Fundos DI: uma boa opção em épocas de instabilidade

Diante da forte instabilidade que tem dominado os mercados doméstico e internacional, a melhor recomendação certamente é a de adotar uma postura moderada de investimento que vise a manutenção ou aumento gradual de suas economias, sem correr riscos desnecessários. Neste contexto, privilegie investimentos de maior liquidez, pois é necessário que você consiga também re-direcionar suas […]

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Diante da forte instabilidade que tem dominado os mercados doméstico e internacional, a melhor recomendação certamente é a de adotar uma postura moderada de investimento que vise a manutenção ou aumento gradual de suas economias, sem correr riscos desnecessários. Neste contexto, privilegie investimentos de maior liquidez, pois é necessário que você consiga também re-direcionar suas aplicações em caso de mudanças bruscas nos mercados.

Frente a tantas exigências, os fundos referenciados DI certamente parecem uma boa opção. Se você não pretende deixar o dinheiro aplicado por mais do que três meses, ou não pode arriscar, pois já tem um destino certo para o dinheiro, o melhor é direcionar a maior parte das suas economias para os fundos DI, deixando uma parcela para investimentos mais agressivos no médio-longo prazo. Apesar de não existirem regras claras sobre o assunto, pode-se dizer que quanto menos você tiver economizado, menos pode arriscar, e portanto maior deve ser a parcela direcionada aos fundos DI. Afinal estamos falando de economias de uma vida.

Com o dólar nestes níveis e a economia mundial desacelerando, é cada vez mais difícil a situação na Argentina. Por sua vez, um possível calote argentino acabaria aumentando a fuga de capital de países emergentes, como o Brasil, pressionando ainda mais a cotação do dólar. Apesar da alta do dólar ainda não ter pressionado os índices de inflação para cima, é possível que, caso isto aconteça, o Banco Central acabe promovendo mais um aumento nos juros, beneficiando novamente os fundos referenciados DI.

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Porque os fundos DI ganham com a alta dos juros

Por aplicarem seus recursos em títulos pós-fixados, isto é, títulos em que os ganhos só são conhecidos na data de vencimento, os fundos DI tendem a se beneficiar em cenários de alta nos juros, como aconteceu em 2001. O perfil conservador se deve à forma com que os recursos são investidos, já que a maioria dos fundos DI aplica principalmente em títulos públicos federais. Talvez você não saiba mas alguns destes fundos aplicam em ações, de forma a garantir uma rentabilidade um pouco mais alta para o investidor, no entanto, a parcela direcionada a ações não pode exceder 10% do total de ativos do fundo.

Fique atento aos custos e evite saques antes de um mês

Apesar dos fundos DI possuírem liquidez diária, isto é, você pode sacar a partir do segundo dia em que aplicou o dinheiro, é importante evitar saques antes dos 30 dias. Nestes casos também terá que pagar IOF (imposto de operações financeiras) regressivo, isto é, quanto mais tempo você deixar o dinheiro aplicado menos pagará em imposto, e vice-versa. Além disso, como aplicam em títulos de renda fixa, os fundos DI pagam imposto de 20% sobre os ganhos, o que já não acontece com a poupança, que é isenta. O imposto de renda em geral é retido na fonte pela instituição que administra o fundo e retido a cada 30 dias.

O investidor também precisa prestar atenção à taxa de administração cobrada por estes fundos, pois como o desempenho dos gestores é muito parecido, o que mais impacta na rentabilidade do fundo acaba sendo a taxa de administração cobrada. Desta forma, antes de escolher um fundo pesquise com cuidado as taxas cobradas, e um bom parâmetro é evitar as taxas acima de 1% ao ano. Mas também não vale a pena pagar pouco pela administração do fundo e ter rentabilidades baixas, por isso não se esqueça de checar também a rentabilidade histórica do fundo.

Um exemplo prático

Por exemplo, o Banco do Brasil cobra 6,00% ao ano pela sua administração do seu fundo BB DI CPMF, enquanto o HSBC cobra apenas 0,5% pelo seu fundo DI especial. Imaginando uma rentabilidade similar, quem aplicou no BB acaba pagando por mês o que o investidor do HSBC paga em um ano, o que ilustra o impacto da taxa de administração na rentabilidade.

Outra coisa a verificar é a aplicação inicial, isto é, o montante mínimo que o banco pede que você invista no fundo, já que este montante costuma variar bastante como indica a tabela abaixo. No BankBoston por exemplo, não há exigências para investir no fundo Boston DI, enquanto outros fundos podem exigir até R$ 50.000. Apesar de todos os bancos terem opções premium para valores mais altos, todos possuem opções de fundos DI para menores quantias, com aplicações mínimas que variam entre R$ 500 e R$ 1.000.




































Nome do Fundo Instituição Taxa Administração Aplicação Mínima
BB DI CPMF Banco do Brasil 6,00% ao ano R$ 200
Boston DI Bank Boston 5,00% Não há
Bradesco Safira DI Bradesco 3,50% R$ 1.000
Itau Premio DI Itaubanco 4,00% R$ 5.000
Banespa DI Top Banespa 2,00% R$ 200
HSBC DI Special HSBC Bank 0,50% R$ 1.000

Conservadores e agressivos: a maioria prefere os DI

Com um patrimônio consolidado de R$ 96 bilhões no final de agosto, os fundos DI são responsáveis por cerca de 28% do patrimônio total da indústria de fundos. Depois de meses de captação positiva em 2001, eles tomaram a liderança frente aos fundos de renda fixa como a maior categoria de fundos de investimento do país. Além dos recursos dos investidores mais conservadores, os sucessivos aumentos nos juros desde o início de 2001 e as incertezas atuais levaram os fundos DI a receber recursos também de investidores mais agressivos, desiludidos com as fortes perdas registradas pelos fundos de ações.

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