Fundos de investimento: três maiores gestores concentram maioria do mercado

Banco do Brasil, Bradesco e Itaú se destacam e concentram mais que metade dos recursos administrados no Brasil

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SÃO PAULO – Reflexo da forte concentração do sistema financeiro nacional e do baixo poder aquisitivo de grande parte da população brasileira, a indústria de fundos de investimento continua marcada pelo alto nível de concentração.

Segundo o novo ranking do setor, anunciado pela ANBID, a Associação Nacional dos Bancos de Investimento, apenas as três maiores instituições gestoras de fundos do país, o Banco do Brasil, o Bradesco e o Itaú respondem por mais de 50,16% do total de aplicações em fundos.

Menor concentração nos segmentos de alta renda

Ainda de acordo com o novo ranking, apenas os segmentos formados por pessoas jurídicas ou pessoas físicas com alta renda possuem níveis mais altos de concorrência, dada a existência de inúmeras instituições especializadas no atendimento à grandes investidores.

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Com isto, em um universo de quarenta e dois administradores afiliados à ANBID, cerca de 72,64% dos ativos totais em fundos, ou aproximadamente R$ 590,9 bilhões, são administrados pelos cinco maiores gestores de fundos.

Banco do Brasil é o maior administrador de fundos

O ranking global de administração de recursos de terceiros é liderado com ampla folga pelo Banco do Brasil, maior instituição bancária brasileira, com uma carteira de fundos de investimento de aproximadamente R$ 122,4 bilhões. Já a segunda posição no ranking é ocupada pelo Bradesco, o maior banco privado do país, com R$ 90,2 bilhões de ativos.

A lista é completada pelo terceiro lugar do Itaú, com uma carteira de fundos totalizando R$ 83,7 bilhões, sendo seguido pela Caixa Econômica Federal, com ativos de R$ 31,8 bilhões e pelo Unibanco, com R$ 30,2 bilhões.

Títulos públicos federais predominam em cotas de fundos

A maior parcela das cotas de fundos de investimentos administradas pelos dez maiores gestores do país é composta principalmente por títulos públicos federais. De um total de R$ 493,4 bilhões de reais, aproximadamente 74,5% dos ativos são títulos federais, cuja emissão é basicamente originada da cobertura do déficit fiscal ou da rolagem da dívida interna.

Estes títulos públicos possuem uma grande variedade de prazos de vencimento, liquidez e rentabilidade, podendo ser indexados à oscilação cambial, ao IGP-M ou ainda à taxa Selic. São, em linhas gerais, títulos de quatro categorias: Letras do Tesouro Nacional (LTN), Letras Financeiras do Tesouro Nacional (LFT), Notas do Tesouro Nacional (NTN) e, finalmente, os Bônus do Tesouro Nacional (BTN).

É importante frisar que o investidor deve estar sempre atento à saúde financeira do governo, pois seu desempenho fiscal bem como a política de gestão da dívida interna do Brasil está diretamente ligada à performance dos fundos de investimentos.

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Renda variável corresponde a apenas 8,87% dos fundos

Os papéis de renda variável, ou seja, aplicações cujo rendimento obtido é desconhecido no momento de sua compra, correspondem a apenas 8,87% do total de ativos dos fundos, com amplo destaque para ações, que perfazem 8,22% do total dos ativos dos dez maiores gestores do Brasil.

Por sua vez, as aplicações em Renda Fixa perfazem os restantes 91,13%, com uma elevada concentração das cotas em títulos públicos federais (74,52%). Outras aplicações de fundos em renda fixa, embora com menor destaque, foram em CDB/RDB e Debêntures, com respectivamente, 8,87% e 3,95% dos ativos totais.

Vale lembrar que CDB (Certificado de Depósito Bancário) e RDB (Recibo de Depósito Bancário) são títulos emitidos por bancos comerciais e de investimentos, que pagam taxas de juros, como forma de captação destas instituições. Por sua vez, as Debêntures são também títulos de renda fixa, emitidos, porém, por sociedade anônima, para tomar empréstimo no mercado.

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Ranking de Private Bank possui grandes diferenças

O ranking dos maiores administradores de recursos de terceiros, como são conhecidos os gestores dos fundos de investimentos, quando analisados por segmento de mercado, guardam algumas significativas diferenças com o ranking geral das instituições.

No segmento de Private Bank, por exemplo, composto por pessoas físicas com alto poder aquisitivo e elevado patrimônio, há uma menor penetração das duas principais instituições bancárias brasileiras, o Banco do Brasil e o Bradesco. Ao mesmo tempo, aparecem instituições mais especializadas em determinados nichos do mercado, como a Hedging Griffo e o Banco Opportunity.

O ranking do setor é encabeçado pelo Itaú, com R$ 9,7 bilhões enquanto o Unibanco ocupa o segundo lugar, com R$ 4,7 bilhões. Em terceiro lugar, ficou a Hedging Griffo, com R$ 4,1 bilhões, seguida pelo banco Opportunity com R$ 4,0 bilhões, e pelos empatados Safra e Bradesco, ambos com R$ 3,5 bilhões.

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BB lidera Corporate Bank e varejo

Contudo, já no mercado bancário voltado para grandes clientes, o chamado Corporate Bank, o Banco do Brasil retoma a liderança com ativos de R$ 15,6 bilhões, sendo seguido pelo Bradesco, com R$ 6,7 bilhões, e pelo Itaú, em terceiro, com R$ 5,5 bilhões. Já o quarto lugar é ocupado pela Votorantim Asset, com R$ 5,5 bilhões e o quinto pelo Safra, com R$ 4,3 bilhões.

Por sua vez, no mercado de varejo, destinado ao público em geral, a liderança também retorna para o Banco do Brasil, com R$ 32,3 bilhões, acompanhado de perto pelo Itaú, com R$ 32,2 bilhões. O Bradesco ocupa a terceira posição, com R$ 30,4 bilhões, seguido pela Caixa Econômica Federal, com R$ 24 bilhões e o Santander Brasil, com R$ 15,4.

Confira abaixo os dez maiores gestores de fundos de investimentos do Brasil, por ativos, segundo a Anbid:

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Administrador Total de Ativos
Banco do Brasil R$ 122,4 bi
Bradesco R$ 90,2 bi
Itaú R$ 83,7 bi
Caixa Econômica R$ 31,8 bi
Unibanco R$ 30,2 bi
HSBC R$ 28,5 bi
Citibank R$ 28,4 bi
Santander Brasil R$ 27,6 bi
ABN AMRO Real R$ 27,6 bi
Pactual R$ 23,9 bi

Fonte:Anbid

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