Fusão de Sadia e Perdigão pode prejudicar o consumidor, dizem entidades

Para Pro Teste e Idec, fusão diminui a concorrência entre as empresas e gera o aumento de preços e queda na qualidade

Equipe InfoMoney

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SÃO PAULO – A fusão entre a Sadia e a Perdigão, anunciada oficialmente nesta terça-feira (19), poderá trazer consequências negativas para os consumidores, como a diminuição da concorrência e um aumento nos preços. Isso é o que pensam entidades de defesa do consumidor, como a Associação de Consumidores Pro Teste e o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor).

“O consumidor fica, com a concentração de empresas, sem opção e alternativas. Para ele, seria interessante o preço cair, mas a experiência da Pro Teste com fusões mostra que isso não acontece, e que muitas vezes o preço sobe”, afirma a coordenadora institucional da entidade, Maria Inês Dolci. Ela ressalta que, na opinião da Pro Teste, uma fusão não atende aos direitos do consumidor, por diminuir a concorrência no mercado e criar um monopólio.

A opinião também é compartilhada pelo assessor técnico do Idec, Marcos Pó, que alerta para o risco de concentração no mercado. “Isso sempre acaba jogando os preços para cima e a qualidade para baixo”, explica.

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Opção de marcas

Considerando a existência das duas marcas, Sadia e Perdigão, no mercado, Maria Inês acredita que, pelo menos no início, o consumidor continuará encontrando os dois produtos nos supermercados e lojas.

“Nós ainda não sabemos como vão ser as regras, se as marcas continuarão existindo ou se se transformarão em uma só. Mas deverá haver um prazo para mudar a marca e o nome. No primeiro momento eles devem manter, até mesmo por terem estoque”, diz.

Já Marcos Pó lembra que, em casos de fusão, é comum a empresa manter e diferenciar os produtos das duas marcas. “O que a gente nota é que a empresa valoriza uma marca, como a de mais qualidade, e coloca a outra como a de menos qualidade e com preço menor. Mas de qualquer forma, diminui a qualidade de um dos produtos”, explica.

Consumidores atentos

Maria Inês e Pó também ressaltam que os consumidores podem ficar atentos aos produtos dessas empresas e denunciarem caso constatem algum abuso. “Tem que prestar atenção no preço, na qualidade e na quantidade do produto ofertado e, se notar irregularidade, tem que denunciar”, alerta a coordenadora da Pro Teste.

“O Consumidor tem que prestar atenção e, em qualquer caso, denunciar para as entidades que cuidam da vigilância sanitária, da defesa do consumidor e, eventualmente, da concorrência”, completa o assessor do Idec.