Futuros dos EUA em alta de olho em Obama, Fed e resultados divergentes

Presidente norte-americano promete contenção do déficit, mas faltam detalhes; resultados derrubam Xerox e Boeing

Publicidade

SÃO PAULO – Os principais índices futuros dos EUA operam em alta nesta quarta-feira (26), com o mercado repercutindo o discurso do presidente Barack Obama e avaliando a continuidade da temporada de resultados corporativos. Além disso, também são aguardados para o dia a decisão do Fomc (Federal Open Market Committee) sobre a política monetária norte-americana e um indicador do mercado imobiliário.

Índice Pontos Valor justo Deve abrir em
S&P 500 1.292,60 1.287,68
+0,39%
Nasdaq 2.309,00 2.302,33 +0,34%

Faltaram detalhes no discurso de Obama
O tradicional discurso do Estado da União feito na noite passada pelo presidente norte-americano foi recheado de ideias que visam fortalecer a competitividade e a reorganização econômica do país, mas decepcionou parte do mercado pela falta de detalhes sobre as propostas.

O presidente afirmou reiteradamente durante seu pronunciamento a necessidade de equilíbrio fiscal, porém foi pouco específico no que se refere à implantação das medidas que serão tomadas neste sentido.

Obama sugeriu a implantação de um congelamento dos gastos domésticos nos próximos cinco anos para diminuir em US$ 400 bilhões o déficit na próxima década. 

Este valor ainda está distante do ideal quando se leva em conta um déficit fiscal superior a US$ 1 trilhão, avaliou o economista Nouriel Roubini, lembrando também que talvez haja a necessidade de aumento de impostos.

Agenda
A principal referência do dia será o final da reunião do Fomc, que trará os rumos da política monetária norte-americana. Apesar de não serem esperadas mudanças no programa de estímulos ou na taxa básica de juro do país, o comunicado do banco central norte-americano deve ser acompanhado de perto pelo mercado, ansioso pela avaliação do Fed sobre a economia.  

Além disso, às 13h de Brasília, o mercado receberá o New Home Sales de dezembro, que mostra o número de casas novas, construídas pela iniciativa privada, assim como as casas vendidas e aquelas colocadas à venda. O consenso de mercado prevê que o indicador aponte 300 mil imóveis.

Como o volume de novas casas responde por 15% do volume total de vendas de imóveis nos EUA, este é um componente importante para a retomada do crescimento econômico nos EUA.

Segue a temporada de resultados
O lucro da Xerox apresentou queda de 5%, para US$ 171 milhões, no quarto trimestre de 2010, como reflexo de um processo de reestruturação. A empresa ainda enfrenta mudanças de governança, com o anúncio da aposentadoria de seu CFO (Chief Financial Officer) no próximo mês. Combalidas pelas más notícias, as ações da Xerox se desvalorizam no pré-market (-3,68%), negociadas a US$ 10,98.

Outra empresa a ver seus papéis recuarem forte antes da abertura do pregão regular é Boeing, que reportou seus números no início da sessão. A companhia também apresentou queda nos seus lucros na comparação com o mesmo período de 2009, de US$ 1,27 bilhão para US$ 1,16 bilhão. Os papéis caem 3,63%. 

No mesmo sentido, as ações da Eastman Kodak recuam 5,75% no pré-market, depois de a empresa anunciar uma queda de 95% do lucro líquido no último trimestre. As receitas da empresa mostraram contração tanto no segmento de filmes fotográficos quanto no digital.

Já a US Airways reverteu o prejuízo visto no final de 2009 e fechou o último trimestre com ganhos de US$ 28 milhões, ou US$ 0,17 por ação, batendo as estimativas de US$ 0,06 por papel compiladas pela FactSet Research. As receitas operacionais da empresa também avançaram, de US$ 2,63 bilhões para US$ 2,91 bilhões. As ações da companhia reagem com alta de 3,65% no pré-market.

Ainda na temporada de resultados, a ConocoPhillips viu seus lucros subirem 54% no último trimestre, para US$2 bilhões, ou US$ 1,39 por ação, frente a expectativas de ganhos de US$ 1,29 por papel. As receitas da empresa também avançaram, de US$ 43,7 bilhões para US$ 53,2 bilhões, apesar da queda na produção de petróleo, que fechou o último trimestre em 1,73 milhões de barris por dia. As ações operam estáveis no pré-market de Nova York.