Fundos balanceados: quais estratégias usam e quais vantagens têm?

Especialistas explicam as peculiaridades deste tipo de aplicação e detalham como buscam rentabilidade

Publicidade

SÃO PAULO – Os fundos balanceados são um tipo da categoria multimercados, que podem incluir em sua carteira diversas classes de ativos, porém, geralmente, mantêm alocações apenas em ações e renda fixa – CDB/CDI, títulos do governo e debêntures.

Esta modalidade de aplicação pode ser uma boa opção para aqueles investidores cujo apetite para o risco está começando a crescer, já que a exposição dos balanceados à Bolsa é limitada. Em entrevista à InfoMoney, especialistas esclarecem as peculiaridades deste tipo de fundo e revelam quais as suas estratégias de investimento.

O que são os balanceados?

É comum os bancos oferecerem este tipo de fundo numa escala de risco crescente: conservadores, moderados e agressivos. “Quanto mais agressivo o fundo, maior a exposição em renda variável”, explica Aquiles Mosca, estrategista de finanças pessoais do Banco Real. O prospecto do fundo deve determinar qual será a parcela máxima de aplicação em Bolsa.

Alexandre Silvério, superintendente de gestão do banco Santander, explica que esta parcela de investimentos em ações pode variar, conforme o gestor julgue adequado, ou ser fixa.

Qual o perfil do investidor?

A grande diferença em relação a outros fundos multimercados é que os fundos balanceados não atuam em outros mercados, como o futuro, e sempre têm uma alocação relevante em Bolsa. Os multimercados, por atuarem com mais instrumentos, costumam reduzir bastante sua exposição em Bolsa em épocas de turbulências.

O balanceado, portanto, deve ser encarado como um investimento de prazo maior que os demais de sua categoria. “É um bom investimento para fundos de pensão, por exemplo”, indica Silvério.

Continua depois da publicidade

“Eu recomendo para o investidor que está procurando uma diversificação de carteira e que deseja obter um retorno maior do que da renda fixa”, afirma Mosca, do Banco Real. “É também uma aplicação adequada para investidores iniciantes que ainda temem as oscilações da Bolsa, pois é uma forma de ter contato com o risco, porém com uma exposição limitada”.

O risco, contudo, não deixa de ser alto, já que esse é um tipo de carteira que investe em ações, e se torna maior quanto maior for à exposição à renda variável, alerta Silvério, do Santander.

Vantagens

Apesar da parcela de risco, “para os que acreditam na boa performance do mercado de ações, o investimento é vantajoso”, afirma o superintendente do Santander.

“Os fundo balanceados buscam manter a alocação em Bolsa independente do cenário e, muitas vezes, durante períodos de queda, como o que estamos vendo agora, aproveitam para comprar ainda mais ações”, revela Mosca.

“Nesse aspecto, o fundo dá uma idéia de disciplina para o investidor”. Em outras palavras, para o estrategista, o fundo balanceado pode ser um bom exemplo para ensinar ao investidor que deseja obter uma rentabilidade alta, que a paciência e a disciplina são essenciais para se lidar com ativos de risco.

Estratégia

“No Santander, temos fundos balanceados Ibovespa e IbrX -100, que visam superar os respectivos índices de referência”, detalha Silvério.

Continua depois da publicidade

“Entendemos que o momento atual continua bastante favorável a renda variável, então mantemos nossas posições em cerca de 15% em Bolsa para os fundos flexíveis e cerca de 40% nos fixos”, revela o gestor. Os fundos flexíveis do Santander determinam exposição a ações em até 20%, enquanto os fixos estabelecem a percentagem de renda variável entre 40% e 49%.

Silvério diz que aposta nos setores ligados à economia doméstica, como também no setor de commodities, pois, “estes papéis, ao contrário de alguns meses atrás, quando estavam sobrevalorizados, agora apresentam oportunidade de entrada”.

Já no Real, os fundos balanceados procuram manter fixas as posições em ações (em 15% nos fundos mais agressivos) uma vez que “acertar o momento de entrar ou de sair da Bolsa é muito difícil”, explica Mosca.

Continua depois da publicidade

“Desde 1999, a Bolsa brasileira vem apresentando uma valorização anual média de 27%, sendo que descontados os períodos de maior alta, essa valorização chega a 15%, o que é quase a taxa de juro do País”, calcula Mosca. Ou seja, se o gestor errar nestes momentos de alta, ele irá render praticamente o mesmo que os títulos do governo, resultado que anularia as vantagens do fundo, avalia o estrategista.

Mosca diz ter alocações em mineração, siderurgia e bancos, “por que estes últimos costumam ser defensivos em momentos de volatilidade”, justifica.