Fundos mútuos respondem por 33% do PIB no Brasil

Dados se referem a 2003, mas indicam penetração mediana, muito abaixo da registrada na Austrália (99%) e nos EUA (68%), mas acima do Reino Unido (20%)

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SÃO PAULO – Discutiu-se no 3º Congresso Anbid de Fundos de Investimento, em São Paulo, a forte expansão da indústria global de fundos, a partir de 2002. No evento foram expostos os principais direcionadores para esse crescimento, bem como os seus fatores limitantes.

Nesse cenário, foi debatida a questão da posição relativa do Brasil nessa indústria. As principais conclusões foram de que a indústria aqui é o crescimento da indústria depende do maior desenvolvimento do setor de previdência privada, da diversificação dos mercados financeiros e do maior grau de sofisticação dos investidores.

Também deve contribuir para o maior crescimento do setor o aumento da regulamentação do setor, maior transparência de informações e melhor qualificação de seus profissionais.

Forte crescimento dos recursos administrados

Em 1999, segundo dados do Worldwide Mutual Fund Assets and Flows, os recursos administrados em todo o mundo totalizavam US$ 11,8 trilhões. Até 2002, esse número sofreu pouca variação, para US$ 11,3 trilhões. Porém, a partir de então, foi verificado no mundo um crescimento da indústria.

Em 2003, o volume total dos recursos administrados chegou a US$ 14 trilhões, um aumento de 24% na comparação com 2002. Em 2004, o avanço na base anual foi de 15%, para US$ 16,1 trilhões.

Contribuíram para esse aumento a retomada do crescimento econômico, juntamente com o “fenômeno” China, e as baixas taxas de juros a nível mundial.

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Questões importantes

Nesse contexto, alguns temas foram propostos para discussão. O primeiro diz respeito à dúvida sobre a continuidade do crescimento econômico que tem sido verificado. Já o segundo diz respeito à trajetória das taxas de juros, que é incerta, e afeta a indústria de fundos.

Foi mencionada também a queda histórica das taxas de poupança das famílias. Por fim, uma quarta questão que preocupa a indústria de fundos se refere ao housing boom global, que limita a capacidade de investimento em fundos das pessoas.

Posição do Brasil

O Brasil, conforme dados divulgados no Congresso, possuía no quarto trimestre de 2004 um volume de recursos administrados de cerca de US$ 220 bilhões. Essa cifra representava um aumento de 18% na comparação com o mesmo período de 2003, em moeda local.

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Essa taxa de crescimento é superior à de países mais desenvolvidos, como Estados Unidos (9%), Canadá (13%), França (11%), Grã Bretanha (15%), Itália (1%), entre outros. Em alguns casos, a menor taxa de crescimento se deve à alta penetração da indústria de fundos no País. Esse é o caso, dos EUA e da França, por exemplo, onde o total de recursos administrados era de, respectivamente, US$ 8,107 trilhões e US$ 1,370 trilhões.

A taxa de crescimento do volume de recursos administrados pelo Brasil foi inferior ao de muitos outros países, como Chile (38%), Argentina (25%), Coréia (27%) e China (115%). Esta última, apesar do forte crescimento, continuou com um patamar baixo na comparação com os outros países, com apenas US$ 35 milhões em recursos administrados no quarto trimestre do ano passado.

Se analisarmos os dados da Worldwide Mutual Fund Assets and Flows, a penetração dos fundos mútuos no Brasil tem um nível intermediário, comparado a outros países. Dados de 2003 mostravam que o total de recursos administrados em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) era de 33%, contra 5% do México e 68% dos Estados Unidos.

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A Austrália é o país que goza do maior índice de penetração da indústria, com US$ 635 bilhões em recursos, ou 99% do PIB. A surpresa fica por conta do Reino Unido (US$492 bilhões), cujo total de recursos administrados é inferior ao da Itália (U$ 511 bilhões). Os dois países, aliás, têm penetração inferior à do Brasil, de 22% no caso do Reino Unido e 30% no caso da Itália.