Fundos de recebíveis podem ser uma opção para quem quer aplicar em renda fixa

Categoria cresceu muito em 2005 e é boa opção de diversificação na renda fixa; retorno em geral supera o dos fundos DI

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SÃO PAULO – Para aplicar em renda fixa, você não precisa ficar restrito aos títulos públicos. Atualmente, com o elevado patamar dos juros, esse investimento se configura como uma boa alternativa, mas a situação pode mudar em um cenário de juros mais baixos, que é o que o mercado acredita que ocorrerá nos próximos anos. Existem títulos privados que também podem atender às suas expectativas, mas, para tanto, é preciso ficar atento às modalidades existentes.

Como o mercado de debêntures ainda é pouco desenvolvido e apresenta baixa liquidez, os FIDCs (Fundos de Direito Creditório) podem ser uma boa opção. A carteira desses fundos é composta principalmente por títulos emitidos por empresas e lastreados em um fluxo de caixa futuro, ou seja, numa quantia que a companhia tem direito a receber pela venda de um produto ou serviço. Na prática, o investidor adianta essa quantia para a empresa, recebendo em troca um prêmio.

Por ser uma opção de capitalização das empresas de custo menor que a emissão de debêntures, a expectativa dos analistas é que esse segmento cresça expressivamente nos próximos anos.

História recente dos FIDCs

Os fundos de recebíveis, como também são chamados os FIDCs, ganharam impulso em janeiro de 2004, como o início das negociações de cotas na Bovespa. O desenvolvimento de um mercado secundário foi essencial para a geração de liquidez necessária para o investimento crescer.

No mercado secundário da BovespaFix, os FIDCs negociados em 2004 registraram volume financeiro de R$ 421,034 milhões, com 132 negócios. Em 2005, no período de janeiro a junho, o volume financeiro registrado já superou o total do ano passado: R$ 433,576 milhões, com 136 negócios realizados.

Dados da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) confirmam o maior interesse dos investidores pelos FIDC. Tanto que a categoria acumulava ao final de junho desse ano um patrimônio de R$ 6,6 bilhões, após uma captação positiva de R$ 1,8 bilhão nos seis primeiros meses desse ano. Em junho do ano passado, o patrimônio dos FIDC era de apenas R$ 2,2 bilhões, de forma que em 12 meses o mesmo mais do que dobrou.

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Dados da própria Anbid dão conta da existência de 43 fundos de direito creditório, sendo que no mês de maio o retorno mediano obtido pela categoria foi de 1,60%, porém é importante lembrar que houve forte variação entre os retornos apresentados. De qualquer forma, a maior parte dos fundos obteve retorno superior a media auferida pelos fundos referenciados DI (1,47%) e que os renda fixa crédito (1,51%).

Qual o risco ao aplicar em um FIDCs?

Os fundos de investimento de direito creditório são analisados por uma agência de classificação de risco. Através do rating que lhe é atribuído, você pode saber qual o grau de risco que o investimento possui antes de decidir investir nele.

Os riscos, vale citar, estão relacionados à probabilidade dos devedores não cumprirem suas obrigações com a empresa. Trata-se, portanto, de um risco de crédito semelhante ao que se incorre quando se investe em fundos de renda fixa crédito, ou na compra de debêntures.

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Com a estimativa de redução da taxa Selic nos próximos anos, deverá ser mais difícil para os fundos de pensão conseguir atender à meta atuarial, de 6% mais a inflação. Com isso, os gestores dos fundos deverão buscar uma maior diversificação, através das novas modalidades de investimento.

A expectativa, portanto, é de que a captação dos fundos de recebíveis cresça ainda mais daqui pra frente. Isso graças ao casamento da demanda dos aplicadores por novas opções de investimentos com a necessidade de crédito por parte das empresas. Estas podem captar recursos através dos FIDCs a custos menores que os cobrados por instituições financeiras.