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SÃO PAULO – Herança das épocas em que a inflação estava fora de controle e que a indústria de fundos ainda era muito incipiente, os brasileiros ainda gostam de investir em ativos reais, como imóveis. Esta tendência se acentuou ainda mais depois do Plano Collor 1 em que até mesmo a poupança foi congelada. Diante disto muitos investidores tendem a colocar boa parte das suas economias em imóveis.
O grande problema desta estratégia é que a aplicação em imóvel envolve altos valores e sofre com a baixa liquidez, afinal para vender suas cotas de fundos DI basta você informar o gestor, enquanto no caso dos imóveis a situação é mais difícil, pois você precisa encontrar um comprador.
Pensando nisto, e buscando atrair este tipo de investidor, surgiram os chamados fundos imobiliários, que permitem o investimento em imóveis a partir de pequenas quantias, e torna este tipo de aplicação um pouco mais líquida. Contudo, em termos de diversificação pouco muda, pois ao contrário dos fundos de investimento em que os recursos são aplicados em vários ativos financeiros, em geral, no caso dos fundos imobiliários, os fundos investem em apenas um imóvel, seja ele um shopping, hospital, hotel, etc.
Apostando no interesse por parte, especialmente dos pequenos investidores, o setor está crescendo forte no Brasil, e a expectativa é que até o final de junho sejam oferecidos outros R$ 500 milhões em cotas de fundos imobiliários no país, o que equivale ao total do que foi apurado em todo o ano passado. Mas como sempre acontece quando o assunto é o seu dinheiro, é preciso analisar com cuidado os prós e contras deste tipo de aplicação.
Vantagens e desvantagens do investimento
De acordo com especialistas do setor, a grande vantagem está no fato de que ao contrário do investimento direto em imóveis, nos fundos a administração do imóvel fica por conta do gestor do fundo, e não de você. Outra vantagem é o fato de que permite que você aplique em imóveis sem ter que gastar muito, pois apesar de muitos fundos ainda possuírem aplicações mínimas relativamente altas, já é possível encontrar fundos cuja aplicação mínima pode ser de R$ 5 mil. Para Sérgio Belleza, sócio-diretor da Coinvalores, empresa especializada na administração de fundos imobiliários, apenas 5% dos 60 fundos existentes no mercado são voltados para os pequenos investidores, mas a expectativa é que em 2002 sejam lançados dez novos fundos para esse público.
Em contrapartida, alguns especialistas acreditam que o retorno médio das aplicações fica aquém daquele dos fundos de investimento tradicionais, pois variam entre 15% e 15,5% ao ano após a construção do imóvel, ou cerca de 1,20% ao mês antes de impostos. Contudo, existe uma forte diferença de rentabilidade com alguns fundos pagando algo como 13% ao ano, ou 1% ao mês, e outros chegando a garantir um retorno de 20%, ou 1,53% ao mês.
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Contudo, o grande problema para a maioria dos especialistas reside no fato de que na hora de vender suas cotas, o investidor pode ter mais dificuldades do que pensa. Em primeiro lugar, não existe a possibilidade de saída imediata uma vez que não existe compromisso de recompra pelo administrador do fundo, portanto fica a cargo do investidor buscar alguém interessado para revender suas cotas. A vantagem neste caso é que existe pouca burocracia, pois basta fazer um contrato de compra e venda com o interessado e pronto.
Esta situação tende a melhorar com o crescimento do mercado, e conseqüente aumento do número de investidores, assim como com a entrada de novos fundos na Bovespa. Em maio deste ano foi lançado na Bovespa o primeiro fundo do mercado,o Europar, que investe em imóveis na área de logística, setor que deve crescer bastante no Brasil.
A listagem do fundo na Bovespa auxilia na justa formação do preço das cotas, o que não ocorria anteriormente. “No mercado de balcão, havia um desvio de informações e o investidor não tinha como saber se estava pagando um bom preço ou não”, completa Belleza. Ele lembra que nos EUA atualmente 300 fundos imobiliários, totalizando um valor de US$ 300 bilhões em patrimônio. Cerca de 70% são cotados em bolsas, o que aumenta sua liquidez e os permite crescer.
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