Fundos: em meio à volatilidade, mercado busca refúgio em commodities

Segundo a EPFR Global, mercados desenvolvidos sentiram ainda o peso da disparada do petróleo e da crise nos EUA

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SÃO PAULO – Diante da derrocada das bolsas ao redor do mundo, acompanhada da continuidade da trajetória de depreciação do dólar frente às principais divisas, o mercado global de fundos de investimento buscou refúgio nas aplicações, direta ou indiretamente, atreladas ao mercado de commodities.

A constatação é da consultoria EPFR Global, que ainda avalia que o otimismo em torno de mais um corte agressivo na Fed Funds Rate foi minimizado pelos fracos sinais emitidos pela economia norte-americana em conjunto à disparada dos preços do petróleo, penalizando o desempenho dos fundos nos mercados desenvolvidos.

Fuga de US$ 78,5 bilhões em 2008

No acumulado de 2008 até a semana encerrada em 5 de março, os fundos de ações de Japão, EUA e Europa acumulam captação deficitária de US$ 78,5 bilhões. No mercado global de fundos de ações, o saldo é negativo em US$ 4,43 bilhões.

Apenas na semana com fim na última quarta-feira (5), os fundos norte-americanos de ações perderam US$ 3,03 bilhões, a oitava semana de 2008 com captação deficitária. No Japão o movimento foi o mesmo, com os fundos de ações de lá marcando saída líquida de recursos pela 48ª oportunidade nas últimas 49 semanas.

Já a Europa mostrou captação positiva, o que não ocorria desde setembro de 2007. De acordo com a EPFR Global, tal resultado foi possível apenas por conta do expressivo aporte de US$ 1,08 bilhão em um fundo de ações suíço gerido pelo banco de investimentos Credit Suisse.

Emergentes e commodities

A busca por aplicações expostas às commodities beneficiou o ingresso de “fresh money” em fundos de ações na Rússia, sustentando a captação dos emergentes de Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês) em território positivo.

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O Brasil também sentiu os efeitos desta busca por investimentos atrelados à commodities, já que os fundos de ações do país tiveram o melhor resultado – em termos de captação líquida – desde dezembro de 2007, permitindo que na América Latina os fundos de ações marcassem saldo positivo pela terceira semana seguida.

Já no BRIC – grupo de países composto por Brasil, Rússia, Índia e China – a captação ao final do período de sete dias encerrado em 5 de março foi negativa em US$ 900 milhões. Destes quatro países, o único com desempenho negativo foi a China.