Fundo de pensão dinamarquês diz que vai se desfazer de títulos dos EUA

Fundo AkademikerPension cita políticas de Trump e sustentabilidade da dívida americana para justificar decisão

Bloomberg

(Foto: Karl Callwood/Unsplash)
(Foto: Karl Callwood/Unsplash)

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O fundo de pensão dinamarquês AkademikerPension planeja deixar os títulos do Tesouro dos Estados Unidos até o fim do mês, diante da avaliação de que as políticas do presidente Donald Trump criaram riscos de crédito grandes demais para serem ignorados.

“Os EUA basicamente não são um bom crédito e, no longo prazo, as finanças do governo americano não são sustentáveis”, disse Anders Schelde, diretor de investimentos da AkademikerPension, à Bloomberg nesta terça-feira (20).

A AkademikerPension, que administra cerca de US$ 25 bilhões (R$ 135 bilhões) em poupança de professores e acadêmicos, tinha aproximadamente US$ 100 milhões em Treasuries dos EUA no fim de 2025, segundo Schelde. A gestão de risco e liquidez é a única razão para permanecer nesses títulos e “decidimos que podemos encontrar alternativas para isso”, afirmou.

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Embora seja uma gota no oceano diante do tamanho do mercado de Treasuries, a desinvestida planejada pela AkademikerPension marca um passo simbólico relevante no atual contexto político, em que investidores institucionais reavaliam o que constitui um porto seguro. O espectro de gestores europeus usando o capital como instrumento de pressão foi levantado anteriormente em uma nota do Deutsche Bank AG, como forma de o bloco reagir às ameaças contínuas de Trump.

Schelde citou as falas de Trump sobre assumir o controle da Groenlândia como um dos fatores que levaram o fundo a se afastar dos Treasuries. Preocupações com a disciplina fiscal e com um dólar mais fraco também justificam a redução da exposição aos EUA, disse.

O movimento ocorre enquanto Trump intensifica as ameaças de tomar a Groenlândia, gerando desconforto entre aliados europeus da Dinamarca. A Groenlândia, que integra o Reino da Dinamarca, tem respondido de forma consistente às tentativas de Trump de comprar a ilha afirmando que ela não está à venda.

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“Não dá para colocar o gênio de volta na garrafa”, disse Schelde. “As coisas podem melhorar e ficar mais calmas daqui a alguns meses, e Trump não pode ser reeleito, e o próximo presidente pode ser um pouco diferente”, afirmou. “Mas o que vem depois, em cinco, seis, dez anos? Acho que há uma forte percepção em toda a Europa de que precisamos ser capazes de nos sustentar por conta própria.”

A AkademikerPension é o mais recente fundo de pensão dinamarquês a reduzir posições em Treasuries. A Laerernes Pension saiu da maior parte de suas posições antes do agravamento da crise envolvendo a Groenlândia neste mês, citando preocupações com a sustentabilidade da dívida dos EUA e ameaças à independência do Federal Reserve. A PFA, que administra cerca de US$ 120 bilhões em ativos, reduziu recentemente suas posições como parte de uma reorganização mais ampla. E, no início desta semana, a Paedagogernes Pension afirmou que deixará de lançar novas estratégias voltadas a ativos ilíquidos nos EUA, após abandonar Treasuries, segundo o FinansWatch.

A Groenlândia e a ameaça de Trump de impor novas tarifas estarão no topo da agenda quando o presidente dos EUA chegar a Davos na quarta-feira. Trump afirmou que se reunirá com diferentes partes para discutir o tema. Seu secretário do Tesouro, Scott Bessent, pede cautela e descartou sugestões de que a Europa venderia Treasuries.

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