19%) sobem hoje apesar de sua exclusão do índice. A PDG Realty (PDGR3, R$ 0,52, +8,33%) e Even (EVEN3, R$ 4,96 +5,08%) também foram excluídas e seus papéis avançam nesta sessão. Já a Smiles (SMLE3, R$ 50,95, -4,95%) foi a única ação a ser incluída. 

Raia Drogasil (RADL3, R$ 34,20, +5,72%)
A Raia Drogasil encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 29 milhões, valor 99% maior comparado ao mesmo período do ano passado. O Ebitda da companhia no primeiro trimestre de 2015 foi de R$ 152,4 milhões, com uma margem de 7,4% maior e aumento de 1,9 p.p. sobre o primeiro trimestre de 2014. 

Após o balanço, o Santander elevou a recomendação da empresa de manutenção para compra. Para o banco, o “momentum” deve persistir no próximo trimestre, com companhia se beneficiando do recente reajuste dos medicamentos anunciados pelo governo. Os analistas destacaram ainda que a companhia tem sido capaz de melhorar de forma consistente suas margens acima das expectativas.  

Minerva (BEEF3, R$ 8,77, +8,94%)
A Minerva fechou o primeiro trimestre com prejuízo líquido de R$ 587,2 milhões, revertendo o lucro de R$ 69 milhões reportado no mesmo período do ano passado. A receita líquida somou R$ 2,156 bilhões, alta de 54,2% ante a receita de R$ 1,397 bilhão em igual intervalo no ano passado. A margem Ebitda caiu 1 ponto percentual, de 9,7% para 8,7%. Segundo o Banco Espírito Santo, o resultado operacional da companhia surpreendeu positivamente, apesar do prejuízo líquido desapontar. Para os analistas, o mais importante do que o bom balanço foi que a Minerva foi capaz de aumentar sua participação nas exportações brasileiras de 16,3% no primeiro trimestre de 2014 para 23,8%. 

Multiplan (MULT3, R$ 53,00, +0,07%)
Após chegar a cair 4,89%, a Multiplan fechou praticamente estável. A companhia encerrou o trimestre com lucro líquido de R$ 69,6 milhões, um aumento de 15,4% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, também com Ebitda de R$ 193,7 milhões, 1,5% menor que o equivalente ao ano passado. Com receita líquida de R$ 264,7 milhões e uma alta de 2,9% comparada a do igual trimestre do ano passado. A margem Ebitda atingiu 68,1%, um acréscimo de 508 p.p. na comparação com o primeiro trimestre de 2014. 

Eneva (ENEV3, R$ 0,26, -7,14%)
A Eneva teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado por 81,47% dos credores, sendo que ele ainda será submetido a homologação pelo Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro. Além disso também foi aprovada a alienação da participaçao societária detida pela Companhia na sociedade Porto de Pecém Geração de Energia S.A. (Pecém I) em favor da EDP – Energias do Brasil S.A.