Fundos de Participações batem captação de classes tradicionais em 2008

Recém-criada, após reformulação da Anbid, categoria responde por 51% do fluxo positivo total de recursos da indústria no ano

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SÃO PAULO – De maneira imponente, a categoria recém-criada “Fundos de Participações” já ocupa os holofotes da indústria brasileira de fundos de investimento. Deixando para trás figuras tradicionais como renda fixa e DI, em termos de fluxo de recursos, segundo classificação da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).

Apesar da maior procura do investidor por opções mais seguras de aplicação em meio a turbulência do mercado acionário, os “Fundos de Participações” – também conhecidos por FIP´s (Fundos de Investimento em Participações) – lideram a captação líquida, que é a diferença entre os recursos aplicados e os sacados, da indústria brasileira de fundos de investimento em 2008.

Os números

De acordo com dados da Anbid, esta classe, oriunda de uma subdivisão dos “Fundos Fechados de Ações” após reformulação, captou R$ 14,87 bilhões até o dia 9 de abril, cerca de 51% do total doméstico dos fundos de investimento – R$ 28,98 bilhões – no período.

Em segundo lugar, aparece o montante de R$ 12,58 bilhões dos FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios). O desempenho é superior à cifra de R$ 12,06 bilhões ostentada pela categoria dos fundos referenciados DI. Além dos R$ 9,49 bilhões correspondentes aos fundos de renda fixa.

Na outra ponta, os fundos de ações obtêm saída líquida de recursos na casa dos R$ 14,46 bilhões. Reflexo em grande parte da reformulação promovida pela Anbid.

Mais sobre os fundos de private equity

De acordo com a instrução CVM nº 391, o Fundo de Investimento em Participações, constituído sob a forma de condomínio fechado, “é uma comunhão de recursos destinados à aquisição de ações, debêntures, bônus de subscrição, ou outros títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de companhias, abertas ou fechadas, participando do processo decisório da companhia investida, com efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão, notadamente através da indicação de membros do Conselho de Administração”.

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Em outras palavras, ao adquirir ativos de determinadas empresas, compondo assim o patrimônio líquido do fundo, os FIPs, ou fundos de private equity, estão financiando os negócios destas empresas.

Como explica a Abvcap (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital), ao contrário dos fundos de renda variável tradicionais, os FIPs são estruturados através de “condomínios fechados” – como define a regulamentação da CVM – ou seja, seus investidores subscrevem as cotas no início do fundo e não há possibilidade de resgate intermediário, uma vez que os cotistas só recebem o capital aplicado na ocasião do desinvestimento/venda do fundo nas empresas em carteira.