Fundos de investimento: índice de Sharpe evidencia melhor relação risco retorno

Fundos de privatização da Vale se destacam em termos de relação risco retorno; fundos cambiais mostram pior desempenho

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SÃO PAULO – A safra de bons indicadores da economia brasileira no final do ano passado animou o mercado de capitais, impulsionando os papéis de renda variável. O bom humor dos investidores premiou as aplicações em renda variável, tornando os fundos de investimentos com ações a melhor opção de investimento quanto à remuneração do risco assumido.

Dentre estes fundos, a grande exceção ficou por conta dos fundos com papéis da Petrobrás, cujo desempenho foi prejudicado por um resultado abaixo do esperado e por problemas ambientais. Além disto, entre as piores opções, figurou novamente o segmento de fundos referenciados a moedas estrangeiras, já que o fortalecimento do real minorou as possibilidades de lucro destes fundos, reduzindo seu índice de Sharpe.

Índice de Sharpe dá idéia de custo benefício da aplicação

A mensuração da volatilidade de um fundo é feita considerando-se a variação diária do valor da cota durante um determinado período de tempo. Desta forma, pode se projetar qual é expectativa de volatilidade de um fundo de investimento.

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Um dos índices mais utilizados pelo mercado é o Índice de Sharpe, ou índice de eficiência que, em linhas gerais, mostra se os riscos assumidos pelo fundo foram bem remunerados. Este índice compara o retorno relativo do fundo contra um ativo de risco livre, levando em conta a volatilidade da carteira de fundos de investimento. Quanto maior o retorno e menor o risco do investimento, melhor será o Índice de Sharpe.

Alta rentabilidade com alto risco pode ser mau negócio

As instituições financeiras estruturam seus fundos de acordo com algumas variáveis determinadas pelo Banco Central ou pela Comissão de Valores Mobiliários. Entre estas regulamentações estão os limites de composição de cada carteira, ou seja, qual papel e em qual quantidade pode ser composta a carteira do fundo.

Estas regras impõem o perfil de liquidez de cada fundo. Entretanto, é na escolha da composição entre risco e rentabilidade desejada pela instituição financeira, dados os limites impostos pela legislação, que é determinada a personalidade do fundo. Portanto, ao investir em um fundo é importante estudar cuidadosamente as opções uma vez que alta rentabilidade associada a um alto risco pode ser mau negócio.

Fundos da CVRD registram melhor desempenho

Os fundos de investimentos que apresentaram a melhor relação risco-benefício no último mês de novembro, segundo dados divulgados pela ANBID, foram os compostos por ações da Vale do Rio Doce, com recursos próprios, cujo índice de Sharpe foi de 10,43. Em outras palavras, para cada 1% de risco adicional assumido por estes fundos, foi oferecido em média 10,43 % de retorno mensal adicional.

Em segundo lugar também ficaram os fundos de investimentos em papéis da Vale, contudo, formados por recursos originários do FGTS, que obtiveram um índice de 9,93, enquanto os fundos formados com recursos de migração ficaram com 9,52. Vale lembrar que esta categoria de fundo é caracterizada por ser uma opção justamente para o investidor que prefere uma maior rentabilidade ao retorno da poupança, por exemplo, sem correr grandes riscos.

Novembro foi positivo para fundos de renda variável

Os fundos de renda variável registraram no último mês de novembro um bom desempenho, dado que o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, superou a barreira dos 25 mil pontos no período, fechando o mês com uma oscilação positiva de 7,97%. Este resultado foi uma conseqüência da ótima performance da economia brasileira, com os principais indicadores econômicos registrando cifras muito positivas, o que valorizou as ações.

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Os Fundos de Ações Indexadas ao Ibovespa foram a quarta melhor opção de novembro, mostrando uma ótima relação risco-benefício, com um índice Sharp de 1,92. Esta classe de fundos conseguiu oferecer 1,92% de rentabilidade mensal a mais, para cada 1% a mais de risco assumido. Os aplicadores que apostaram em fundos de investimentos de papéis do setor de telecomunicações também obtiveram uma boa remuneração do risco assumindo, alcançando um índice de 1,92. Br>

Confira abaixo o Índice de Sharpw dos melhores fundos nos últimos doze meses. Usou-se como referência para o investimento com risco livre a rentabilidade dos fundos de renda fixa, que, por definição, registraram um índice igual à unidade.


































Fundo de Investimento índice Sharp
Fundos de CVRD- Rec Próprios 10,43
Fundos CVRD – FGTS 9,93
Previdência CVRD – Migração 9,52
Ações Ibovespa Indexado 1,92
Ações Setorial Telecomunicações 1,44
Provatização FGTS – CL 1,17
Ações IBX Ativo com Alavancagem 0,77
Previdência Balanceados 0,62
Previdência Referenciados Outros 0,55
Ações Ibovespa Ativo 0,53

Fonte:Anbid

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Fundo de Previdência Câmbio tem pior desempenho

A relação custo benefício mensal mais desfavorável foi obtida pelos Fundos de Previdências Referenciado Câmbio, fundos estes que, para cada unidade adicional de risco, ofereceram um decréscimo na rentabilidade de 6,29%. Esta classe de fundos é caracterizada pela estratégia de replicar o retorno de um índice de referência, no caso a variação cambial.

Fundos referenciados ao dólar perdem

Ocupando o segundo e terceiro lugar entre as piores opções de fundos ficaram os fundos referenciados em moeda estrangeira, com destaque negativo para os atrelados ao dólar norte-americano, que registraram um índice de Sharpe de -1,57, acompanhados pelos os fundos cuja referência era o euro, cujo índice ficou em 1,19.

A má performance destes fundos referenciados foi decorrente do desempenho fraco do dólar e do euro em relação às demais aplicações. Durante o mês de novembro, o dólar comercial sofreu uma forte queda de 4,56% enquanto o euro depreciou-se em 0,83%, desempenho sofrível se comparado as valorizações obtidas pelas aplicações de Renda Fixa e pela valorização de 7,97% do Ibovespa no mesmo período.

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Fundos de Privatização Petrobrás também caem

A ocorrência de um vazamento de óleo na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro, e também o anúncio de um lucro líquido no terceiro trimestre de R$ 5,488 bilhões, abaixo da média das projeções do mercado, em torno de R$ 5,8 bilhões, foram determinantes para a desvalorização das ações das empresas. Ao longo do mês, os papéis preferenciais da companhia chegaram a perder 4,56% do seu valor, recuperando-se no final de novembro, para fechar com uma queda de 1,04%.

Com isto, a forte volatilidade das ações da estatal durante o período bem como a queda de suas cotações acarretou a reversão do Índice de Sharpe das aplicações em papéis da empresa. Após terem registrado a melhor remuneração por risco assumido nos últimos doze meses, os Fundos de Privatização Petrobrás ofereceram para cada 1% de risco adicional, uma desvalorização de 1,43%.

Confira abaixo as dez piores aplicações no mês de novembro, segundo o índice de Sharpe:

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Fundo de Investimento índice Sharp
Previdência Referenciado Câmbio -6,29
Referenciado Dolar – -1,57
Fundos de Priv. Petrobras – Rec. Próprios -1,43
Fundos de Priv. Petrobras -1,32
Referenciados Euro -1,19
Investimento no Exterior -0,16
Renda Fixa Crédito -0,08
Previdência Multim Sem RV -0,079
Previdência Renda Fixa -0,07
Multimercados Sem RV -0,076

Fonte:Anbid

Ao investir, atenção a combinação risco rentabilidade

Fundos de investimento são uma grande oportunidade de investimento que permitem, especialmente para o pequeno investidor, uma rentabilidade maior sem abrir mão de um razoável nível de segurança. O enorme leque de opções disponíveis no mercado, contudo, ao mesmo tempo em que representa uma grande oportunidade, exige do investidor atenção para encontrar o fundo mais adequado para o seu perfil.

Ao escolher, uma das formas mais eficientes de avaliar a atratividade de um fundo é comparar sua rentabilidade e a volatilidade de suas cotas. Um fundo com rentabilidade média, mas com uma pequena volatilidade pode ser melhor negócio do que um fundo com alto retorno e alto risco. Por isso, muita atenção ao investir.